<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781</id><updated>2009-11-04T18:10:13.147-08:00</updated><title type='text'>Caixa de Pandora</title><subtitle type='html'>Caixa de Pandora(mulher criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia de Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo), uma expressão originalmente utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade , aqui tem o intuito nada misterioso ou secreto de ,aberta a urna, fazer aflorar os mais instigantes temas culturais.
                    a)Mauro Rosso</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>124</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-8284084343992262501</id><published>2009-10-23T03:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T03:35:18.891-07:00</updated><title type='text'>Jesus aliado a Judas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Lula declara em  entrevista que  no Brasil mesmo Jesus precisaria se aliar a Judas para governar. noves fora o linguajar sempre esdrúxulo para um presidente, é verdade : a política brasileira sempre teve vocação conciliadora e se fez à base de concessões&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Euclides da Cunha já denunciava isso há mais de 100 anos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na apreciação da obra e da atuação intelectual de Euclides, e seu olhar sobre a questão social em simbiose com a política,  é preciso ter em vista e compreender tanto o padrão de organização social e de domínio vigente no país. Sobressai em Euclides a reflexão e indagação acerca da viabilidade de a sociedade brasileira ser ou não capaz de gerar mudanças substanciais. Em torno dessa questão, construiu profunda reflexão, buscando no processo histórico os fundamentos da constituição de um tipo de configuração política  que contivesse  todos os elementos  para as transformações sociais substantivas. Uma de suas maiores indagações reportavam-se a deduzir serem as dificuldades, os  impedimentos, as impossibilidades  oriundas dos homens ou das instituições? – e  respondia : dos dois – porquanto  a cultura política prevalecente no país se incumbia de internalizar em cada indivíduo os vícios de um modo de agir que levava à perpetuação das dificuldades políticas brasileiras. Mas  atribuía também ao sistema representativo que vigorava no país, a responsabilidade pela contínua decadência política que se instaurou  no século XIX e XX.&lt;br /&gt;Euclides foi o primeiro de todos e seu tempo(assim como para o meio ambiente e sua correlação com a política, assim como para a Amazônia) a enxergar e denunciar a prática das conciliações – estagnadoras, tidas por ele  não como construtoras do entendimento e do consenso mas como expressão de um conflito latente na própria ordem política e social brasileira. Euclides  afirmava e reafirmava o caráter vicioso da prática conciliadora – e se atentarmos o quanto toda a vida política brasileira,no decorrer dos anos, se constituiu através da conciliação, constataremos a plena atualidade de Euclides também nessa seara.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[trecho de &lt;em&gt;Escritos de Euclides da Cunha:política,ecopolítica,etnopolítica&lt;/em&gt;. Mauro Rosso, edPUC-Rio\Loyola, 2009]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-8284084343992262501?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/8284084343992262501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=8284084343992262501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/8284084343992262501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/8284084343992262501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/10/jesus-aliado-judas.html' title='Jesus aliado a Judas'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-1078289019439024178</id><published>2009-09-29T07:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T07:38:12.461-07:00</updated><title type='text'>Machado, Freud, as mulheres</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Os 70 anos de morte de Sigmund Freud constituem esplêndida oportunidade de tecer considerações e reflexões sobre ... Machado de Assis&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt; &lt;a href="https://docs.google.com/Doc?docid=0AUkA_jvJviUlZGMyMnRwNGRfNzZnMnNuYno1Zg&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;https://docs.google.com/Doc?docid=0AUkA_jvJviUlZGMyMnRwNGRfNzZnMnNuYno1Zg&amp;amp;hl=pt_BR&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-1078289019439024178?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/1078289019439024178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=1078289019439024178&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1078289019439024178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1078289019439024178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/09/machado-freud-as-mulheres.html' title='Machado, Freud, as mulheres'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-1281617712597909155</id><published>2009-08-04T05:50:00.002-07:00</published><updated>2009-08-04T06:22:36.367-07:00</updated><title type='text'>os muitos Euclides da Cunha,pensador do Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sng18LQ_AKI/AAAAAAAAAcY/ll0HMlz_luI/s1600-h/EUCLIDES+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366098263944396962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 107px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sng18LQ_AKI/AAAAAAAAAcY/ll0HMlz_luI/s200/EUCLIDES+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;Estamos no que se estabeleceu ser “o ano Euclides da Cunha”, pelo fato de registrar o centenário de sua morte, a 15 de agosto de 1909 – mas a exemplo do que deve ser da mesma forma oficializado para os grandes nomes da literatura brasileira ‘todo ano é ano de Euclides da Cunha’. No mínimo, como justa reverência a um dos maiores intelectuais do País, um excepcional pensador a merecer olhar ,estudo e difusão mais acurados e mais abrangentes, porquanto poucos como ele,em seu tempo, dedicaram-se tanto à reflexão e interpretação do Brasil ,inclusive sob diversas lentes – da literária à política ,da artística à sociológica – em algumas delas manifestando-se um verdadeiro pioneiro,anunciador,prenunciador e antecipador de muitas questões hoje existentes e debatidas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Euclides da Cunha : político,ecopolítico,etnopolítico&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Euclides da Cunha -- não um, mas muitos e múltiplos Euclides da Cunha : matemático,politécnico,engenheiro, geólogo e geógrafo autodidata e prático; positivista,cientificista,evolucionista - socialista ; jornalista,articulista,ensaísta, escritor, poeta – sobretudo pensador e intelectual; na obra, a literatura,a ciência,a história,a filosofia, e ainda a geografia,a geologia,a botânica, a engenharia, a técnica ; propugnador do primado da ciência e das “elites dotadas”- mas empenhado nas questões sociais; ardoroso republicano, desapontado,desiludido, cáustico crítico depois; Euclides dos primeiros tempos,Euclides de Canudos,Euclides de São José do Rio Pardo\Vale do Paraíba,Euclides da Amazônia; Euclides político,Euclides ecopolítico,Euclides etnopolítico,Euclides geopolítico.Acima de tudo, um brasileiro de primeiríssima linha na história cultural, política, social – até mesmo ideológica -- do País.&lt;br /&gt;Construiu uma obra eclética em conteúdo, temática e variedade genética, e brilhante em forma,estilo e escrita , aliando a excelência de sua linguagem ,seu vocabulário apurado, sua sintaxe precisa ,à ‘riqueza’ da observação,compreensão e perfeita interpretação dos elementos sociais e da condição humana do brasileiro,seus dramas e vicissitudes,aspirações e necessidades : a par das questões políticas, a questão social inscreve-se no pensamento euclidiano como um dos componentes, ou constituintes, mais intensos e atuantes.&lt;br /&gt;Uma ‘existência múltipla’,digamos assim, que tem política e filosoficamente suas origem e base no binômio positivismo (então ideologia prevalente sobretudo nas camadas sociais mais elevadas e entre a intelectualidade) -cientificismo (emprestado do ‘darwinismo social’, buscando encontrar leis de organização da sociedade brasileira )– cultuado a partir da Escola Militar e praticado na sua crença devota na República -- e detém seus corolário e conclusão no socialismo – sob um processo de geração de outros níveis de consciência -- ecopolítica e etnopolítica - a partir de Canudos e em seguida de São José do Rio Pardo\Vale do Paraíba e da Amazônia , três basilares vetores, ou vivências, de inflexão em sua vida intelectual e profissional. Na trajetória, um primeiro Euclides ardoroso,doutrinário, propagandista, devotado à República e crente no futuro; depois, desiludido, desalentado, cético com o regime e os políticos ; em seguida, estarrecido com o que testemunhara em Canudos e profundamente reflexivo e revisionista ; por fim, ao mesmo tempo extasiado e preocupado com a Amazônia, “um paraíso perdido”, “deslumbrante palco onde mais cedo ou mais tarde se há de concentrar a civilização do globo”. Em todos eles um Euclides lúcido,consciente, empenhado em formular rumos e destinos para o País, um Euclides pioneiro e precursor no trato de questões absolutamente atuais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;a política em Euclides&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;A política desde cedo exerceu irresistível atração em Euclides , sua biografia e sua bibliografia se confundem com a própria história social e política brasileira do final do século XIX e início do século XX. Como ser político, preocupava-se e envolvia-se com tudo – não apenas a ordem institucional, o regime político, mas com o homem brasileiro, o habitante do litoral ,do interior,do sertão e da Amazônia, com o povo , com a história e geografia brasileiras e sul-americanas, com o Brasil como nação, com a nacionalidade (cuja definição exata constituía, a seu ver, “nossa missão”).Euclides tratou de política sob as mais variadas formas e expressões ,entre artigos publicados originalmente em jornais ( A Província de S. Paulo - origem de O Estado de S. Paulo,onde publicou a maioria de seus artigos - Democracia, O Paiz, Jornal do Commercio,Revista Brasileira, O Rio Pardo,Kosmos,Revista Americana), textos e ensaios integrados às coletâneas Contrastes e confrontos(1907), À margem da história(1909), Peru vs. Bolívia(1907) e até na poesia – haja vista os poemas dedicados a Danton,Marat,Robespierre e Saint-Just, líderes jacobinos da Revolução Francesa -- bem como em conferências , como “Castro Alves e seu tempo”(1907), em cartas a amigos e correligionários, nas marcantes correspondências com o sogro Sólon Ribeiro, e especificamente quando de sua vivência (1898-1901) em São José do Rio Pardo , no programa do jornal O Proletário(1899) e o manifesto trabalhista de 1º. de maio de 1899 .&lt;br /&gt;O propagandismo republicano que engendrou e praticou --pelo menos até a metade da década de 1890 - era para Euclides antes e acima de tudo propagandismo científico, irrevogavelmente convicto da superioridade da ciência sobre todas as demais formas do saber. Propugnava pelos ideais de uma sociedade humanitária, justa,democrática, moderna e civilizada – seu projeto de “Pátria humana”,como resultado possível e desejável do progresso material e científico engendrado no século XIX, a intensificar-se no século XX -- conjugando o industrialismo com a edificação de uma sociedade progressista e justa , convictamente entusiasta do “curso irresistível do movimento industrial”,para ele a lídima consumação do liberalismo econômico,indissoluvelmente acoplado ao liberalismo social que sustentava com tanta ênfase.&lt;br /&gt;Havia em Euclides essencialmente uma espécie de romantismo libertário, combustível de sua crença política na República—acima mesmo de interesses pessoais --ou no republicanismo , como o único meio de o Brasil vir a ser uma Nação desenvolvida e moderna e o único modelo de organização política e social verdadeiramente democrático por eliminar privilégios e permitir ascensões e inclusões sociais .A posterior desilusão com a República foi muito mais e antes de tudo o desalento com o fracasso do ideário de liberalismo social e a certeza da não-consecução do projeto político-ideológico-científico. Talvez na sensibilização anos depois, com as teses socialistas visse nelas o suporte ideológico -- não propriamente o socialismo per se -- que propiciasse a realização daquele ideário humanitário e de justiça social. .&lt;br /&gt;Passou da militância pela República à descrença com os rumos do novo regime , o distanciamento gradativamente se revelando na seqüência de artigos -- nos quais criticava de forma aguda quer o militarismo dos primeiros governos, quer o liberalismo artificial de uma Constituição que as elites civis violentavam por meio de fraudes e manipulações eleitorais : o Estado, ‘tomado’ e manipulado ostensivamente pelas oligarquias políticas e econômicas, o arrivismo financeiro desenfreado pelos especuladores, o empresariado e cafeicultores valendo-se acintosamente dos recursos públicos, deputados e senadores valendo-se da distribuição de cargos e sinecuras para familiares,amigos,protegidos e cabos eleitorais -- em diversas cartas,a primeira ao pai , em junho de 1890 -- expressando sua avaliação de que o país estava entrando em um "desmoralizado regime da especulação,em que se pensava em tudo, menos na Pátria"(muito de seu desalento vinha também do Encilhamento e sua “orgia especulativa ,e a ambição fiduciária dos sequiosos das rendas de novos cargos”) – depois ao sogro,major (à época) Sólon Ribeiro, em 1895 – dizendo que “a situação é justamente de espertos,daí o grande desânimo que me atinge.(...) Às vezes creio que a nossa Republica atravessa os piores dias” , lamentando “esse descalabro assustador, ante essa tristíssima ruinaria de ideais longamente acalentados (...), a República agora paraíso dos medíocres, nela o triunfo das mediocridades e preferência dos atributos inferiores." O que mais o inconformava era o desvirtuamento dos ideais republicanos – ao fundo e na essência, não custa reiterar, a frustração no que tange às proposições inerentes ao liberalismo social.&lt;br /&gt;O idealismo republicano , diluído ao longo dos anos subseqüentes , veio a radicalizar-se na elaboração de Os sertões.Na essência, as críticas traziam implícita a revisão de algumas de suas próprias posições políticas, marcadas originariamente pela adesão a um conjunto de crenças científicas e filosóficas materializadas no movimento republicano, mas que foram paulatinamente, a par dos desmandos praticados no novo regime, se incorporando a um processo de conhecimento e consciência inerentes a sua vivência em Canudos – testemunha ocular e física dos cenários de miséria,opressão, violência, injustiça social -- e depois em São José do Rio Pardo, quando e onde entrou em contato com um movimento ideológico – de resto já grassando em partes do mundo e entre muitos intelectuais brasileiros -- então emergente na cidade.&lt;br /&gt;Não pode deixar de se considerar, dentro do espectro ideológico euclidiano, a questão do socialismo, assumido explicitamente a partir de 1899 – mas convém saber que já por volta de 1894 entregara-se com fervor aos estudos brasileiros e interesse pelas ideologias renovadoras que já encontravam eco no Brasil republicano,entre políticos,intelectuais e literatos. Euclides efetivamente se achegou ao grupo socialista de São José do Rio Pardo – é certo,por exemplo,que elaborou junto com o amigo Francisco Escobar o programa de O Proletário ,órgão do “Clube Internacional Os Filhos do Trabalho”,bem como o expressivo manifesto trabalhista de 1º. de maio de 1899 -- mas não há provas efetivas e concretas de ter sido propriamente um militante ativo.Por outro lado, há de se ter em vista que mensagens ou discursos de teor socialista estão explicitamente presente nos artigos por ele publicados em 1º. de maio de 1892 e 1º. de maio de 1904 – este, intitulado “Um velho problema” -- ambos em O Estado de S. Paulo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;a ecopolítica em Euclides&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De olhar voltado prioritariamente para o interior do país , Euclides da Cunha foi rigorosamente o primeiro intelectual brasileiro a cultivar e externar preocupações com o meio ambiente, inclusive fazendo da ecologia um tema político, um item de propostas de ação política, em que registra,observa e critica os embates entre uma civilização, para ele ainda improvisada, com a natureza do país , lançando as bases, inéditas no país , avançadas ao extremo em seu tempo e antecipadoras dos conceito e elementos do desenvolvimento sustentável , na permanente preocupação euclidiana no conciliar progresso com a preservação ambiental.&lt;br /&gt;Ainda com 18 anos,lavrava um protesto em seu primeiro trabalho no jornal O Democrata de 4 abril 1884 –pequeno jornal dos alunos do colégio Aquino,onde estudava desde 1883, no qual inclusive foi aluno de Benjamin Constant,professor de matemática,que iria em 1886 reencontrar na Escola Militar e nele insuflar os ardores republicanos ; no artigo, externando o interesse e apreço pela natureza que estaria presente em toda sua obra,ao lado de descrever em viagem de bonde para o colégio as maravilhas do cenário natural que descortinava,as matas e florestas da cidade do Rio de Janeiro, criticava o progresso representado pela estrada de ferro que degradava a natureza : “(...)Ah ! Tachem-me muito embora de antiprogressista e anticivilizador, mas clamarei sempre e sempre: - o progresso envelhece a natureza, cada linha do trem de ferro é uma ruga e longe não vem o tempo em que ela, sem seiva, minada, morrerá! E a humanidade, não será dos céus que há de partir o grande "Basta" (botem b grande) que ponha fim a essa comédia lacrimosa(...)Tudo isto me revolta ,me revolta vendo a cidade dominar a floresta,a sarjeta dominar a flor”.&lt;br /&gt;Os sertões eram vistos por Euclides com um olhar mais amplo,abrangente e profundo que o de um geógrafo puro, mais do que de um simples geólogo, muito mais que de qualquer antropólogo : desenha,disseca e ‘interpreta’ o cenário dos sertões, descrevendo com rigorosa exatidão as formação, estrutura e nuances geológicas e climáticas da região – a “terra ignota” – e a partir daí, compõe sua reflexão sobre a seca , a incapacidade geral do país em resolver o problema – de um lado, evocando exemplos bem-sucedidos de soluções corretoras dos efeitos das secas adotada por outros países (“a exploração científica da terra,coisa vulgaríssima hoje em todos os países, é uma preliminar obrigatória do nosso progresso”) ; em diversos escritos propõe soluções técnicas, dessa ordem, para a questão no Brasil : se é capaz de criar desertos, o homem poderia também extingui-los – de outro, denunciando a utilização política da seca que tem servido para “a retórica de congressos e conferências,para projetos mirabolantes,para justificar uma burocracia voraz, perfeitamente digna de salvar o Nordeste nas esquinas da Avenida [assim] O Brasil não resolve seu grande problema,que não é apenas administrativo porque é igualmente moral,social e político”.&lt;br /&gt;Depois, nos textos “Fazedores de Desertos”, publicado originalmente em 1901,em O Estado de S. Paulo, e “Entre as Ruínas”, em O Paiz,1904 ( cuja primeira versão, sob o título “Viajando” , é de 1903, em O Estado de S. Paulo– ‘credita’ ao próprio avanço humano o efeito maléfico na vegetação, nos recursos hídricos, nos solos, no clima, provocado pelas queimadas numa agricultura ainda com métodos herdados do período colonial . Como na maioria de seus textos sobre o tema, Euclides confronta riquezas passadas e farturas naturais com uma realidade arruinada -- “temos sido um agente geológico nefasto e um elemento de antagonismo terrivelmente bárbaro da própria natureza que nos rodeia” – explica,algo didaticamente, o processo de agricultura itinerante que ia tornando a terra cada vez mais desabrigada e pobre,e evoca a história ao atribuir a devastação florestal,como um ciclo desde os primórdios, ao indígena brasileiro , continuada pelo colonizador,feito um “terrível fazedor de desertos”, fosse o garimpeiro, “atacando a terra nas explorações mineiras a céu aberto, esterilizando-a com o lastro das grupiaras,retalhando-a a pontaços de aluvião” ou lavrador,“eliminando, a partir do mau ensinamento aborígene [a queimada] as grandes extensões de matas e florestas e aviltando o clima”, tornados ambos herdeiros de um modelo nefasto de uso da terra, agravando-o a ponto de esterilizar sua fertilidade e tornar a paisagem uma ruína só, de natureza e de pessoas,inclusive desencadeando fenômenos climáticos e geológicos na formação de desertos e do regime das secas – as quais dissecaria como ninguém ao dedicar-se ao sertão.Euclides contestava um modelo “peculiar e oportunista” de desenvolvimento, que “povoa despovoando”, “não multiplica as energias nacionais, desloca-as”, fazendo “ avançamentos que não são um progresso, indoao acaso, nesse seguir o sulco das derribadas, deixando atrás um espantalho de civilização tacanha nas cidades decaídas circundadas de fazendas velhas”.&lt;br /&gt;Ninguém antes de Euclides dedicou-se com tanta ênfase, profundidade e , em especial , pioneirismo,à Amazônia : foi o primeiro dos literatos brasileiros a conhecê-la in loco e a retratar ,dramaticamente, aquele “paraíso perdido” e despertar,em textos ‘reivindicantes, vingadores’, o conhecimento e a discussão dos gritantes problemas que afligiam(afligem) a região – segundo ele um outro Brasil,aliás um novo Brasil .Sob o escopo de seu projeto de integração nacional, a Amazônia seria o destino inevitável dos contingentes saídos de outras regiões por adversidades climáticas,geológicas,geográficas e especialmente sociais e econômicas,constituindo-se na “mais dilatada diretriz de expansão de nosso território”, e para seus olhos embevecidos o “deslumbrante palco onde mais cedo ou mais tarde se há de concentrar a civilização do globo” – daí vindo a ser um dia objeto de cobiça estrangeira, vítima do expansionismo e ambições territoriais das potências mundiais (“a expansão imperialista das grandes potências é um fato de crescimento... e a conquista dos povos é uma simples variante da conquista de mercados”), o que exigia, sustentava Euclides, imediata e eficaz ação por parte das autoridades e do Poder Público para completas defesa e integração da região.Na Amazônia, por Euclides, a ecopolítica recebe novas lentes : o olhar euclidiano sobre a região e seu ‘destino no Brasil e no mundo’ envereda e lança as primeiras luzes para a geopolítica,rigorosamente nos moldes,diga-se, dos mais atuais e importantes debates .&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;a etnopolítica em Euclides&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;A etnia brasileira foi um dos temas que mais mobilizaram Euclides para a formulação de reflexões sobre a nacionalidade, per se um tópico já excepcionalmente preponderante em seu arcabouço intelectual .No capítulo “O homem”,de Os sertões, por exemplo, expôs analiticamente as origens do homem americano, a formação social do sertanejo,e em especial os “malefícios da mestiçagem”: numa espécie de teoria étnica fatalista , admitia a história brasileira ter sido construída por meio do choque entre etnias e culturas condenadas ao desaparecimento -- rigorosamente de acordo, diga-se, com as teorias do sociólogo austríaco Ludwig Gumplowicz ( que,sabemos, foi um dos pilares filosóficos ,ao lado de Spencer, do pensamento evolucionista de Euclides) e sua teoria de a História guiada pelo conflito entre raças a resultar,conforme as ‘leis’ do evolucionismo, no esmagamento inevitável dos fracos pelos fortes.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que reitera a falta de “integridade étnica” do brasileiro,&lt;br /&gt;Euclides não julgava possível um único tipo étnico no Brasil -- “não temos unidade de raça,não a termos nunca; até porque nenhum país a tem igualmente, por toda parte os cruzamentos sucessivos impediram a conservação do tipo primitivo” – posteriormente, sob o revisionismo pungente que elaborou, passou a ter o sertanejo, segundo ele, um tipo étnico-social diferenciado , como o único elemento de esperança de constituir no Brasil uma população homogênea , porquanto “as vicissitudes históricas o libertaram,na fase delicadíssima de sua formação,das exigências desproporcionais de uma cultura de empréstimo”.&lt;br /&gt;Neste particular, Euclides obedecia à crença na inferioridade dos não-brancos -- mas com uma nuance : enaltecia o sertanejo que detinha vantagens sobre o mulato litorâneo por força de seu isolamento que propiciara evolução racial e cultural mais estável – “o sertanejo é antes de tudo um forte, não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral”. Observa Euclides que “ao invés da inversão extravagante, que se observa nas cidades do litoral, onde funções altamente complexas se impõem a órgãos mal constituídos, comprimindo-os e atrofiando-os antes do pleno desenvolvimento - nos sertões, a integridade orgânica do mestiço desponta inteiriça e robusta, imune de estranhas mesclas, capaz de evoluir, diferenciando-se, acomodando-se a novos e mais altos destinos, porque é a sol ida base física do desenvolvimento moral ulterior."&lt;br /&gt;O sertanejo,no desenho literário-antropológico que construiu, era o resultado da convergência e interação , formando uma ‘sub-raça superior’ (sic) , entre a bravura indígena e a ousadia dos bandeirantes paulistas ,com seu “destino histórico de assaltar o deserto (...)cruzados destemerosos a desencadear a atividade arroteadora e valorizadora dos espaços interiores do território,integrando-os (...)”Na verdade, Euclides edificou a imagem do homem do sertão como um ser autêntico, enraizado na terra, dotado de cultura e evolução próprias e autônomas , capaz inclusive de criar o brasileiro do futuro – como “rocha viva da nacionalidade”.&lt;br /&gt;A rigor, as concepções e considerações étnicas de Euclides acoplam-se, interagem e se intertextualizam com seus conceitos de civilização e o “movimento civilizador” que preconizava – ou processo civilizatório para o qual a República teria sido um decisivo passo. Desde seus primeiros textos,com efeito, o termo e o conceito de “civilização” aparecem uma força histórica e como uma lei natural, até porque inerentes ao ideário positivista e evolucionista, a civilização como o modelo de desenvolvimento para a humanidade. : “a civilização é o corolário mais próximo da atividade humana sobre o mundo; (...) o seu curso, como está, é fatal, inexorável” . Via-a como instrumento de luta intelectual pela construção de uma identidade nacional, que se queria livre de fórmulas invasoras: “Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;nos muitos Euclides, um só&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;O certo é que permeando e perpassando todas as fases e estágios de sua vida e todas as linhas e entrelinhas de seus escritos,depoimentos e palavras , mais do que matemático,engenheiro,geólogo,geógrafo,historiador,jornalista,articulista,&lt;br /&gt;ensaísta, em especial, um pioneiro no que tange a questões ligadas à ecopolítica, e à etnopolítica no Brasil , prevalece o Euclides pensador ,um intelectual empenhado,permanentemente, na reflexão e formulação de propostas para fazer do Brasil uma nação moderna e afinada com a civilização.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-1281617712597909155?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/1281617712597909155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=1281617712597909155&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1281617712597909155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1281617712597909155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/08/os-muitos-euclides-da-cunhapensador-do.html' title='os muitos Euclides da Cunha,pensador do Brasil'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sng18LQ_AKI/AAAAAAAAAcY/ll0HMlz_luI/s72-c/EUCLIDES+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-4430551339724742364</id><published>2009-07-19T16:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-19T16:45:52.816-07:00</updated><title type='text'>salve o 19 de julho !</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SmOwFYNYp3I/AAAAAAAAAcA/yggc376DJOw/s1600-h/futebol+Portinari.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360321587945449330" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SmOwFYNYp3I/AAAAAAAAAcA/yggc376DJOw/s200/futebol+Portinari.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;julho, 19 : dia do futebol .e como dele trataram literatos&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O futebol , os literatos e duas cidades&lt;br /&gt;no Rio de Janeiro...&lt;br /&gt;O futebol, todos sabemos, surgiu no limiar do século XX no Rio de Janeiro como “uma grande novidade”, mas por ser esporte de origem inglesa logo cairia no gosto das rodas elegantes da cidade ( que na época cultivavam quase que exclusivamente o remo ) — e de imediato, por suas próprias características , despertaria paixões acirradas, não apenas entre torcedores e admiradores dos clubes então formados ( Payssandu Cricket Club, Fluminense Foot-Ball Club, The Bangu Athletic Club, etc ).Justamente por ter vindo da “Old Albion” (assim era chamada a Inglaterra, ‘ na intimidade’, pelas elites ) , em seus primeiros anos na cidade o futebol teve um caráter restrito, praticado preponderantemente por jovens ricos e bem-nascidos — mas já no final da década de 1910 alcançava uma popularidade nunca vista. João do Rio foi o primeiro cronista a detectar a importância do jogo para a cidade , assinando com o pseudônimo de José Antonio José (um de seus ‘disfarces’ jornalísticos : com esse nome, escreveu por exemplo Memórias de um rato de hotel) uma crônica intitulada “Pall Mall Rio – Foot-ball” em O Paiz de 4 de setembro de 1916, onde vaticinava :“Tenho assistido a meetings colossais em diversos países, mergulhei no povo de diversos países, nessas grandes festas da saúde, da força e do ar. Mas absolutamente nunca eu vi o fogo , o entusiasmo, a ebriez da multidão assim”.&lt;br /&gt;Na esteira de João do Rio, impressionados com a avassaladora popularidade do futebol, os intelectuais , e notadamente os escritores, se entregaram à tentação e ao desafio de interpretá-lo — e dentre eles um logo se notabilizou como o maior dos adeptos, o mais vibrante entusiasta do novo esporte, tornando-se em pouco tempo grande ideólogo do jogo, mergulhando obstinadamente na defesa apaixonada das vantagens de sua dissiminação : Coelho Neto. A atração que o futebol logo exerceu sobre ele manifestou-se já em seu romance Esfinge, publicado em 1908 por Lello &amp;amp; Irmãos, do Porto, em que o personagem James Marian, um inglês hóspede da pensão de miss Barkley, tinha o hábito de “aos domingos, sair cedo com seu material de tênis e com roupa para o foot-ball”. E o futebol passaria a ser, a partir daí, tema omnipresente não só nas crônicas e discursos mas também -- e principalmente -- na vida pessoal de Coelho Neto.&lt;br /&gt;Sócio do Fluminense, entregou-se cada vez mais à paixão -- pelo esporte e pelo clube. Tanta que, em sua casa , assegura Humberto de Campos em Diário secreto , vol. I (edições O Cruzeiro, 1954) ,falava-se à mesa “muito de esporte e pouco de literatura” ; tamanha paixão que chegava a assistir , no mesmo dia, quatro jogos diferentes do Fluminense, pois tinha filhos jogando em cada uma das categorias que o clube disputava ; tamanha, que o levou a liderar a primeira invasão de campo do futebol carioca, inconformado com o juiz que marcara um pênalti a favor do Flamengo num movimentado Fla-Flu no campo da rua Paissandu, e que acabou provocando a anulação do jogo .&lt;br /&gt;Tamanha paixão que em 1915 escreveu a letra do primeiro hino do Fluminense [ “O Fluminense é um crisol / onde apuramos a energia / ao pleno ar, ao claro sol / lutando em justas de alegria / o nosso esforço se congraça / em torno do ideal viril / de avigorar a nossa raça / do nosso Brasil ...]&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy; ,onde fica evidente e bem mais nítida a campanha que ele começava a mover a favor do futebol , verdadeira fonte de energia a ser colocada a serviço do ideal nobre de regeneração da raça brasileira, “um meio de criar uma ‘nova raça’ contra uma malfadada herança cultural”. Vale observar que literatos outros, como Afrânio Peixoto -- para quem o futebol estaria “reformando, senão refazendo o caráter do Brasil ” (em “A educação nacional”, no livro Poeira de estrada, ed. Francisco Alves, 1918) -- Olavo Bilac,contagiados pelo entusiasmo e a vibração dos escritos de Coelho Neto, também entregaram-se à difusão desses ideais de culto ao corpo e defesa acalorada do esporte como ‘fator de regeneração racial’ .&lt;br /&gt;No futebol, Coelho Neto via “enormes vantagens sociais” &amp;shy;&amp;shy;, ajudando a criar uma sociedade na qual os homens , qual os esportistas, fossem adestrados pelo exercício físico, criando um tempo de paz e de harmonia e abrindo o peito para valores nobres de confraternização e integração social”. E os jogadores do Fluminense, para ele, assumiam a feição de verdadeiros missionários de uma causa nobre : propagando os princípios da disciplina e da solidariedade, os atletas dariam ao país grande exemplo, ajudando a consolidar o potencial transformador do futebol .Gerando harmonia e solidariedade entre os homens, controlando seus impulsos e moldando seus corpos e suas mentes na construção de um ideal de pátria, o futebol seria a força propulsora de uma nação forte e vigorosa e os jogadores representantes dessa nova nação que se erguia dos campos.&lt;br /&gt;Mas teriam de enfrentar, do outro lado , a acirrada oposição de ninguém menos do que Lima Barreto, de pronto alinhada entre “os tantos inimigos que pela imprensa o combatem” e que logo passou a fazer do futebol um de seus temas prediletos nas páginas da imprensa carioca. Com espaço e reconhecimento já assegurados nos círculos literários , com três romances e uma infinidade de crônicas, Lima inaugurou seus ataques em 15 de agosto de 1918 no artigo “Sobre o Foot-ball” no jornal Brás Cubas :&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;Diabo ! A cousa é assim tão séria ? Pois um divertimento é capaz de inspirar um período tão gravemente apaixonado a um escritor ?&lt;br /&gt;(...) Reatei a leitura, dizendo cá com os meus botões : isto é exceção, pois não acredito que um jogo de bola e sobretudo jogado com os pés, seja capaz de inspirar paixões e ódios. Mas , não senhor ! A cousa era a sério e o narrador da partida, mais adiante, já falava em armas ...&lt;br /&gt;Não conheço os antecedentes da questão ; não quero mesmo conhecê-los ; mas não vá acontecer que simples disputas de um inocente divertimento causem tamanhas desinteligências entre as partes que venham a envolver os neutros ou mesmo os indiferentes, como eu, que sou carioca, mas não entendo nada de foot-ball."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lima atentava , desde o princípio, para a força social do jogo : longe de ser um mero passatempo sem sentido, era capaz de inspirar “paixões e ódios” — e o futebol adquiria para ele uma seriedade ímpar, que o obrigaria como ‘crítico de costumes’ a dedicar-se profundamente ao novo fenômeno. Transformando-se no paladino do combate ao jogo de bola, Lima elegeria justamente Coelho Neto como o principal adversário . Iniciou-se então um acirrado confronto pelas páginas da imprensa carioca , logo depois de mais um empolgante discurso de Neto, por ocasião da inauguração da piscina do Fluminense em 1919 — discurso que para Lima parecia um verdadeiro pecado, manifestado na crônica “Histrião ou literato” , na Revista Contemporânea, de 15 de fevereiro de 1919 :&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;O senhor Neto esqueceu-se da dignidade do seu nome, da grandeza da sua missão de homem de letras, para ir discursar em semelhante futilidade..&lt;br /&gt;Os literatos, os grandes, sempre souberam morrer de fome, mas não rebaixaram a sua arte para simples prazer dos ricos. Os que sabiam alguma coisa de letras e tal faziam, eram os histriões; e estes nunca se sentaram nas sociedades sábias&lt;/em&gt; . “&lt;br /&gt;Lima Barreto acusava Coelho Neto de fazer “somente brindes de sobremesa para satisfação dos ricaços “, e sustentava que a simpatia de Neto pelo futebol seria mero oportunismo, um meio de agradar às ricas famílias , vindo de “um homem que não entende sequer a alma de uma criada negra”. A partir daí, Lima aumentaria nos meses seguintes a quantidade e intensidade dos ataques, passando no entanto a por vezes valer-se de fina ironia , como nos artigos “Vantagens do foot-ball” e “ Uma partida de foot-ball”, escritos para a revista Careta, respectivamente de 19 de junho de 1919 e 4 de outubro de 1919. Dos artigos , agressivos ou irônicos, de Lima Barreto surge a imagem de um jogo brutal e sem sentido, totalmente diferente do elemento de regeneração social preconizado por Coelho Neto , para desespero da imprensa carioca, quase toda ela empenhada em prestigiar o futebol — com raríssimas exceções como, por exemplo, a do jornalista e escritor Carlos Sussekind de Mendonça, que incorporou-se à luta de Lima Barreto contra o futebol, que ele considerava entre outros aspectos “micróbio de corrupção e imbecilidade”, “estrangeirismo estéril e inútil”. Propunha sobretudo combater , de todas as formas, a “nefasta defesa do futebol” feita por intelectuais e escritores — rejeitando, inclusive, qualquer teoria de que “o esporte possa manter alguma relação com a razão e o intelecto” — e denunciar as “verdadeiras atrocidades,até dentro dos próprios clubs” promovidas pelo futebol : como Lima Barreto, enfatizava o “blefe de regeneração social” contido no futebol e os malefícios “físicos, sanitários,sociais e culturais” de sua disseminação “que só pode ser bocado de feitiçaria” em campos “onde se apinham centenas de ociosos assistindo inertes, a transpirar, os vinte e dois heróis de maxambona ou caixa pregos” .Em 1921, então editor do jornal A Época, do Rio de Janeiro, Sussekind de Mendonça teve seu livro O sport está deseducando a mocidade brasileira publicado (Empresa Brasil Editorial, Rio de Janeiro),com o subtítulo “dedicado a Lima Barreto”, hoje obra raríssima.Lima Barreto viria a publicamente agradecer e fazer comentários ao livro de Sussekind no artigo“Como resposta”,em Careta, a 8 de abril de 1922.&lt;br /&gt;Ainda em 1919, crescente sua oposição ao futebol , Lima Barreto passa a contar com a solidariedade de outros adversários do jogo :junto com ele, o dr. Mário de Lima Valverde — quem, cerca de dois meses antes ,discorrera para Lima sobre os malefícios à saúde provocados pela prática de futebol — o jornalista Antonio Noronha Santos e o “homem de letras” Coelho Cavalcanti resolvem criar, em março de 1919, uma “Liga Contra o Futebol”, cuja constituição é discretamente anunciada em pequena nota na edição do Rio-Jornal de 12 de março.&lt;br /&gt;As aludidas “verdadeiras atrocidades promovidas pelo futebol”, eram denunciadas por Lima Barreto — como na crônica intitulada “Divertimento?”, publicada na revista Careta em 04 de dezembro de 1920,em que destacava os inúmeros conflitos e constantes brigas ocorridos nos campos, com tumultos e batalhas entre torcidas diferentes, registradas nos jornais diários a cada segunda-feira, culminando com o tiroteio num jogo entre o Metropolitano e o São Paulo e Rio em 18 de dezembro de 1920 — como atestados de que, mais do que casos isolados, seriam “ o fim próprio e natural do jogo”, como sustenta no artigo “Uma conferência esportiva”, na revista Careta de 1 de janeiro de 1921.&lt;br /&gt;Por trás da contestação estava muito mais do que uma questão literária ou mera contestação do papel de redenção social que Coelho Neto atribuía ao futebol : Lima via nele um fator de degeneração da cultura e da política nacional, pois patrocinava uma injusta e gritante diferenciação social e regional, como declarou em entrevista ao Rio-Jornal em 13 de março de 1919 :“ – &lt;em&gt;Está aí, uma grande desvantagem social do nosso foot-ball. Nos dias em que, para maior felicidade dos homens, todos os pensadores procuram apagar essas diferenças acidentais entre eles, no intuito de obter um mútuo e profundo entendimento entre as várias partes da humanidade, o jogo do ponta-pé propaga sua separação e o governo o subvenciona&lt;/em&gt; ."&lt;br /&gt;Lima criticava os “favores e favorezinhos “ que os clubes de futebol recebiam do governo para “criar distinções idiotas e anti-sociais entre os brasileiros , e longe de tal jogo contribuir para o congraçamento, para uma mais forte coesão moral entre as divisões políticas da União, separa-as” : segundo ele, os clubes de futebol seriam “portadores de uma pretensão absurda, de classe, de raça, etc “. Isso porque os defensores do futebol, ainda Coelho Neto à frente, sustentavam ser “um sport que só pode ser praticado por pessoas da mesma educação e cultivo “ (jornal Sports, de 6 de agosto de 1915 ) e reclamavam “que alguns jogadores não tinham o nível social de há uns anos atrás” (Jornal do Brasil, de 3 de maio de 1920).&lt;br /&gt;Porém, não eram apenas econômicas e sociais as distinções combatidas por Lima Barreto , mas também raciais, vedando aos negros participação nos grandes clubes de futebol : em 1921 quando o próprio presidente Epitácio Pessoa proíbe jogadores negros de fazerem parte do selecionado que ia à Argentina disputar um campeonato, Lima foi duro nas críticas , publicando no mesmo dia 1 de outubro de 1921 dois artigos — “O meu conselho” e “Bendito foot-ball” — no jornal A . B. C., onde afirma que “&lt;em&gt;quando não havia foot-ball, a gente de cor podia ir representar o Brasil em qualquer parte” e aponta o caráter nocivo do futebol para o país.“ É o fardo do homem branco : surrar os negros, a fim de trabalharem para ele. O foot-ball não é assim : não surra, mas humilha, não explora, mas injuria e come as dízimas que os negros pagam&lt;/em&gt; .”&lt;br /&gt;Vendo nos sócios dos grandes clubes os herdeiros dos antigos senhores de escravos, Lima enxerga no futebol “uma das formas de continuação da dominação exercida durante décadas pelo regime escravista, onde se troca a violência pela humilhação de quem paga impostos para sustentar, com subvenções oficiais, um jogo ao qual não tem acesso”, o futebol aparece nos textos de Lima Barreto como “ um poderoso instrumento de domínio utilizado por uma raça que se julga eleita por Deus graças às suas habilidades nos pés ; como a escravidão, sua única finalidade é criar uma separação idiota entre os brasileiros, perpetuando as desigualdades e continuando um passado de diferenciação e segregação” (artigo “O nosso esporte”, publicado no jornal A . B. C., de 26 de agosto de 1922 ).&lt;br /&gt;Direta ou indiretamente, não há dúvida de que os literatos como Coelho Neto e Lima Barreto e suas polêmicas alimentavam um processo que anos depois faria do futebol , como o é hoje , uma verdadeira instituição nacional. A dinâmica da transformação do jogo em fenômeno nacional — com suas implicações sociológicas, políticas e culturais — no entanto, foi muito menos compreendida por Coelho Neto do que por Lima Barreto, que indignado com o fato de “indivíduos que não davam para nada “ serem transformados em verdadeiros “heróis nacionais”, refutava no último artigo escrito antes de morrer ( “O herói”, para a revista Careta de 18 de novembro de 1922 ) a lógica que fazia desses “pobres esforçados, que nada fazem para o benefício comum, injustas ‘glórias do Brasil’”.&lt;br /&gt;A realidade incontestável é que o futebol continuou – e continua -- ao longo do tempo, sua meteórica ascensão e disseminação entre todas as camadas e estratos, como ‘força esportiva’, ‘força social’, ‘força cultural’. Seguiu sua trajetória eletrizando todas as camadas sociais e sensibilizando escritores, artistas e intelectuais — de Graciliano Ramos, que o repudiava ("Futebol não pega, tenho certeza; estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho", em 1919), a Orígenes Lessa ,Fernando Sabino, que o inseriram em contos ; de Gilberto Freyre ,um entusiasta de primeira linha, que incluiu o futebol em muitos de seus escritos, a Mario Filho – autor do memorável O negro no futebol brasileiro – e chegando ao auge da paixão futebolística ‘a serviço’ da literatura, nela integralmente enfronhada e estigmatizada, em José Lins do Rego e Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;... e em São Paulo&lt;br /&gt;Na esteira e na órbita do pioneirismo que sempre caracterizou a cidade ,São Paulo foi ‘o berço do futebol no Brasil”, a primeira cidade a organizá-lo e disseminá-lo em campos oficiais, pelas ruas e pelos terrenos baldios.Principalmente por causa dos imigrantes europeus,sobretudo ingleses,que — também no Rio de Janeiro — contribuíram para a disseminação dos esportes em geral e para fundação de clubes esportivos, a princípio de cricket (e depois, de futebol).&lt;br /&gt;Foi um paulistano de berço que introduziu o futebol no Brasil: Charles Miller, descendente de ingleses e escoceses , nascido no Brás, aos 9 anos seguiu para a Inglaterra com a finalidade de estudar , e lá, aprendeu - e bem - a jogar futebol. No ano de 1894, retornando de seus estudos na Inglaterra, trouxe na bagagem uma bola de futebol e começou então a catequizar seus companheiros de trabalho e de críquete - altos funcionários da Companhia de Gás, do Banco de Londres e Ferrovia São Paulo Railway, fundando em 1888 o primeiro clube de futebol do Brasil, o São Paulo Athletic, clube que congregava os britânicos residentes em São Paulo.&lt;br /&gt;Nenhuma cidade brasileira como São Paulo apresenta tamanha precocidade na introdução do futebol : já no final do século XIX era praticado em clubes, empresas (de capital inglês) e escolas; em 1896, por exemplo, o velódromo da família Prado, na Consolação, foi reformado para abrigar partidas de futebol ; em 1902 a cidade organiza o primeiro campeonato de futebol do país — a primeira partida de futebol realizada no Brasil, dentro das regras oficialmente estabelecidas na Inglaterra em 1863, aconteceu na Várzea do Carmo, entre as equipes inglesas São Paulo Railway e The São Paulo Gaz, em 14 de abril de 1895 (jogo ganho pela primeira por 4 x 2); e o primeiro clube de futebol formado essencialmente por brasileiros foi o Mackenzie College, criado em 1898.&lt;br /&gt;Em 1899 são fundados primeiro o S.C. Internacional, e quinze dias depois o S.C. Germânia. Em 1900, pode-se dizer, nasceu a verdadeira organização do futebol paulistano quando chegou, de volta de seus estudos na Suíça, o jovem Antonio Casimiro da Costa, que começou a lutar para a constituição de uma Liga dos clubes já existentes, e pela organização de um campeonato . Neste mesmo ano deu-se a fundação do Clube Atlético Paulistano ; e em 1904 apareceu a Associação Atlética das Palmeiras — que até 1915 foi constituída por doutorandos, engenheiros e futuros advogados. Isso porque o futebol era o coqueluche da mocidade estudiosa de São Paulo, no início do século : quase que se limitava aos estudantes naquele tempo, quase todos filhos de famílias abastadas ; a verdadeira diversão domingueira da alta sociedade paulistana, não se compreendia então um acadêmico de direito sem ser integrante de um dos clubes já existentes. A classe dominava abertamente no Paulistano, Palmeiras, Mackenzie e Internacional : muitos rapazes, grandes craques do início do século, foram e são homens públicos, cientistas, diplomatas, jurisconsultos e engenheiros famosos. [ Tornaram-se os ídolos máximos desse geração Rubens Sales e Arthur Friedenreich, este considerado o primeiro craque do futebol brasileiro ( e autor do primeiro gol da seleção nacional, em 1914).Em 1920 o futebol já dominava a cidade inteira e Palestra Itália, Paulistano e Corinthians formavam o “trio de ferro” dividindo entre si a preferência quase geral.Memorável entre todos os fatos esportivos, foi a excursão do Paulistano à Europa em 1925—que propiciou o poema “E a Europa curvou-se ante o Brasil “ de Oswald de Andrade ].&lt;br /&gt;Estudiosos sugerem duas hipóteses para tentar explicar a razão pela qual São Paulo — que já contavamdesde o início com um espaço específico, o velódromo da Consolação — antecede o Rio de Janeiro na adoção do futebol : primeiro, o Rio já possuía um esporte de relativa popularidade, o remo, que o futebol somente conseguiu destronar por volta de 1910; segundo, por causa da índole de modernidade paulistana embrião da metrópole frenética que naquele momento melhores condições possuía para assimilar inovações, e dentre elas o futebol. E São Paulo foi a primeira cidade a atrair grandes multidões aos campos,o futebol, como prática popular de entretenimento, se insere na própria formação da classe operária paulistana, como elemento de sua cultura : certamente, o grande número de imigrantes e operários contribuiu para a rápida popularização do futebol em São Paulo.&lt;br /&gt;Mas, de acordo com interpretações históricas, um dos proeminentes vetores da popularização do jogo de futebol, tanto no Rio como em São Paulo, teria sido resultado direto da intervenção dos patrões, das autoridades, do Poder Público — no Rio, como contraposição à capoeira, já prática proibida; em São Paulo, como antídoto contra as greves : a emergência e fortalecimento do movimento operário por volta de 1917 ‘revelou’ ao governo e aos empresários que a cidade precisava de “um esporte de massas”(sic); os operários seriam então ‘mandados a jogar futebol’, para o que os patrões “deveriam construir grounds”. O futebol seria assim um eficiente instrumento ‘disciplinador’ utilizado e patrocinado pelos industriais “para ordenar os trabalhadores e dinamizar a produção”, “um ensinamento de disciplina e de harmonia” — o esporte sendo muito mais uma imposição ou uma ‘dádiva’, muito menos prazer e desejo e iniciativa de quem o praticava.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, em São Paulo os campos de futebol se constituíram em importante elemento na caracterização das vilas operárias , que eram “espaços de ordenação”: o futebol ajudava a manter o operário num “espaço de ordem e disciplina, livre do caos e da desordem” e proporcionava aos trabalhadores “o relaxamento necessário para depois produzirem mais e melhor...”.&lt;br /&gt;Em São Paulo, o Poder Público isentava os campos de impostos, os industriais construíam grounds — e a polícia deixava de reprimir os “rachas” em terrenos baldios : já era bastante difundida e rotineira a prática do jogo nas várzeas e terrenos baldios.&lt;br /&gt;Naquele ano de 1902 em que os paulistas organizam o primeiro campeonato de futebol no Brasil surgiram os primeiros campos de várzea, que logo se espalham pelos bairros operário; já em 1908/1910 a várzea paulistana congregava vários e concorridos campeonatos, de forma que São Paulo não é apenas pioneira nacional no futebol "oficial", mas também (e sobretudo) no "futebol popular".&lt;br /&gt;E é na cidade que, não por acaso, surge em 1910 aquele que, dentre os grandes clubes do futebol brasileiro, foi o primeiro a se formar a partir de uma base popular: o Sport Clube Corinthians Paulista .&lt;br /&gt;Um mais abrangente pano de fundo histórico registra que, pela a necessidade de um reordenamento geral de todo o contexto social, o futebol passou a ser considerado como parte do processo modernizador e o desenvolvimento de práticas esportivas considerado uma forma de atenuar as tensões políticas.Caracterizado já nas décadas de 1930/40 como um fenômeno popular e de massa, o futebol,assim como as atividades esportivas em geral, já era visto pelas elites governantes como um componente fundamental a ser atingido numa “cruzada disciplinadora”, correspondendo a um movimento cultural e político mais amplo, envolvendo tanto os interesses de disciplina social do Estado quanto a produção de uma identidade nacional (expressa e reforçada, por exemplo, pela participação da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1938 ).&lt;br /&gt;Nacionalismo e autoritarismo constituíam-se em eixos fundamentais tanto na prática política quanto na obra de vários intelectuais brasileiros. Para estes, a República até então não havia sido capaz de forjar uma verdadeira nação, já que, entre outros motivos, os particularismos regionais ainda eram dominantes. Assim, para os setores que exerciam o domínio político no país, uma tarefa urgente se impunha: construir a nação brasileira. Para tal, o futebol, com sua extraordinária adesão popular, foi sem dúvida um excepcional instrumento [Nesse particular, por exemplo, a construção de estádios de futebol passou a constituir prioridade para sua disseminação e arregimentação de massas populares : em abril de 1940 foi aberto ao público,em São Paulo, o Estádio Municipal do Pacaembu, “de linhas tão imponentes quanto harmoniosas , maravilhosa obra coletiva que encarna plenamente a modernidade paulistana”, com o qual nasceu uma das principais tradições políticas do futebol brasileiro: a construção generalizada de estádios com recursos públicos ] .&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os intelectuais entram em campo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Embora por volta de 1905 o futebol ainda fosse desconhecido para a ampla maioria dos brasileiros, em São Paulo já atraía grande interesse popular — tanto que até Monteiro Lobato, então acadêmico de direito, que numa carta a Godofredo Rangel, em 11.07.1904,escrevia : "(...)E cá estou de novo em São Paulo, mas ainda atribulado. Mudei-me para um quarto de frente na rua Araújo 26, com um lampião de rua bem junto à minha janela. Tenho luz de graça. E defronte há uma vizinha janeleira que já piscou. Em vez de namorá-la, meti-me no futebol - "Palmeiras". Joguei vários dias seguidos e fiquei mais derreado que com as léguas do sertão. Estou cheio de pisaduras e dodóis. Isto deve ser o que na "Vida Intensa" o Th. Roosevelt quer. O futebol empolgou-me de alma e corpo; escrevo crônicas de futebol e jogo. Diz o Tito que é mania - e diz-lhe o Raul: "Jacques, tu es un âne". Seja como fôr, asseguro-te que o futebol apaixona e contunde".O mesmo Lobato de um discurso fervoroso em 1905 após assistir a jogos entre paulistanos e ingleses: "(...) Essa luta tinha para a população de São Paulo um significado moral dez vezes maior do que a eleição para um presidente do Estado (...) O último goal do Paulistano provocou a maior tempestade de aplausos jamais conhecida em São Paulo (...) É desta espécie de homens que precisamos. Menos doutores, menos parasitas, menos bajuladores, e mais struggle-for-life. Mais homens, mais nervos, mais corpúsculos vermelhos, para que um Camilo Castelo Branco não possa repetir que ele tem sangue corrompido nas veias e farinha de mandioca nos ossos".&lt;br /&gt;Apesar disso, não conseguia suscitar grandes paixões que extrapolassem o âmbito esportivo Intelectuais e escritores -- caso de Amadeu Amaral, Sylvio Floreal, Hilário Tácito --apenas esparsa e timidamente o registravam em seus escritos : quando muito admitiam e exaltavam a plasticidade do jogo, a elasticidade das jogadas, a empolgação dos que praticam e assistem as partidas . Mais tarde, já pelo final da década de 1910 e início de 1920 — no Rio de Janeiro ,o futebol visto como instrumento de ‘modernização pretendida pela República’, com as adesões entusiasmadas de Coelho Neto, Olavo Bilac e Afrânio Peixoto ,e a oposição ferrenha de Lima Barreto — em São Paulo dava-se a dedicação documental-historiográfica de Antonio Figueiredo e Leopoldo Santana , um relativo envolvimento de Menotti Del Picchia (registrando-o em poemas, no roteiro do primeiro filme do cinema brasileiro sobre futebol, “Campeão de futebol” homenageando Friedenreich, na frase “o Corinthians é um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade”) referências de Cassiano Ricardo, a simpatia de Raul Bopp (em artigo sobre o “élan magnético” que o atraía para o futebol), e sobretudo o ‘fervor’ de Alcântara Machado (não só pelo famoso conto “Corinthians (2) vs. Palestra(1)”,mas por uma relação direta com a difusão dos esportes no Brasil, fundador da primeira Liga Atlética Acadêmica do Brasil, “uma entidade poliesportiva devotada à propaganda, à prática e ao apoio de todas as formas de cultura física, vista como chave para se entrar na vida moderna propriamente dita”),o completo envolvimento de Francisco Rebolo (artista plástico e jogador de futebol , e um dos pioneiros na luta pela incorporação do negro no futebol brasileiro), a motivação de Candido Portinari ( em duas séries de trabalhos “Futebol em Brodósqui”), dos artistas Rodolfo Chambelland , André Lhote , Antônio Gomide . Tudo, no entanto, sem aquela empolgação --até mesmo de cunho filosófico e ideológico, como no Rio de Janeiro — que a cidade de São Paulo, pioneira na introdução do futebol no Brasil, na fundação dos clubes especificamente de futebol , na prática generalizada e popular do futebol,merecia.&lt;br /&gt;Inclusive recebendo, por outro lado , de Mário de Andrade e Oswald de Andrade crítica e repúdio (mas em ambos amenizando-se ao longo do tempo, muito mais em Oswald do que em Mário, sem nunca alcançar o engajamento empolgado...) . Mario o via como “uma moda fútil entre tantas que aportam da Europa” em Paulicéia desvairada, “uma praga” em Macunaíma, não deixa de realçar a violência e o teor elitista do futebol “permeado de expressões estrangeiras” - a la Lima Barreto- em algumas crônicas, embora em 1939 acentue a transformação verificada em torno do futebol, o processo de apropriação pela identidade da nação chegando a adquirir um caráter antropofágico onde se afirmava a capacidade brasileira de deglutição, bem como de assimilação das influências estrangeiras e de sua transformação em expressões genuinamente nacionais. Oswald referiu-se com uma certa simpatia (mais irônica) nos versos do poema “E a Europa curvou-se ante o Brasil”, em que refere-se à excursão do Paulistano à Europa,em 1925, e em “Bungalow das rosas e dos pontapés”, sarcástico sobre a violência do futebol; embora sempre combatesse o futebol, como veículo de “alienação”, mais tarde iria referir-se, num artigo de jornal, como “um fenômeno da modernidade de fundamento religioso, ao lado dos festivais de cinema e da política” ; e ligou-se a Mario Filho e a Candido Portinari justamente por causa do futebol...&lt;br /&gt;Também o escritor e jornalista paulista, Antônio de Godói, a princípio interessado pelo futebol — em 17 agosto de 1918, no Correio Paulistano, com o pseudônimo de Egas Muniz, na seção “Naipe de Paus”, comentando um jogo realizado em São Paulo, saudara “oxalá que o entusiasmo desses moços não se esmoreça, que continue com o mesmo fervor, constituindo assim núcleos para o desenvolvimento da nossa mocidade tão indispensável para a nossa vida” — em artigo de 22 de dezembro de 1920 já considera o futebol moda que haveria de passar , uma coisa “brutal, perigosa, intolerável”, não merecendo outro qualificativo semelhante exercício “em que a inteligente moderação e o irônico predomínio do espírito” desapareciam para dar lugar a “uma simples exibição de força muscular, a um delírio de corridas, de encontrões, de pontapés e de tombos”. Em nome do bom gosto, continuava, “esse esporte devia ser repelido como nocivo à integridade física da geração que despontava”.&lt;br /&gt;O futebol ,posteriormente, encontrou acolhida em muitos contos de João Antonio, Ignácio de Loyolla Brandão ; ‘receptividade’ em escritos de Sergio Milliet, de Sergio Buarque de Holanda, Paulo Emilio Salles Gomes. Sobretudo em Anatol Rosenfeld, ‘o irrequieto escritor’ que em fins da década de 1930 auto-exilou-se no Brasil devido às perseguições sofridas na Alemanha hitlerista e aqui deu continuidade a sua vasta produção intelectual, escrevendo contos, poesias e crônicas, além de opinar sobre arte, sobre o pensamento europeu, sobre teatro, imprensa, rádio, filosofia, política ,antropologia — e sobre o futebol : no texto “O futebol no Brasil”, publicado originalmente em alemão no Anuário do Instituto Hans Staden em 1956, comenta sua introdução no país, preocupou-se em analisar os elementos sócio-econômicos do futebol, da ascensão das massas aos componentes típicos dos jogos de bola - o torcedor, o ídolo, o clube, explicando ao público germânico que em terras brasileiras, (...) entre os negros, mulatos e brancos pobres, havia um grande número de jogadores de primeira classe, seja porque os ajudava o talento natural, seja porque a ´sucção de subida´ e o remoinho das chances do futebol os envolvia e canalizava, seja porque eles não eram estudantes de medicina ou direito e freqüentemente não tinham uma profissão, podiam lançar toda a sua paixão no jogo; em suma, porque levavam o jogo a sério e ´não tinham nada a perder´. (...) Dar pontapés numa bola era um ato de emancipação(...)”.&lt;br /&gt;Intelectuais paulistanos , paulistas e migrantes/radicados — como Décio de Almeida Prado, Nicolau Sevcenko, Waldenir Caldas, José Sérgio Leite Lopes, Francisco Costa, Luiz Henrique de Toledo , Fátima Martin Rodrigues Ferreira Antunes — que se dispuseram a buscar uma compreensão do futebol construíram “uma percepção do esporte como uma ágil e poderosa forma de expressão do caráter nacional; uma codificação positivista da estrutura social brasileira: o indivíduo, valendo-se de características muito peculiares, sobressairia-se a quaisquer empecilhos à sua sobrevivência e/ou ao relacionamento social, e assim alcançaria o sucesso e aceitação coletiva”.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;futebol e modernistas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Relevante é observar especificamente o ‘relacionamento’ dos intelectuais modernistas com o futebol , recebido de modo diametralmente oposto na primeira, na segunda e na terceira fase (assim Afrânio Coutinho caracterizava o ciclo modernista) : o fenômeno futebolístico no Brasil dos anos de 1920 passando muito ao largo das preocupações missionárias dos primeiros, o esporte visto como “subproduto de importação, a adoção de mais um artigo de luxo , com sua linguagem integralmente inglesa e seu vestuário britânico desconhecido , provindo de uma matriz européia transplantada por uma elite anglófila e francófila, ávida por novidades e exotismos, típico da dependência cultural brasileira”; depois, já na década de 1930, o futebol interpretado sob a questão da representatividade nacional , uma forma de se chegar às suas concepções sobre a brasilidade; e no decênio seguinte , entrando em cena os regionalistas oriundos do Nordeste —Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge de Lima, Olívio Montenegro, a maioria já radicada no Rio de Janeiro — a interpretação modernista colocando o futebol também no terreno da cultura popular, retomando o projeto modernista de construção de símbolos nacionais,que a música popular e o folclore já haviam tornado possíveis e que, naquele momento, por meio de uma ‘brasilidade esportiva’, o futebol também facultava.&lt;br /&gt;O modernismo pareceu à primeira vista lidar com certa cautela e muitas reservas, casos de Mario de Andrade e Oswald de Andrade – quando não, com explícita antipatia, como foi o caso de Graciliano Ramos – diante do crescente e contagiante processo de popularização de um esporte de origem e teor eminentemente europeus. Mas a tradução e a decodificação sofrida pelo futebol ao longo das décadas de 1920, 1930 e 1940, metamorfoseando-se de esporte elitista estrangeiro em esporte nacional-popular, possibilitou aos escritores modernistas da segunda fase uma paulatina alteração no enfoque do fenômeno, ainda que não de uma maneira unânime e consensual.&lt;br /&gt;Como mencionado, a relação dos esportes com a identidade da nação tornara-se decisiva , acionando a idéia de “uma unidade nacional que tinha a seleção brasileira como uma das instâncias principais de representação simbólica”, coincidindo com um projeto de configuração do Estado-nação de Getulio Vargas E em consonância com a noção de antropofagia desenvolvida por Oswald de Andrade em seu manifesto de 1928, Gilberto Freyre identificou no futebol um exemplo indubitável da capacidade do brasileiro de transplantar, de assimilar e de reinterpretar os inúmeros produtos que historicamente vinham importados e impingidos da Europa.&lt;br /&gt;Impõe-se, de resto, a especulação reflexiva sobre duas instâncias do mesmo núcleo de questão: primeira, por que o futebol em São Paulo, a cidade natal do introdutor do futebol no Brasil, a cidade onde fundou-se o primeiro clube de futebol do País, onde realizou-se o primeiro campeonato organizado de futebol, a cidade berço do ‘futebol de rua, de terreno baldio’ , a cidade que produziu o primeiro “craque”do futebol brasileiro, não teve já em seus primórdios ,por parte de seus intelectuais ,a mesma acolhida entusiástica como, por exemplo, a de um Coelho Neto, Olavo Bilac, Afrânio Peixoto no Rio de Janeiro? E depois, como avaliar o comportamento dos modernistas — da “primeira, segunda e terceira fases” (cf. Afrânio Coutinho) — com relação ao futebol ? entende-se que os modernistas da primeira fase tenham visto no futebol, em seu início de implantação no Brasil, um elemento elitista, “burguês e estrangeirista, alheado dos aspectos considerados essenciais e originais da cultura brasileira” — mas por que, depois da avassaladora popularização do futebol, transformado a partir da década de 1930 (o ano de 1938 como taxativo ponto de inflexão) em ‘símbolo de identidade nacional’, não se engajaram em sua aceitação, com o entusiasmo esperado, como elemento essencialmente ligado a seus ideais de nacionalidade , ou pelo menos não o encararam devidamente como um instrumento para chegar às suas concepções sobre a brasilidade ,a exemplo do que tinham feito ao acolher, por exemplo, o folclore e a música popular ; o futebol tinha tudo para cair nas graças também dos modernistas da primeira fase (mais além dos registros de Alcântara, Menotti, Bopp,Cassiano) lado a lado com os da segunda fase (os do nordeste) e da terceira fase , e mesmo dos ‘pós-modernistas’ — mas deu-se apenas na simpatia de ordem plástico-estética de Mario de Andrade e na contestação de cunho ideológico de Oswald de Andrade... Oswald de Andrade ainda combatia a popularidade do futebol no Brasil, sob o tema da “alienação”, o “futebol como ópio do povo”, já levantado por Lima Barreto e Graciliano Ramos, elegendo para este confronto de idéias José Lins do Rego (reprisando o espírito de polêmica de Lima Barreto x Coelho Neto).&lt;br /&gt;Prossegue o futebol -- e prosseguirá será ad eternum-- sempre provocando prazer e dor, polêmicas e alegrias,brigas, tumultos, conflitos, prazer,tristeza, paixões e ódios — nos campos, nos estádios, nos gramados, nas arquibancadas,nos terrenos baldios, nas várzeas, nos corações e mentes de todo o País.&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;* a primeira parte deste texto integra a obra do autor “Lima Barreto e o futebol : um Fla-Flu das Letras com Coelho Neto” – a publicar(s.ed.) – e a segunda parte insere-se no projeto de livro “Futebol, a cidade e os intelectuais de São Paulo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-4430551339724742364?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/4430551339724742364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=4430551339724742364&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4430551339724742364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4430551339724742364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/07/salve-o-19-de-julho.html' title='salve o 19 de julho !'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SmOwFYNYp3I/AAAAAAAAAcA/yggc376DJOw/s72-c/futebol+Portinari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-3700651875836716584</id><published>2009-05-13T15:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T15:09:46.877-07:00</updated><title type='text'>“nasci no 13 de maio ,por isso sou assim ,negro e marginalizado(...)”</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SgtFE4zyyUI/AAAAAAAAAb4/l74b2Ep92zQ/s1600-h/Lima+Barreto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335434133821901122" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 79px; CURSOR: hand; HEIGHT: 122px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SgtFE4zyyUI/AAAAAAAAAb4/l74b2Ep92zQ/s200/Lima+Barreto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;a bem da justiça e da riqueza cultural de um país que se pretende civilizado, o Brasil não deve deixar de comemorar o nascimento, em 13 de maio,dia , de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos – que não chegou a ser um virtuose, mas produziu pelo menos três dos maiores romances da literatura nacional , um número significativo de pequenas obras-primas do conto e um conjunto excepcional de crônicas que representam um retrato da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil como nenhum outro construiu em seu tempo; além de memoráveis obras de sátira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São de Afonso Henriques de Lima Barreto (13.05.1881/01.11.1922) os três romances ímpares – &lt;em&gt;Recordações do escrivão Isaias Caminha&lt;/em&gt; (1909)-- no ano presente, centenário de sua publicação em livro -- &lt;em&gt;Triste fim de Policarpo Quaresma&lt;/em&gt; (1911), &lt;em&gt;Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá &lt;/em&gt;(1919); saíram de sua pena muitas obras-primas contísticas-- como “O homem que sabia javanês”, “A nova Califórnia”, “A sombra do Romariz”, “O moleque”, “O número da sepultura”, “A biblioteca”, a série (quase inédita) “contos argelinos”, um conjunto (também semi-inédito) ‘contos políticos’ -- e as vigorosas crônicas publicadas em inúmeros jornais e revistas -- abrigadas nas coletâneas póstumas&lt;em&gt; Bagatelas&lt;/em&gt; (1923),&lt;em&gt;Feiras e mafuás&lt;/em&gt; (1953), &lt;em&gt;Marginalia&lt;/em&gt; (1953),&lt;em&gt;Vida urbana&lt;/em&gt; (1953) ; além de duas marcantes novelas --&lt;em&gt;Numa e a ninfa&lt;/em&gt; (1915) ; &lt;em&gt;Clara dos Anjos&lt;/em&gt;(1948) -- memoráveis obras de sátira – &lt;em&gt;Aventuras do dr. Bogoloff&lt;/em&gt; (1912), &lt;em&gt;Os Bruzundangas&lt;/em&gt; (1922) e &lt;em&gt;Coisas do Reino de Jambon&lt;/em&gt; (1952) – memorialística -- &lt;em&gt;Diário íntimo&lt;/em&gt; (1953) e &lt;em&gt;O cemitério dos vivos&lt;/em&gt; (1953) -- e de crítica literária --&lt;em&gt;Impressões de leitura&lt;/em&gt; (1953).&lt;br /&gt;Tanto na ficção quanto na obra não-ficcional, virtuose não podia ser, porquanto a par de outros aspectos — um deles, criticado que foi por alguns (incautos) por força de um “estilo desleixado” e um texto “cheio de erros gramaticais”(sic) — era conscientemente praticante de uma escrita diferenciada de seus pares, até porque ele mesmo diferenciado literária,ideológica e socialmente de seus contemporâneos. Seus textos são exemplos de relações e interações entre modos tradicionais de narrar e as especificidades da escrita moderna : com seu estilo simples, direto e objetivo, que feria o convencionalismo literário da época, impregnado de falsas concepções estéticas, floreios , etc ,impôs os prenúncios do Modernismo logo a seguir irrompante na cultura brasileira, cujos primeiros elementos e formas apareceram justamente pela linguagem típica da escrita barretiana -- tanto que foi reverenciado, à época, pelos modernistas e hoje consagrado como um renovador (revolucionário) e autêntico formulador da linguagem literária brasileira que atravessou o século XX e tem sua expressão contemporânea no que se faz hoje na ficção urbana.&lt;br /&gt;A problemática existencial de Lima Barreto, marcada sobretudo pela origem negra e pobre e por dramas familiares, enfim pela marginalidade, formaram, sedimentaram e conduziram sem dúvida o espírito de intelectual combativo,engajado, consciente ,atuante, fazendo-o destoar do cenário literário de seu tempo e forjaram uma temática ficcional e uma forma literária que rompe com os cânones da escrita de então. O tom de denúncia conferido por ele à sua literatura emerge com muita intensidade e frequência em todos seus textos , seja nos romances e contos seja nas crônica --- tematizantes em sua essência da discriminação racial e social, o preconceito de cor, o vazio moral, intelectual e ético dos políticos, a ganância e a ambição, o arrivismo, o bovarismo, a miséria e a opressão social .&lt;br /&gt;Nos artigos e crônicas,nos romances e nos contos, Lima Barreto é um dos mais profícuos e instigantes analistas da realidade brasileira. Sua obra ficcional e não-ficcional desenvolvem-se em torno de cinco eixos temáticos : a política; a mulher; o cotidiano da cidade; o subúrbio; a vida literária – mas com um tema nuclear : o poder e seus efeitos discricionários — o poder visto e descrito por ele como “o variado conjunto de elementos, vetores e procedimentos encadeados no interior da sociedade, compondo grandes e pequenas cadeias, visíveis e invisíveis, tendentes a restringir e constringir o pensamento dos homens, coibindo-lhes as possibilidades de afirmação, pessoal, cultural, profissional, social, e a justa inserção social”.&lt;br /&gt;Na ficção ,poucos, na literatura brasileira – nem mesmo Machado de Assis-- criaram e apresentaram um elenco de personagens tão variado e vasto – homens e mulheres despojados pela sorte, políticos empenhados unicamente com o poder , pseudo- intelectuais abarrotados de retórica e voltados para a futilidade, militares crentes da própria infabilidade e “ignorantes das coisas da guerra”, os donos de jornais venais e corruptos, os magnatas, banqueiros, empresários, fazendeiros do café, os burocratas ,pequenos burgueses, arrivistas,charlatães,almofadinhas, melindrosas,aristocratas, gente do subúrbio, operários, artesãos, vadios, mendigos,bêbados, meliantes, prostitutas,mandriões,subempregados, artistas, coristas, alcoviteiras, funcionários, moças casadoiras, noivas, solteironas, loucos, adúlteros, agitadores, usurários, estrangeiros.Sobretudo procurando dar voz e vida aos “humilhados e ofendidos”, aos excluídos sociais ,em especial ao negro : falava sempre em escrever “a História da Escravidão Negra no Brasil e sua influência em nossa nacionalidade” – que no entanto ficou apenas no projeto ; pensou também num romance descrevendo “a vida e o trabalho dos negros numa fazenda... uma espécie de Germinal negro [ referência à famosa obra de Èmile Zola], com mais psicologia especial e maior sopro de epopéia”, sustentando que seria sua “obra-prima” com a qual introduziria na literatura brasileira uma nova escola, o “negrismo”—que não levou adiante; mas em 1903 escreveu uma peça teatral em um ato, “Os negros”, que permanece praticamente inédita [oportunamente a publicaremos neste espaço, o que se constituirá em empreendimento histórico]. Esses ideais e projetos na verdade iriam em parte consubstanciar-se no romance que começou a escrever em 1904, “Clara dos Anjos” – originado do conto com mesmo título – não concluído e que veio a ser publicado postumamente (1948) como novela inacabada : nela, expõe como tema a humilhação não apenas da mulher mas de toda a população negra do Brasil – exatamente no dia 13 de maio a mulata Clara é seduzida e deflorada por um rapaz branco que recusa casar e a abandona ...&lt;br /&gt;A Lima Barreto cabe o mérito de ter introduzido na literatura brasileira, de forma contundente,incisiva, consistente – como nem os autores do Realismo o fizeram – a temática social de modo crítico. O caráter militante de sua literatura adquire funções revolucionárias –inclusive tendo ele,ideologicamente se manifestado como um “maximalista”,que equivalia à época ser um misto de anarquista e socialista (em algumas crônicas enalteceu a Revolução Russa de 1917 e o novo regime implantado) – sua escrita combativa utiliza-se da ficção como meio de expressar os problemas sociais que enxerga na sociedade brasileira, especialmente na ordem republicana.&lt;br /&gt;A rigor e na essência, Lima Barreto sempre tratou mais de política do que qualquer outro tema: ninguém como ele, em seu tempo, escreveu tanto sobre o tema e,por extensão, sobre questões sociais . Sua ‘literatura militante’, assim por ele definida, determina o caráter marginal de sua obra ; sua visão crítica da sociedade o fez enveredar concreta e irreversivelmente no caminho da luta social; nos jornais e revistas investiu contra todos os signos do poder, nos textos ficcionais denunciou as profundas injustiças da sociedade brasileira. As colaborações para revistas e jornais ‘alternativos’ da época, oposicionistas -- O Debate, O Careta, A Lanterna,&lt;br /&gt;Rio-Jornal,A .B . C., Hoje -- constituem o conjunto de maior teor explícito de crítica política e social aos problemas do País e à República, da qual se fez opositor irascível e irreversível, implacável e demolidor : utilizando os recursos da sátira, da ironia, da caricatura, da crítica contundente, desmontou todo o esquema de sustentação do regime republicano recém-implantado. Crítico intransigente dos presidentes republicanos, da intervenção dos militares na política , de formas de governo autoritário e ultracentralizado ,de todo e qualquer tipo de violência na sociedade, das ideologias intolerantes , não se cansou de causticar por toda sua obra as mazelas do governo republicano, o grau de corrupção política e econômica que empestava o regime .&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, nunca silencioso sobre seu tempo, Lima Barreto não poderia pois ficar alheio à situação da mulher na realidade social brasileira do início do século XX, época de tantas e profundas transformações na sociedade. Sempre deu à mulher espaço significativo em sua obra não-ficcional e ficcional. Retratou-a e a fez protagonista nos romances e novelas — haja visto Olga e Edgarda em Triste fim de Policarpo Quaresma; Clara e Castorina em Clara dos Anjos; Efigênia em O cemitério dos vivos; Cecília em Diário íntimo , Edgard e Ângela em Numa e a ninfa — e em contos como “Um especialista”, “O filho da Gabriela”,”Um e outro”,”Miss Edith e seu tio”,”Cló”,”Adélia”,”Lívia”,”Clara dos Anjos”,”Uma vagabunda”,”Uma conversa vulgar”,”O número da sepultura”,”Quase ela deu o sim, mas...”,”Numa e a ninfa”,”A cartomante”,”O cemitério”,”Na janela”, “A mulher do Anacleto” : em todos, as mulheres têm sempre atitudes e comportamento progressista e são superiores aos maridos.Em artigos e crônicas ,apontamentos e notas, comenta a situação da mulher perante o casamento, a moral que lhe é imposta pelos códigos sociais, o mundo da prostituição , as oportunidades educacionais e profissionais,os direitos femininos, o feminismo e o início do movimento feminista no Brasil, o voto feminino,a literatura feminina, a desigualdade de julgamento nos casos de adultério (célebres – e vigorosos -- são seus textos de protesto contra a absolvição de homens em casos de crimes de uxoricídio nos quais eram evocados o indefectível ‘legítima defesa da honra’...).&lt;br /&gt;Em outro viés, no cotidiano da cidade, estão suas tiritatibes ficcionais e não-ficcionais contra a modernização, a reforma urbana, o cinema, o carnaval e sobretudo futebol — visto por ele como ‘instrumento e meio de estrangeirismo’, de assimilação de elementos, valores e hábitos copiados em prol de uma “pretensa,falsa, artificial e detestável progresso bem a gosto desta República de bacharéis e aristocratas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais fosse por outros argumentos, mormente por motivos ideológicos, foi criticado (por vezes e por alguns ainda é) pelas “imperfeições de estilo” e pelo “tom caricatural” com que retrata seus personagens . Os exemplos de “erros gramaticais” apontados em sua obra ficcional não caracterizam necessariamente um desconhecimento das regras do escrever, e sim o que filólogos configuram como “concordância ideológica” : segundo o professor e filólogo Silva Ramos defeitos e irregularidades em Lima Barreto decorrem não de uma ‘imperícia gramatical’ mas provêm de uma escolha feita pelo autor, dentre mais de um processo de expressão,que possibilita a tradução de seu pensamento ou sentimento : não são as palavras, a ordem em que são dispostas que valem, mas as idéias que exprimem, os sentimentos que fazem vibrar. O segundo elemento, que absolutamente implica em ‘superficialidade’ , encontra resposta à altura por parte de Lucia Miguel Pereira , segundo quem Lima Barreto, assim como Machado de Assis, tem sua escrita contística caracterizada por “explorações em profundidade, suas criaturas sempre indagando a existência”.( in Prosa de ficção: de 1870 a 1920 )&lt;br /&gt;Marginalizado por suas origens e condição social, execrado por ser ‘passadista e contrário à modernização’, Lima Barreto enfrentou as marcas de seu tempo e da sociedade brasileira que lhe foi contemporânea .Seu projeto era um projeto para uma vida inteira de militância literária contra o preconceito, mas também “contra os falsos intelectuais, contra um academismo espelhado no modelo europeu, contra uma literatura só de deleite, como ornamento”. Para ele, a literatura era uma verdadeira missão – ideal expresso categoricamente no artigo “Amplius!”., publicado originalmente no primeiro número da Floreal, em 25.10.1907 , depois em A Época, em 18.02.1916, e incorporado como abertura da coletânea de contos Histórias e sonhos ), em que sentenciava : “(...)A literatura do nosso tempo (...)possa ela realizar, pela virtude da forma,(...) a comunhão dos homens de todas as raças e classes, fazendo que todos se compreendam, na infinita dor de serem homens, e se entendam sob o açoite da vida, para maiorglória e perfeição da humanidade. (...).” Conferiu à sua obra o sentido militante de uma “missão social, de contribuir para a felicidade de um povo,de uma nação, da humanidade” – conceito reflexivo de felicidade também exposto nas páginas do romance Vida e morte de M.J.Gonzaga de Sá quando o protagonista conversa com o personagem Augusto Machado :&lt;br /&gt;“(...) &lt;em&gt;Imaginas tu que Mme. Belasman, de Petr6polis, tem um grande joanete, um defeito hediondo, com o qual sobremaneira sofre ; e o operário Felismino, da Mortona, orgulha-se em possuir um filho com talento. ( ... ) à vista disso, poderás dizer que todas as damas de Petr6polis são felizes e os operários da fundição são desgraçados? Há média possível para a felicidade das classes? N6s, os modernos, nos vamos esquecendo que essas hist6rias de classe, de povos, de raças, são tipos de gabinete, fabricados para as necessidades de certos tipos de edifícios l6gicos, mas que fora deles desaparecem completamente&lt;/em&gt; ( ... )”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-3700651875836716584?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/3700651875836716584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=3700651875836716584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/3700651875836716584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/3700651875836716584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/05/nasci-no-13-de-maio-por-isso-sou-assim.html' title='“nasci no 13 de maio ,por isso sou assim ,negro e marginalizado(...)”'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SgtFE4zyyUI/AAAAAAAAAb4/l74b2Ep92zQ/s72-c/Lima+Barreto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-1076326066723063224</id><published>2009-05-06T19:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T19:28:16.700-07:00</updated><title type='text'>Machado e a crise</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SgJHNDCXVHI/AAAAAAAAAbw/R8TvgBJUz0c/s1600-h/bancodobrasil_1_1_1_1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332903198239183986" style="FLOAT: right; 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MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 62px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SfCyRevXdfI/AAAAAAAAAbY/IoFzQ6vrpz0/s200/livro+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;As considerações aqui traçadas referem-se ao livro que circula e é comercializado no denominado ‘mercado livreiro’, excluídos desse cenário de comentários e observações os livros didáticos e paradidáticos, que têm mecânica e dinâmica próprias de circulação e difusão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não se pode pensar, falar, fazer, editar e publicar __ inclusive ler __ literatura, ficcional e não-ficcional, no Brasil sem se levar em consideração o fato de que é veiculada por meio de um objeto denominado Livro. O objeto-livro circula de maneira limitada e deficitária, numa média de 2 mil exemplares (cada edição) num país de 180 milhões de habitantes. No melhor dos casos, 10 a 12 mil exemplares ( cinco ou seis edições sucessivas) circulam pelo país no correr de quinze anos, podendo o total de leitores ser calculado na base otimista de 80 a 100 mil. A proporção de 100 mil leitores para 180 milhões de habitantes é deprimente e seria erro crasso e grosseiro imaginar e desejar que um texto literário atinja diferentes camadas sociais .&lt;br /&gt;Por outro lado, constata-se por números e pela realidade do mercado que o leitor brasileiro mantém contato direto e permanente com obras estrangeiras, de quase todos os gêneros. Pesquisas e análises confirmam que o leitor brasileiro é pouco, ou quase nada, xenófobo e agrada-lhe uma certa generalidade/diversidade temática (muitos chamam de “globalismo”). Por essa ausência de xenofobia e exigência de universalismo , de um lado o livro estrangeiro tem melhor mercado que o nacional entre nós e, por outro, ainda não tivemos sucesso internacional com nossa produção — mesmo considerando primeiro José Mauro de Vasconcelos, depois Jorge Amado, e agora Paulo Coelho.&lt;br /&gt;Pode-se dizer que o livro no Brasil é um “luxo” Objeto caro, por um lado; um tanto quanto "difícil" por circular num país de analfabetos ou semi-analfabetos; marginalizado numa nação onde tudo é feito para incrementar os meios de comunicação de massa e nada para incentivar a rede de bibliotecas, prejudicado (para uns, “sabotado” mesmo) quando ameaça expandir seus horizontes e searas e arrebanhar outros leitores que não os seus 80 ou 100 mil.&lt;br /&gt;O autor não pode escolher seus leitores. Estes é que determinam que autores e obras vão escolher, comprar e ler. O escritor brasileiro faz o livro que vai ser escolhido (ou eleito) pelo leitor —e antes de mais nada terá de agradar ao gosto refinado, cosmopolita e auto-suficiente dos “incluídos e bem assentados”. O que existe é um público-leitor reduzidíssimo, ao mesmo tempo sofisticado, conservador , cosmopolita, imediatista e ‘avoado’ (o que leva os autores também a sê-lo, em seus textos,ficcionais ou não). Público-leitor que hoje vive predominantemente na grande metrópole de ritmo vertiginoso, tensa e trepidante, dedicando esse leitor muito maior aceitação, na ficção, às narrativas curtas (o conto, a crônica) e na não-ficção aos textos ligeiros, superficiais ( coletâneas de artigos antes vistos na imprensa, reportagens sucintas e incompletas, ensaios supérfluos e banais, manuais de “busca do prazer e onisciência e onipotência”) .&lt;br /&gt;O público de literatura ficcional e não-ficcional , no Brasil, é formado por camadas mais ou menos previsíveis e semelhantes de leitores, reproduzindo-se identicamente de estado para estado. Leitores que vão desde o próprio escritor, passando pelo professor e aluno universitários (o professor indica e exige a leitura do aluno), esbarrando no crítico e no resenhista , e se espraiando aleatoriamente pelos muitos que necessitam obter uma espécie de compensação, ou bálsamo, às suas frustrações, angústias, imperfeições, a seu inconformismo individual , político e social — leitores que vivem dentro do (teoricamente) bem-estar e comodidades inerentes à classe média. O Livro é, pois, objeto de classe no Brasil, e como tal dirige-se a uma determinada e mesma classe, esperando dela aplauso e reconhecimento profundos.&lt;br /&gt;Não podendo ser profissional numa sociedade em que seu produto não circula devidamente e não é rentável, em que tampouco pode crer em dispositivos estatais ou empresariais que o amparem economicamente e em que o produto estrangeiro e concorrente é adquirido com mais constância, o escritor brasileiro (claro que com raríssimas exceções, talvez só uma ou duas)dispõe apenas do que sua própria classe social lhe possibilite em termos de aceitação e vendagem de sua obra,e sobrevive apenas da remuneração de outras atividades profissionais . Auspicioso, todavia, é o fato de ser o leitor o agente decisório de uma opção pessoal, de um desejo próprio que não lhe é imposto, mesmo com uma eventual carga promocional e ‘marqueteira’ à sua volta na divulgação maciça de certas obras e certos autores.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-7297391978457479087?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/7297391978457479087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=7297391978457479087&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/7297391978457479087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/7297391978457479087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/04/livro-objeto-do-desejo-do-leitor.html' title='Livro , objeto do desejo do Leitor'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SfCyRevXdfI/AAAAAAAAAbY/IoFzQ6vrpz0/s72-c/livro+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-2689585416279579211</id><published>2009-04-20T07:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T07:43:02.474-07:00</updated><title type='text'>Machado de Assis e Tiradentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SeyJ5u-SBcI/AAAAAAAAAbI/smDRuIag2vA/s1600-h/Tiradentes+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326784084227261890" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SeyJ5u-SBcI/AAAAAAAAAbI/smDRuIag2vA/s200/Tiradentes+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Neste dia, vale a pena reportar à importante ilação que o maior nome da literatura brasileira construiu com uma das figuras primordiais da história nacional – ilação retratada em um significativo conjunto de crônicas escritas a propósito do 21 de abril&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nenhum dos escritores do século XIX admirassem, reverenciassem e cultuassem Tiradentes como Machado de Assis : um vínculo respeitoso ,que remonta à sua postura política durante a década de 1860 , pelo qual Machado investiu Tiradentes com algo semelhante “a aura cristã do martírio e sacrifício” . Só que justamente essa aura,de ‘martírio e sacrifício’, e a loa machadiana ao “homem do povo que sofrera por sua visão de um Brasil independente” foram os fatores, ou motes, determinantes ,cruciais para tornar Tiradentes um ‘símbolo republicano’ – suprema ironia : Machado de Assis, simpatizante da monarquia e crítico da República, foi quem no fundo provocou a assunção do inconfidente a ícone anti-monarquista , dele ‘apropriando-se’ o novo regime e instituindo o dia 21 de abril como feriado nacional.&lt;br /&gt;Machado fez de Tiradentes tema em várias crônicas . A começar pelos ácidos comentários críticos à edificação da estátua de d. Pedro I no Largo do Rocio (atual praça Tiradentes, no centro da cidade do Rio de Janeiro), que se constituiu em um dos maiores conflitos políticos em torno da figura do alferes : no lugar onde fora enforcado ‘o mártir’, o governo imperial erguia uma estátua ao neto da rainha que o condenara à morte ; o líder liberal mineiro Teófilo Otoni chamou a estátua de “mentira de bronze”, e Machado participou intensamente dos protestos.&lt;br /&gt;Na crônica de 1 abril de 1862, publicada no Diário do Rio de Janeiro, a propósito da festiva inauguração da estátua, Machado escreveu :&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Está inaugurada a estátua eqüestre do primeiro imperador. Os que a consideram como saldo de uma dívida nacional nadam hoje em júbilo e satisfação. Os que, inquirindo a história, negam a esse bronze o caráter de uma legítima memória, filha da vontade nacional e do dever da posteridade, esses reconhecem-se vencidos, e, como o filósofo antigo, querem apanhar mas serem ouvidos. Já é de mau agouro se à ereção de um monumento que se diz derivar dos desejos unânimes do país precedeu uma discussão renhida, acompanhada de adesões e aplausos. O historiador futuro que quiser tirar dos debates da imprensa os elementos do seu estudo da história do império, há de vacilar sobre a expressão da memória que hoje domina a praça do Rocio.&lt;br /&gt;A imprensa oficial, que parece haver arrematado para si toda a honestidade política, e que não consente aos cidadãos a discussão de uma obra que se levanta em nome da nação, caluniou a seu modo as intenções da imprensa oposicionista. Mas o país sabe o que valem as arengas pagas das colunas anônimas do Jornal do Comércio. O que é fato, é que a estátua inaugurou-se, e o bronze lá se acha no Rocio, como uma pirâmide de época civilizada, desafiando a ira dos tempos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Três anos depois, a 25 abril 1865, publicou também no Diário do Rio de Janeiro uma crônica que é uma verdadeira ode a Tiradentes , inclusive prenunciando e acabando por vir a formalizar,tempos depois, a mitificação do inconfidente – logo por Machado – e fomentar, depois de 1889, sua construção como signo da República.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em 1892, a propósito do centenário de morte de Tiradentes, Machado fez questão de marcar , o início da importante série “A Semana”, publicadas na Gazeta de Notícias de 1892 a 1900, escrevendo em tom vibrante,pungente e patriótico no dia 24 abril&lt;/span&gt; .&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um mês depois, Machado torna a referir-se ao alferes , utilizando-se do tom mais irônico que sua contumaz verve satírica poderia conceber. Na crônica de 22 maio, estampada no mesmo jornal, o sarcasmo machadiano chega a criar uma fantasia – cheia de significados -- ao construir impagável narrativa, exemplar insofismável do alegórico, acerca de um embuste imaginário.E um ano depois, a 23 abril 1893, menciona Tiradentes e sua coragem e disposição para sacrificar a vida – ainda que graciosa e bem-humoradamente .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As referências e menções a Tiradentes – como de resto os comentários e alusões feitas a diversas personalidades históricas, assim como a cobertura dos fatos políticos de sua época – constituem provas e exemplos eloqüentes do quanto Machado de Assis participava ativamente da história (política,institucional, econômica, social) e em nada – ao contrário da equivocada interpretação, que exige de uma vez por todas sua revisão – era alheio às questões de seu tempo.&lt;br /&gt;Certamente pelo uso do subterfúgio, da dissimulação, da sutileza – e do disfarce e do enigma—Machado de Assis recebeu, indevidamente, a pecha de “despolitizado”, “alienado”, “alheio às questões políticas e sociais de seu tempo”.&lt;br /&gt;Ledo e puro engano. Machado de Assis foi um crítico ‘avassalador’ da sociedade e das instituições brasileiras, e escreveu – ou a elas se referiu -- em crônicas e artigos, mesmo em contos e romances e até na poesia. , sobre política (muito) [e,para surpresa de alguns, sobre economia (em menor monta)]. Machado de Assis tinha opiniões políticas — era um monarquista liberal, não apoiava a República, repudiava Floriano Peixoto (que ,apoiado em golpe de Estado em 1891, governava com poderes autoritários, levando o País à ditadura, à censura e à guerra civil) — e por meio de sua obra é possível observar a política brasileira de sua época através do olhar literário. Raymundo Faoro (em A pirâmide e o trapézio ) sentenciou que pode-se vislumbrar toda a sociedade brasileira do século XIX na obra de Machado : tanto na não-ficção quanto na ficção, arrancou da História a própria substância de suas narrativas e textos , utilizando uma série de categorias políticas - escravidão, liberdade, golpe de Estado, censura ,aparelho policial, autocracia absolutista,totalitarismo, etc – na elaboração,em sua escritura literária, de uma crítica da ideologia brasileira e de uma teoria política avançada,que no campo dos estudos literários não foi adequadamente percebida pelos especialistas.&lt;br /&gt;As crônicas e artigos tratando de política são justamente aquelas que registram opiniões nunca expressadas por Machado com tanta clareza e coerência.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-2689585416279579211?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/2689585416279579211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=2689585416279579211&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2689585416279579211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2689585416279579211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/04/machado-de-assis-e-tiradentes.html' title='Machado de Assis e Tiradentes'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SeyJ5u-SBcI/AAAAAAAAAbI/smDRuIag2vA/s72-c/Tiradentes+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-3767782653811127272</id><published>2009-04-09T06:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T06:59:10.120-07:00</updated><title type='text'>Em tempos de Twitter</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sd3_GnvgCzI/AAAAAAAAAbA/OkrGEngJttc/s1600-h/liberdade+de+expressÃ£o+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322690823834307378" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 93px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sd3_GnvgCzI/AAAAAAAAAbA/OkrGEngJttc/s200/liberdade+de+express%C3%A3o+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;reflexo e realidade de nossa era, temos hoje cada vez mais (compulsoriamente ?) praticada,cultivada e incentivada , aí está o &lt;/em&gt;Twitter&lt;em&gt; que não me desmente nem contradiz, a chamada leitura fragmentária – que segundo seus cultores e entusiastas poderá ser, ainda assim, uma experiência prazerosa e informativa. Parte-se da premissa – ou do pressuposto – de um texto por definição e natureza, funciona de maneira diferente para cada leitor.&lt;br /&gt;então,absorva essa realidadee assuma seu papel de ...“leitor salteado”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se vc. não consegue se concentrar muito tempo numa leitura , se quando entra na internet,p. ex., abre várias telas ao mesmo tempo e muda a direção de sua atenção freqüentemente , e isso lhe preocupa\angustia : não se desespere – ‘seus problemas acabaram...’. O fato de estar divagando entre diferentes universos não é necessariamente algo ruim. Para o escritor argentino e professor de literatura de Princeton, Ricardo Piglia , trata-se apenas de um novo momento da "experiência da leitura", ou melhor uma retomada de um conceito anterior : o leitor que assume a interrupção como parte da narrativa já foi antecipado por seu conterrâneo Macedonio Fernández (1874-1952), considerado principal inspirador do grande,incomparável Jorge Luiz Borges , com o conceito de "lector salteado" -um leitor intermitente, que pula de um assunto para outro ou se dispersa facilmente.&lt;br /&gt;O conceito, criado por Macedonio nos anos 20, em um livro intitulado &lt;em&gt;Museo de la Novela de la Eterna&lt;/em&gt;, estabelece uma série de categorias de leitores,entre as quais o "lector salteado". Que é um retrato do leitor atual, que não é mais aquele que se encontra isolado, concentrado e lutando contra a interrupção, mas que entra e sai do texto, se move, interage com o que está ao redor, vai de um livro a outro ou a outros textos mais rápidos que lhe surgem pela internet. É um leitor que assume a interrupção como parte da narrativa. Macedonio captou o processo que ia se desenvolver e que levaria à fragmentação da experiência da leitura, que supõe um corte com a lógica linear da significação. Isso não seria algo negativo, a princípio, mas um novo tipo de situação de leitura.&lt;br /&gt;A professora Shirley Carreira, da Unigranrio-RJ, diz que, como o "lector salteado", o leitor contemporâneo vasculha a internet por links para textos que ampliem seu universo de leitura, "ou que possam conferir a quem lê significados mais amplos, que transcendam o texto".O professor Waldemar Ferreira Netto, da USP, que vê a si próprio como um leitor "salteado", sustenta que "o texto de ficção parece assumir o mesmo caráter do texto técnico, para o qual uma leitura linear não é bastante."O professor Biagio D'Angelo, da PUC-SP, observa que "o leitor "de" Borges é uma figura especial, disponível a saltos ficcionais incríveis, assim como o leitor "em" Borges, nesse caso um leitor que se perde em labirintos sem solução de continuidade e que reenviam de um livro ao outro, como na idéia de internet à qual estamos acostumados."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-3767782653811127272?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/3767782653811127272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=3767782653811127272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/3767782653811127272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/3767782653811127272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/04/em-tempos-de-twitter.html' title='Em tempos de Twitter'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sd3_GnvgCzI/AAAAAAAAAbA/OkrGEngJttc/s72-c/liberdade+de+express%C3%A3o+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-768078217072975512</id><published>2009-04-04T16:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-04T16:28:38.360-07:00</updated><title type='text'>Humor à carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdfsQDPP0AI/AAAAAAAAAaw/PbQKUYyuR7E/s1600-h/comÃ©dia.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320981245252849666" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 98px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdfsQDPP0AI/AAAAAAAAAaw/PbQKUYyuR7E/s200/com%C3%A9dia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;abre-se o pano da lettera brasilis - in &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.germinaliteratura.com.br/2009/lettera_brasilis_capa.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://www.germinaliteratura.com.br/2009/lettera_brasilis_capa.htm&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; : &lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;vá lá e veja,e leia, e deleite-se&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Já se disse, e a vida , também por que não a própria História, confirma isso, que nada é ao mesmo tempo mais individual, cultural e universal do que o humor. Praticado em exemplos clássicos desde a Antiguidade , pelo grego Aristofanes ou pelo latinos Plauto e Terencio, na complexa Idade Média , do saxão Chaucer e do florentino Boccacio, no profícuo Renascimento ,do espanhol Cervantes, do francês Rabelais, do inglês Shakespeare, o riso acompanha o mundo e os homens nas formas,graus e jeitos mais variados , mesmo que seja (diria eu, principalmente que seja) para a humanidade gozar dela própria e sorrir, ou satirizar, ou pilheriar, ou debochar da eterna tragédia humana.&lt;br /&gt;É preciso por outro lado ficar claro que o humor não se manifesta pela matriz básica da piada, da gargalhada,do deboche , mas se expressa por tantos matizes -- como por exemplo a irreverência, a paródia , a metáfora, a parábola, o tragicômico e o melodramático, ou a sátira política, a crítica social e comportamental -- quanto sejam adequados para retratar o ridículo,o patético . O humor, a História mais uma vez nos prova, muitas vezes é muito perigoso, inúmeros são os casos daqueles que, só para ficarmos no terreno da literatura, foram ‘retribuídos’ com prisão , ou exílio, ou desterro, ou morte : aliás, já que adentramos na seara literária, convém lembrar que o humor na literatura é feito desde que o mundo é mundo, por escritores, antigos, ocidentais, orientais, medievais, renascentistas, clássicos, modernos, contemporâneos ,pós-modernos – e até mesmo por aqueles tidos como sérios,sóbrios,sisudos,austeros, como se verá\lerá em um inusitado caso aqui. O que dizer então, nesse particular, do brasileiro,cuja proverbial natureza bem-humorada [sic] faz dele,ou fez dele, um estereótipo, aos olhos universais, da alegria em sua conceituação mais original. Verdade ou mito, o sorriso, a anedota, a ironia, o sarcasmo, a galhofa, a comicidade parece ter concedido uma espécie de ‘marca registrada’ ao nascido, ou habitante, destes trópicos – sob tal ótica, nada ‘levistraussianamente’ tristes.Embora, não nos esqueçamos, a Inglaterra seja considerada o país do humour por excelência.&lt;br /&gt;E o cômico brasileiro, assevera ainda a cartilha, atinge sua mais perfeita tradução, ou expressão, no carioca, a cidade do Rio de Janeiro erigida à capital da gargalhada nacional -- respeitadas evidentemente outras searas geográficas,e antropológicas, onde também se pratica esse ‘esporte’ pátrio(como esquecer,por exemplo, Juó Bananére e Alcântara Machado em São Paulo: Bernardo Guimarães – sim , ele – em Minas Gerais:; Ascenso Ferreira,e até Gilberto Freyre – saibam todos ! -- em Pernambuco;QorpoSanto, no Rio Grande do Sul; Gregório de Mattos – irresistível “Boca do Inferno” -- na Bahia :.Dessa matriz da irreverência , extraímos cinco autores que a seu modo e feitio,estilo e tônica, concepção e circunstâncias, exerceram e externaram o humor numa literariamente carioca forma de ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-768078217072975512?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/768078217072975512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=768078217072975512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/768078217072975512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/768078217072975512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/04/humor-carioca.html' title='Humor à carioca'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdfsQDPP0AI/AAAAAAAAAaw/PbQKUYyuR7E/s72-c/com%C3%A9dia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-2377535877574235993</id><published>2009-03-31T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:18:10.554-07:00</updated><title type='text'>Impasse no Le Monde Diplomatique Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdIJ6P_UvVI/AAAAAAAAAao/4JDlQpfgfn8/s1600-h/Alvares+A..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319325006207171922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdIJ6P_UvVI/AAAAAAAAAao/4JDlQpfgfn8/s200/Alvares+A..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Demissão coletiva ameaça afastar do projeto instituição que lançou o jornal no Brasil, e toda a equipe que assegurou sua existência e ampliação nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Antonio Martins&lt;br /&gt;Uma série de fatos inesperados, cujo desfecho ainda é incerto, marcou a edição brasileira internet de Le Monde Diplomatique, nos últimos dias. Em 24 de março, a direção do Instituto Paulo Freire (IPF) dispensou, de uma só vez, a equipe que conduziu o jornal nos dois últimos anos. Fomos demitidos, além das redatoras Carolina Gutierrez e Marília Arantes, o editor, Antonio Martins, que introduziu o jornal no Brasil, em 1999. Um dia depois, quando a informação começou a circular, abriu-se uma possibilidade de negociação.&lt;br /&gt;A demissão tem dois aspectos. O primeiro é interno ao IPF: embora traumático, está no âmbito da autonomia da instituição. O segundo implica o futuro de Le Monde Diplomatique no Brasil e, em seus desdobramentos, revelará bastante sobre os princípios e comportamento ético das instituições e pessoas envolvidas.&lt;br /&gt;Lida a cada dia por cerca de 2 mil pessoas, que acessam 7 mil textos em média, a edição internet do Diplô é produto de uma parceria institucional e uma relação de trabalho, desde janeiro de 2007, Jornais nascem por meio de acordos, mas são feitos por gente em carne e osso. Embora reúna um número crescente de colaboradores, a versão digital de Le Monde Diplomatique é animada, há pelo menos um ano e meio, pela equipe que foi integralmente demitida, em 24/3. Carolina (que começou como estagiária), Marília (que atuou quase um ano como voluntária) e eu temos sido meio mambembes, meio visionários. Em outubro de 2007, cansados de apenas traduzir textos franceses e publicar eventualmente um ou outro artigo de lavra própria, bolamos o Caderno Brasil – que logo se transformou no centro de nosso trabalho. A intenção foi criar um espaço que, mantendo o mesmo espírito crítico e busca de profundidade característicos do jornal parisiense, fosse povoado... por brasileiros. O Caderno reúne hoje cerca de uma centena de colaboradores, que publicaram perto de mil artigos. O elenco inclui intelectuais renomados e pensadores emergentes, que a mídia conservadora oculta e a própria imprensa de esquerda tantas vezes não enxerga.&lt;br /&gt;À mesma época, lançamos o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplo.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Blog da Redação&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. Alimentado desde então de forma às vezes errática (março marcou uma retomada, até o trauma do dia 24), ele visa abordar temas correntes, em que uma informação inédita, ou um ponto de vista incomum, fazem falta – e não podem esperar a elaboração de um artigo. Também precisa ser um canal para expressão dos colaboradores e dos próprios leitores ativos. Estamos trabalhando ativamente em sua reformulação, ao mesmo tempo em que apoiamos o lançamento de blogs sobre temas específicos. O &lt;/span&gt;&lt;a href="http://criseoportunidade.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;primeiro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; vê a crise do capitalismo como oportunidade para questionar o sistema sob a qual vivemos, e intenficar a construção de novas lógicas sociais e relações entre o ser humano e o ambiente. O segundo será alimentado por quatro colaboradores que vivem em Paris, estão surpresos com a efervescência política (especialmente nas universidades) e querem narrá-la.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que terá levado o Instituto Paulo Freire a demitir coletivamente a equipe que conduziu este trabalho? Questionados, os três diretores que participaram da reunião do dia 24 não apresentaram uma só razão política, editorial ou técnica. Alegaram que a Redação não se enquadrou nos métodos e normas do IPF. Neste aspecto, talvez estejam certos. Jamais aceitamos limitar nosso trabalho a um expediente das-nove-às-dezoito. Chegávamos e saíamos mais tarde; levávamos muito trabalho para casa e para a rua. Convidávamos, para dialogar e produzir conosco, pessoas não pertencentes aos quadros da instituição. Nos atrapalhávamos no preenchimento de inúmeros formulários e agendas.&lt;br /&gt;O IPF, por seu lado, transformou-se numa organização de grande porte. Tem centenas de funcionários, em todo o país. Mantém convênios e parcerias com prefeituras e governos estaduais (diversos partidos), empresas e instituições de ensino, públicas e privadas. Em minha avaliação, o espírito criativo, que suas equipes conservam, choca-se crescentemente com uma estrutura que se assemelha à industrial, marcada por horários, disciplina e hierarquia cada vez mais rígidos.Os dirigentes do Instituto têm toda autoridade para julgar que práticas como as nossas destoam – ou mesmo perturbam – sua cultura institucional. Também podem, como consequência, não nos considerar desejáveis em seu quadro de funcionários. Só não tem o direito de usar estes fatos como pretexto para se apropriar unilateralmente do Le Monde Diplomatique e do Pontão de Cultura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-2377535877574235993?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/2377535877574235993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=2377535877574235993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2377535877574235993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2377535877574235993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/impasse-no-le-monde-diplomatique-brasil.html' title='Impasse no Le Monde Diplomatique Brasil'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SdIJ6P_UvVI/AAAAAAAAAao/4JDlQpfgfn8/s72-c/Alvares+A..jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-1004402824633150279</id><published>2009-03-19T18:38:00.000-07:00</published><updated>2009-03-19T18:49:22.982-07:00</updated><title type='text'>Machado e os  fanfarrões sul-americanos(do Paraguai de ontem; da Venezuela,Bolivia,Equador, de hoje...)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/ScL1o3KW-ZI/AAAAAAAAAag/WRif8kbg9iI/s1600-h/brucutu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315080592601577874" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/ScL1o3KW-ZI/AAAAAAAAAag/WRif8kbg9iI/s200/brucutu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;24 de outubro de 1864&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Diário do Rio de Janeiro&lt;/em&gt; – Ao Acaso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                     sobre López, no Paraguai&lt;br /&gt;                     sobre “democracia americana”&lt;br /&gt;                     sobre os ‘não-direitos’ da mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há nesta boa cidade do Rio de Janeiro algum Homero disponível, é chegada a ocasião de ilustrar o seu nome, e mandar um homem à posteridade.&lt;br /&gt;Canta, ó deusa, a cólera do presidente Lopez ! O presidente Lopez não quis deixar passar esta ocasião de brilhar; conseguiu apanhá-la pelos cabelos . Era a mais propícia para trazer à tona da água os seus sentimentos de liberdade, de independência e de democracia --três vocábulos sonoros que têm conceituado muita gente, debaixo do sol.&lt;br /&gt;Dizia-se há muito que o presidente Lopez nutria pretensões monárquicas e preparava o terreno para cingir um dia a coroa paraguaia; mas S. Excia. é, antes de tudo, democrata americano; onde quer que ouça gemer a democracia americana, não hesita - pede a sua espada de Toledo, cinge o capacete de guerra e dispõe-se a ir verter o sangue em defesa da mãe comum.&lt;br /&gt;Democracia americana - naqueles climas - quer dizer: companhia de exploração dos direitos do povo e da paciência dos vizinhos. Déspotas com os seus, turbulentos com os estranhos, sem grandeza moral, sem dignidade política, incapazes, presumidos, gritadores, tais são os pretendidos democratas de Montevidéu e da Assunção.&lt;br /&gt;É uma santa coisa a democracia - não a democracia que faz viver os espertos, a democracia do papel e da palavra - mas a democracia praticada honestamente, regularmente, sinceramente. Quando ela deixa de ser sentimento para ser simplesmente forma, quando deixa de ser idéia para ser simplesmente feitio, nunca será democracia - será esperto-cracia, que é sempre o governo de todos os feitios e de todas as formas.&lt;br /&gt;A democracia, sinceramente praticada, tem os seus Gracos e os seus Franklins ; quando degenera em outra coisa tem os seus Quixotes e os seus Panças. Quixotes no sentido da bravata. Panças no sentido do grotesco. Arreia-se então a mula de um e o rocinante de outro. Cinco palmos de seda, meia dúzia de vivas, uma fila de tambores - é quanto basta então para levar o povo atrás de um fanfarrão – ao ataque de um moinho ou à defesa de uma donzela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Donzela ! Nem isto mesmo encontra agora o cavaleiro paraguaio. Aquela por quem ele vai fazer reluzir a espada ao sol, não cinge a coroa virginal. É a matrona arrancada ao sono e entregue aos afagos brutais da soldadesca. O que perdeu em viço ganhou em desenvoltura. As mãos torpes e grosseiras dos seus adoradores deram-lhe um ar desvergonhado e insolente. Tal é a heroína ameaçada, a favor de quem vai combater - com a lança em riste - o cavaleiro de la Mancha.&lt;br /&gt;Pobre heroína ! pobre cavaleiro !&lt;br /&gt;Mas o cavaleiro está de boa fé. Todo o seu desejo é o de equilibrar o Rio da Prata. Opor uma barreira às invasões imperialistas, eis o dever da um bom democrata americano, que ama deveras a liberdade e quer a independência da livre América : vinte quilômetros de baboseiras neste gosto, como se diz na comédia “Montjoye”.&lt;br /&gt;Para isto o cavaleiro paraguaio convoca as multidões, prepara as manifestações públicas, fala-lhes a linguagem da liberdade e do valor. Tudo se extasia, tudo aplaude; corre uma faísca elétrica por todos os peitos; uma centelha basta para inflamá-los; ninguém mais hesita; todos vão depor no altar da pátria o óbolo do seu dever –“os homens o seu sangue, as mulheres a sua honra” &lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5121148060136346781#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;É um delírio .&lt;br /&gt;Devem tomar-se ao sério estas demonstrações? Devemos estremecer à notícia do aspecto bélico do equilibrista paraguaio? Ninguém responderá afirmativamente. Só em Montevidéu é que ninguém ri do presidente López e do entusiasmo de Assunção. A razão é clara. Confederam-se os espertos e os impotentes para a obra comum de salvar uma democracia nominal, sem a força da dignidade nem o alento da convicção.&lt;br /&gt;Quanto aos infelizes povos, sujeitos aos caprichos de tais chefes, se devemos lamentá-los, nem por isso deixaremos de reconhecer que a Providência consente às vezes na dominação dos Lopez e dos Aguirres, como flagelos destinados a fazê-los pagar, pelo abatimento e pelo ridículo, a fraqueza de que se não sabem despir.&lt;br /&gt;O presidente Lopez - que eu continuo a recomendar a algum Homero disponível -- entra com direito nos assuntos amenos da semana.&lt;br /&gt;Foi ele, com efeito, um dos assuntos mais falados depois da chegada das últimas notícias, relativas à aproximação de forças paraguaias.&lt;br /&gt;Fora disso tivemos apenas uma preocupação : a das festas que se hão de celebrar hoje e amanhã por motivo do casamento de S. A. Imperial.&lt;br /&gt;Os augustos consortes devem chegar hoje de Petrópolis. Preparam-se festas que, além das cerimônias oficiais da Corte, constarão dos espetáculos de gala e da iluminação das casas, arcos e coretos.&lt;br /&gt;O Rocio, segundo se diz, tomará novo aspecto, diverso daquele que apresentava no dia 15. Quanto ao arco da rua Direita, que no dia 15 ainda se achava em trajes menores, trata de vestir-se aceleradamente para os dias de hoje e de amanhã.&lt;br /&gt;Só uma das festas do programa fica adiada - a ascensão do aeronauta Wells.&lt;br /&gt;Noticiei no meu folhetim passado que uma dama americana pretendia acompanhar o sr. Wells, na sua excursão ao ar. Segundo me afirmam agora, irá igualmente com o corajoso Wells uma brasileira. É uma glória que não deixarei de mencionar nestas páginas.&lt;br /&gt;Mas que farão os homens? Deixarão acaso que o sexo frágil, o sexo das cinturas quebradiças, o sexo dos desmaios, o sexo excluído da guerra, da urna, da Câmara, o sexo condenado a viver debaixo dos tetos, ao pé das crianças - deixarão acaso, pergunto eu, que este sexo apresente um tal exemplo, sem que atrás dele corra uma legião de homens?&lt;br /&gt;Faço simplesmente a pergunta.&lt;br /&gt;Prepara-se no Teatro Lírico, o Haroldo, de Verdi. Durante a semana houve apenas um espetáculo, creio eu; cantou-se o Baile de Máscaras. A representação em geral correu bem. Mereceram as honras da noite o soprano e o tenor. Quanto ao novo contralto, sem condená-la inteiramente, a opinião geral é que devem haver novas provas para um julgamento definitivo. Afigura-se-me que a artista, cuja voz está longe de ser condenada, sair-se-á bem nas provas requeridas.&lt;br /&gt;A pressa obriga-me hoje a muito pouca demora nos assuntos e nenhum cuidado no enlace necessário entre eles.&lt;br /&gt;Ainda não tive ocasião de falar de Emília das Neves, na nova peça em que atualmente representa, “Adriana Lecouvreur”. Como o objeto principal, direi mesmo exclusivo, da concorrência pública, é a eminente artista, acontece que ainda não mencionei um grande melhoramento que se observa nos espetáculos dramáticos no Teatro Lírico. Refiro-me ao vestuário e aos arranjos de cena, em que se nota sempre muita propriedade e asseio, e muitas vezes um luxo a que não andávamos acostumados.&lt;br /&gt;A representação da comédia de Scribe foi uma ocasião que tivemos de apreciar este melhoramento tão reclamado.&lt;br /&gt;Emília das Neves é uma artista julgada. (.....)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(...........)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;M.A.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5121148060136346781#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Segundo matéria do &lt;em&gt;Correio Mercantil&lt;/em&gt;, à época, assim declarou o &lt;em&gt;Seman&lt;/em&gt;ário, de Assunção&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-1004402824633150279?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/1004402824633150279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=1004402824633150279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1004402824633150279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1004402824633150279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/machado-e-os-fanfarroes-sul.html' title='Machado e os  fanfarrões sul-americanos(do Paraguai de ontem; da Venezuela,Bolivia,Equador, de hoje...)'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/ScL1o3KW-ZI/AAAAAAAAAag/WRif8kbg9iI/s72-c/brucutu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-2531797646166729621</id><published>2009-03-15T04:45:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T05:08:52.192-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbzvxpA43II/AAAAAAAAAaY/jV-y9GyONm8/s1600-h/sexualidade+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313385296492551298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 104px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbzvxpA43II/AAAAAAAAAaY/jV-y9GyONm8/s200/sexualidade+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;Pesquisa nacional revela o novo perfil do idoso brasileiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt; - leia na Folha de S.Paulo de hoje,15 março&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;então, a oportunidade é excelente para conhecer uns escritos insólitos, para dizer o mínimo, de um dos mais conceituados- sob a ótica da 'cultura bem-pensante e bem-comportada' --escritores brasileiros.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;A seguir, um dos "Contos para velhos" [o conjunto completo está in &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br,organizado/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;ww.cronopios.com.br,organizado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt; por mim]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O diabo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tinham metido tantas caraminholas na cabeça da pobre Luizinha, que a coitada, quando, às dez horas, apagava a luz, metida na cama, vendo-se no escuro, tinha tanto medo, que começava a bater os dentes... Pobre Luizinha! que medo, que medo ela tinha do diabo!&lt;br /&gt;Um dia, não pôde mais! E, no confessionário, ajoelhada diante de padre João, abriu-lhe a alma, e contou-lhe os seus sustos, e disse-lhe o medo que tinha de ver uma bela noite o diabo em pessoa entrar no seu quarto, para a atormentar...&lt;br /&gt;Padre João, acariciando o belo queixo escanhoado, refletiu um momento. Depois, olhando, com piedade a pobre pequena ajoelhada, disse gravemente:&lt;br /&gt;— Minha filha! basta ver que está assim preocupada com essa idéia, para reconhecer que realmente o Diabo anda a perseguí-la... Para o tinhoso amaldiçoado assim é que começa...&lt;br /&gt;— Ai, senhor padre! que há-de ser de mim?! tenho a certeza de que, se ele me aparecesse, eu nem forças teria para gritar...&lt;br /&gt;— Bem. filha, bem... Vejamos! costuma deixar a porta do quarto aberta?&lt;br /&gt;— Deus me livre, santo padre!&lt;br /&gt;— Pois, tem feito mal, filha, tem feito mal... Para que serve fechar a porta se o Amaldiçoado é capaz de entrar pela fechadura? Ouça o meu conselho... Precisamos saber se é realmente Ele que quer atormentá-la... Esta noite, deite-se, e reze, deixe a porta aberta... Tenha coragem ... Às vezes, é o Anjo da Guarda que inventa essas coisas, para experimentar a fé das pessoas. Deixe a porta aberta esta noite. E, amanhã, venha dizer-me o que se tiver passado...&lt;br /&gt;— Ai! senhor padre! eu terei coragem?...&lt;br /&gt;— É preciso que a tenha... é preciso que a tenha... vá... e, sobretudo, não diga nada a ninguém... não diga nada a ninguém...&lt;br /&gt;E, deitando a benção à rapariga, mandou-a embora. E ficou sozinho, sozinho, e acariciando o belo queixo escanhoado...&lt;br /&gt;E, no dia seguinte, logo de manhã cedo, já estava o padre João no confessionário, quando viu chegar a bela Luizinha. Vinha pálida e confusa, atrapalhada e medrosa. E, muito trêmula, gaguejando, começou a contar o que se passara....&lt;br /&gt;— Ah! meu padre! apaguei a vela, cobri-me toda muito bem coberta, e fiquei com um medo... com um medo... De repente, senti que alguém entrava no quarto... Meu Deus! não sei como não morri... Quem quer que fosse, veio andando devagarinho, devagarinho, devagarinho, e parou perto das cama... não sei... perdi os sentidos... e...&lt;br /&gt;— Vamos, filha, vamos...&lt;br /&gt;— ... depois quando acordei... não sei, senhor padre, não sei... era uma cousa...&lt;br /&gt;— Vamos, filha... era o Diabo?&lt;br /&gt;— Ai, senhor padre... pelo calor , parecia mesmo que eram as chamas do inferno... mas...&lt;br /&gt;— Mas o que, filha? vamos!...&lt;br /&gt;— Ai, senhor padre... mas era tão bom que até parecia&lt;/span&gt; mesmo a graça divina!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Bob&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bob, que assina os "Contos para velhos", foi o pseudônimo de que se valeu...o emérito Olavo Bilac "príncipe dos poetas brasileiros"-- quem diria, ora,direis&lt;/span&gt; ! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-2531797646166729621?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/2531797646166729621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=2531797646166729621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2531797646166729621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2531797646166729621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/pesquisa-nacional-revela-o-novo-perfil.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbzvxpA43II/AAAAAAAAAaY/jV-y9GyONm8/s72-c/sexualidade+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-2840292930864313693</id><published>2009-03-08T09:50:00.000-07:00</published><updated>2009-03-08T09:58:51.708-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbP5OMolsnI/AAAAAAAAAaQ/GLqvRXfl72c/s1600-h/aboliÃ§Ã£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310862407904899698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 116px; CURSOR: hand; HEIGHT: 87px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbP5OMolsnI/AAAAAAAAAaQ/GLqvRXfl72c/s200/aboli%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lima Barreto e a mulher - II&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Clara dos Anjos&lt;/em&gt; (a Andrade Murici)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O carteiro Joaquim dos Anjos não era homem de serestas e serenatas, mas gostava de violão e de modinhas. Ele mesmo tocava flauta,instrumento que já foi muito estimado, não o sendo tanto atualmentecomo outrora. Acreditava-se até músico, pois compunha valsas, tangose acompanhamentos para modinhas.Aprendera a "artinha" musical na terra de seu nascimento, nosarredores de Diamantina, e a sabia de cor e salteado; mas não safra daí.Pouco ambicioso em música, ele o era também nas demais manifestações de sua vida. Empregado de um advogado famoso, sempre quisera obter um modesto emprego público que lhe desse direito àaposentadoria e ao montepio, para a mulher e a filha. Conseguiraaquele de carteiro, havia quinze para vinte anos, com o qual estavamuito contente, apesar de ser trabalhoso e o ordenado ser exíguo.Logo que foi nomeado, tratou de vender as terras que tinha nolocal de seu nascimento e adquirir aquela casita de subúrbio, porpreço módico, mas, mesmo assim, o dinheiro não chegara e o restopagou ele em prestações. Agora, e mesmo há vários anos, estava deplena posse dela. Era simples a casa. Tinha dois quartos, um que davapara a sala de visitas e outro, para a de jantar. Correspondendo a umterço da largura total da casa, havia nos fundos um puxadito que eraa cozinha. Fora do corpo da casa, um barracão para banheiro, tanque,etc.; e o quintal era de superfície razoável, onde cresciam goiabeirasmaltratadas e um grande tamarineiro copado.A rua desenvolvia-se no plano e, quando chovia, encharcavaque nem um pântano; entretanto, era povoada e dela se descortinavaum lindo panorama de montanhas que pareciam cercá-la de todos oslados, embora a grande distância. Tinha boas casas a rua. Havia atéuma grande chácara de outros tempos com aquela casa característicade velhas chácaras de longa fachada, de teto acaçapado, forrada deazulejos até â metade do pé-direito, um tanto feia, é fato, sem garridice, mas casando-se perfeitamente com as anosas mangueiras, com as robustas jaqueiras e com todas aquelas grandes e velhas árvoresque, talvez, os que as plantaram, não tivessem visto frutificar.Por aqueles tempos, nessa chácara, se haviam estabelecido as"bíblias". Os seus cânticos, aos sábados, quase de hora em hora,enchiam a redondeza. O povo não os via com hostilidade, mesmoalguns humildes homens e pobres raparigas simpatizavam com eles,porque, justificavam, não eram como os padres que, para tudo,querem dinheiro.Chefiava os protestantes um americano, Mr. Sharp, homemtenaz e cheio de uma eloqüência bíblica que devia ser magnífica eminglês; mas que, no seu duvidoso português, se fazia simplesmentepitoresca. Era Sharp daquela raça curiosa de yankees que, de quandoem quando, à luz da interpretação de um ou mais versículos da Bíblia,fundam seitas cristãs, propagam-nas, encontram adeptos logo, osquais não sabem bem por que foram para a nova e qual a diferençaque há entre esta e a de que vieram.Fazia prosélitos e, quando se tratava de iniciar uma turma, osnoviços dormiam em barracas de campanha, erguidas no eirado dachácara ou entre as suas velhas árvores maltratadas e desprezadas. Ascerimônias preparatórias duravam uma semana, cheia de cânticosdivinos; e a velha propriedade, com as suas barracas e salmodias,adquiria um aspecto esquisito de convento ao ar livre de mistura comum certo ar de acampamento militar.Da redondeza, poucos eram os adeptos ortodoxos; entretanto,muitos lá iam por mera curiosidade ou para deliciar-se com a oratória de Mr. Sharp.Iam sem nenhuma repugnância, pois é próprio do nossopequeno povo fazer um extravagante amálgama de religiões ecrenças de toda sorte, e socorrer-se desta ou daquela, conforme ostranses de sua existência. Se se trata de afastar atrasos de vida, apelapara a feitiçaria; se se trata de curar uma moléstia tenaz e resistente,procura o espírita; mas não falem à nossa gente humilde em deixar debatizar o filho pelo sacerdote católico, porque não há quem não sezangue: Meu filho ficar pagão! Deus me defenda!Joaquim não fazia exceção desta regra e sua mulher, a Engrácia,ainda menos.Eram casados há quase vinte anos, mas só tinham uma filha, aClara. O carteiro era pardo claro, mas com cabelo ruim, como se diz;a mulher, porém, apesar de mais escura, tinha o cabelo liso.Na tez, a filha puxava o pai; e no cabelo, à mãe. Na estatura,ficara entre os dois. Joaquim era alto, bem alto, acima da médiaombros quadrados; a mãe, não sendo muito baixa, não alcançava amédia, possuindo uma fisionomia miúda, mas regular, o que nãoacontecia com o marido que tinha o nariz grosso, quase chato. A filha,a Clara, tinha ficado em tudo entre os dois; média deles, era bem afilha de ambos. Habituada às musicatas do pai, crescera cheia devapores das modinhas e enfumaçara a sua pequena alma de raparigapobre com os dengues e a melancolia dos descantes e cantarolas.Com dezessete anos, tanto o pai como a mãe tinham por elagrandes desvelos e cuidados. Mais depressa ia Engrácia à venda de"seu" Nascimento, buscar isto, ou aquilo, do que ela. Não que a vendade "seu" Nascimento fosse lugar de badernas; ao contrário: as pessoasque lá faziam "ponto" eram de todo o respeito.O Alípio, uma delas, era um tipo curioso de rapaz, que, conquanto pobre, não deixava de ser respeitador e bem comportado.Tinha um aspecto de galo de briga; entretanto, estava longe de possuir a ferocidade repugnante desses galos malaios de apostas, nãopossuindo - é preciso saber - nenhuma.Um outro que aparecia sempre lá era um inglês, Mr. Persons,desenhista de uma grande oficina mecânica das imediações. Quandosaía do trabalho, passava na venda, lá se sentava naqueles característicos tamboretes de abrir e fechar, e deixava-se ficar até ao anoitecerbebericando ou lendo os jornais do senhor Nascimento. Silenciosoquase taciturno, pouco conversava e implicava muito com quem otratava por mister.Havia lá também o filósofo Meneses, um velho hidrópico, quese tinha na conta de sábio, mas que não passava de um simples dentista clandestino, e dizia tolices sobre todas as cousas. Era um velho branco, simpático, com um todo de imperador romano, barbas alvase abundantes.Aparecia, às vezes, o J. Amarante, um poeta, verdadeiramentepoeta, que tivera o seu momento de celebridade em todo o Brasil, seainda não a tem; mas que, naquela época, devido ao álcool e a desgostos íntimos, era uma triste ruína de homem, apesar dos seus dezvolumes de versos, dez sucessos, com os quais todos ganharamdinheiro menos ele. Amnésico, semi-imbecilizado, não seguia umaconversa com tino e falava desconexamente. O subúrbio não sabiabem quem ele era; chamava-o muito simplesmente - o poeta.Um outro freqüentador da venda era o velho Valentim, um por-tuguês dos seus sessenta anos e pouco, que tinha o corpo curvadopara diante, devido ao hábito contraído no seu oficio de chacareiroque já devia exercer há mais de quarenta. Contava 'casos" e anedotasde sua terra, pontilhando tudo de rifões portugueses do maissaboroso pitoresco.Apesar de ser assim decente, Clara não ia à venda; mas o pai, emalguns domingos, permitia que fosse com as amigas ao cinema doMéier ou Engenho de Dentro, enquanto ele e alguns amigos ficavamem casa tocando violão, cantando modinhas e bebericando parati.Pela manhã, logo nas primeiras horas, os companheiros apareciam, tomavam café, iam em seguida para o quintal, para debaixo dotamarineiro, jogar a bisca, com o litro de cachaça ao lado; e ai, sem dar uma vista d'olhos sobre as montanhas circundantes, nuas e empedrouçadas, deixavam-se ficar até à hora do "ajantarado" que a mulher e a filha preparavam.Só depois deste é que as cantorias começavam. Certo dia, umdos companheiros dominicais do Joaquim pediu-lhe licença paratrazer, no dia do aniversário dele, que estava próximo, um rapaz desua amizade, o Júlio Costa, que era um exímio cantor de modinhas.Acedeu. Veio o dia da festa e o famoso trovador apareceu. Branco,sardento, insignificante, de rosto e de corpo, não tinha as tais melenasdenunciadoras, nem outro qualquer traço de capadócio. Vestia-seseriamente com um apuro muito suburbano; sob a tesoura de alfaiate de quarta ordem. A única pelintragem adequada ao seu mister que apresentava consistia em trazer o cabelo repartido no alto da cabeça, dividido muito exatamente pelo meio. Acompanhava-o o violão.A sua entrada foi um sucesso.Todas as moças das mais diferentes cores que, ai, a pobrezaharmonizava e esbatia, logo o admiraram. Nem César Bórgia,entrando mascarado, num baile à fantasia dado por seu pai, noVaticano, causaria tanta emoção.Afirmavam umas para as outras:-É ele! É ele, sim!Os rapazes, porém, não ficaram muito contentes com isto; e,entre eles, puseram-se a contar histórias escabrosas da vida galantedo cantor de modinhas.Apresentado aos donos da casa e à filha, ninguém notou o olharguloso que deitou para os seios empinados de Clara.O baile começou com a música de um "terno" de flauta, cavaquinho e violão. A polca era a dança preferida e quase todos a dançavam com requebros próprios de samba.Num intervalo Joaquim convidou:- Por que não canta, "seu" Júlio?- Estou sem voz, respondeu ele.Até ali, ele tinha tomado parte no "remo"; e, repinicando as cordas, não deixava de devorar com os olhos os bamboleios de quadris deClarinha, quando dançava. Vendo que seu pai convidara o rapaz,animou-se a fazê-lo também:- Por que não canta, "seu" Júlio? Dizem que o senhor canta tãobem...Esse - "tão bem" - foi alongado maciamente. O cantadoracudiu logo:- Qual, minha senhora! São bondades dos camaradas...Concertou a "pastinha" com as duas mãos, enquanto Clara dizia:- Cante! Vá!- Já que a senhora manda, disse ele, vou cantar.Com todo o dengue, agarrou o violão, fez estalar as cordas e anunciou:- Amor e sonho.E começou com uma voz muito alta, quase berrando, a modinha,para depois arrastá-la num tom mais baixo, cheio de mágoa e langor,sibilando os "ss", carregando os "rr" das metáforas horrendas de queestava cheia a cantoria. A cousa era, porém, sincera; e mesmo as comparações estrambóticas levantavam nos singelos cérebros das ouvintes largas perspectivas de sonhos, erguiam desejos, despertavam anseios e visões douradas. Acabou. Os aplausos foram entusiásticos e só Clarínha não aplaudiu, porque, tendo sonhado durante toda a modinha, ficara ainda embevecida quando ela acabou...Dias depois, vindo à janela por acaso - era de tarde - semgrande surpresa, como se já o esperasse, Clara recebeu o cumprimento do cantor magoado. Não pôs malícia na cousa, tanto assim quedisse candidamente à mãe:- Mamãe, sabe quem passou aí?- Quem?- "Seu" Júlio.- Que Júlio?- Aquele que cantou nos "anos" de papai.A vida da casa, após a festança de aniversário do Joaquim, continuou a ser a mesma. Nos domingos, aquelas partidas de bisca como Eleutério, servente da biblioteca, e com o Augusto, guarda municipal,acompanhadas de copitos de cachaça, e o violão, à tarde. Não tardouque se viesse agregar um novo comensal: era o Júlio Costa, o famosomodinheiro suburbano, amigo íntimo do Augusto e seu professor detrovas.Júlio quase nunca jantava, pois tinha sempre convites em todos osquatro pontos cardeais daquelas paragens. Tomava parte nas partidasde bisca, de parceirada, e pouco bebia. Apesar de não demorar-sepela tarde adentro, pôde ir cercando a rapariga, a Clara, cujos seiosempinados, volumosos e redondos fascinavam-lhe extraordinariamente e excitavam a sua gula carnal insaciável. Em começo foram sóolhares que a moça, com os seus úmidos olhos negros, grandes,quase cobrindo toda a esclerótica, correspondia a furto e com medo;depois, foram pequenas frases, galanteios, trocados às escondidas,para, afinal, vir a fatídica carta.Ela a recebeu, meteu-a no seio e, ao deitar-se, leu-a, sob a luz davela, medrosa e palpitante. A carta era a cousa mais fantástica, no quediz respeito à ortografia e à sintaxe, que se pode imaginar; tinha,porém, uma virtude: não era copiada do Secretário dos amantes, eraoriginal. Contudo a missiva fez estremecer toda a natureza virgem deClara que, com a sua leitura, sentiu haver nela surgido alguma cousade novo, de estranho, até ali nunca sentida. Dormiu mal. Não sabiabem o que fazer: se responder, se devolver. Viu o olhar severo do pai;as recriminações da mãe. Ela, porém, precisava casar-se. Não havia deser toda a vida assim como um cão sem dono... Os pais viriam a morrere ela não podia ficar pelo mundo desamparada... Uma dúvida lheveio: ele era branco; ela, mulata... Mas que tinha isso? Tinham-se visto tantos casos... Lembrou-se de alguns... Por que não havia de ser? Ele falava com tanta paixão... Ofegava, suspirava, chorava; e os seus seios duros estouravam de virgindade e de ansiedade de amar...Responderia; e assim fez, no dia seguinte. As visitas de Costatomaram-se mais demoradas e as cartas mais constantes. A mãedesconfiou e perguntou à filha:- Você está namorando "seu" Júlio, Clarinha?- Eu, mamãe! Nem penso nisso...- Está, sim! Então não vejo?A menina pôs-se a chorar; a mãe não falou mais nisso; e Clara,logo que pôde, mandou pelo Aristides, um molecote da vizinhança,uma carta ao modinheiro, relatando o fato.Júlio morava na estação próxima e a situação de sua família erabem superior à sua namorada. O seu pai tinha um emprego regularna prefeitura e era, em tudo, diferente do filho. Sisudo, grave, sério,ia até a imponência grotesca do bom funcionário; e não seria capazde admitir que a namorada do filho dançasse na sua sala. Sua mulhernão tinha o ar solene do marido, era, porém, relaxada de modos ehábitos. Comia com a mão, andava descalça, catava intrigas e "novidades" da vizinhança; mas tinha, apesar disso, uma pretensão intima de ser grande cousa, de uma grande família. Além do Júlio, tinha três filhas, uma das quais já era adjunta municipal; e, das outras duas, uma estava na Escola Normal e a mais moça cursava o Instituto de Música.Tiravam muito ao pai, no gênio sobranceiro, no orgulho fofo dafamília; e tinham ambição de casamentos doutorais. Mercedes,Adelaide e Maria Eugênia, eram esses os nomes, não suportariam denenhuma forma Clara como cunhada, embora desprezassem soberbamente o irmão pelos seus maus costumes, pelo seu violão, pelosseus plebeus galos de briga e pela sua ignorância crassa.Pequeno-burguesas, sem nenhuma fortuna, mas, devido à situaçãodo pai e a terem freqüentado escolas de certa importância, elas nãoadmitiriam, para Clara, senão um destino: o de criada de servir.Entretanto, Clara era doce e meiga; inocente e boa, podia-sedizer que era muito superior ao irmão delas pelo sentimento, ficandotalvez acima dele pela instrução, conquanto fosse rudimentar, comonão podia deixar de ser, dada a sua condição de rapariga pobríssima.Júlio era quase analfabeto e não tinha poder de atenção suficientepara ler o entrecho de uma fita de cinematógrafo. Muito estúpido, asua vida mental se cifrava na composição de modinhas delambidas,recheadas das mais estranhas imagens que a sua imaginação erótica,sufocada pelas conveniências, criava, tendo sempre perante seusolhos o ato sexual.Mais de uma vez, ele se vira a braços com a polícia por causa dedefloramento e seduções de menores.O pai, desde a segunda, recusara intervir; mas a mãe, dona Inês,a custo de rogos, de choro, de apelo - para a pureza de sangue dafamília, conseguira que o marido, o capitão Bandeira, procurasseinfluenciar, a fim de evitar que o filho casasse com uma negrinha dedezesseis anos, a quem o Júlio "tinha feito mal".Apesar de não ser totalmente má, os seus preconceitos junto àestreiteza da sua inteligência não permitiram ao seu coração queagasalhasse ou protegesse o seu infeliz neto. Sem nenhum remorso,deixou-o por aí, à toa, pelo mundo...O pai, desgostoso com o filho, largara-o de mão; e quase não seviam. Júlio vivia no porão da casa ou nos fundos da chácara ondetinha gaiolas de galos de briga, o bicho mais hediondo, mais repugnantemente feroz que é dado a olhos humanos ver. Era a sua indústriae o seu comércio, esse negócio de galos e as suas brigas em rinhadeiros.Barganhava-os, vendia-os, chocava as galinhas, apostava nas rinhas;e com o resultado disso e com alguns cobres que a mãe lhe dava,vivia e obtinha dinheiro para vestir-se. Era o tipo completo dovagabundo doméstico, como há milhares nos subúrbios e em outrosbairros do Rio de Janeiro.A mãe, sempre temendo que se repetissem os seus ajustes decontas com a polícia, esforçava-se sempre por estar ao corrente dosseus amores. Veio a saber do seu último com a Clara e repreendeu-onos termos mais desabridos. Ouviu-a o filho respeitosamente, semdizer uma palavra; mas, julgou da boa política relatar, a seu modo,por carta, tudo à namorada. Assim escreveu:&lt;br /&gt;"Queridinha confeço-te que ontem quando recebi a tua cartaminha mãe viu e fiquei tão louco que confecei tudo a mamãeque lhe amava muito e fazia por você as maiores violências,ficaram todos contra mim é a razão porque previno-te que nãoligues ao que lhe disserem, por isso pesso-te que preze bem omeu sofrimento. Pense bem e veja se estás resolvida a fazer o que lhe pedi na última cartinha.Saudades e mais saudades deste infeliz que tanto lhe adora enão é correspondido. O teu Júlio".&lt;br /&gt;Clara já estava habituada com a redação e ortografia do seunamorado, mas, apesar de escrever muito melhor, a sua instrução erainsuficiente para desprezar um galanteador tão analfabeto. Ainda porcima, a sua fascinação pelo modinheiro e a sua obsessão pelo casamento lhe tiravam toda a capacidade critica que pudesse ter. A cartaproduziu o efeito esperado por Júlio. Choro, palpitações, anseios vagos,esperanças nevoentas, vislumbres de céus desconhecidos e encantados- tudo isso aquela carta lhe trouxe, além do halo de dedicação e amorpor ela com que Clara fez resplandecer, na imaginação, as pastinhasdo violeiro. Daí a dias, fez o prometido, isto é, deixou a janela doquarto aberta para que ele entrasse no aposento. Repetiu a façanhaquase todas as noites seguidas, sem que ele se demorasse muito no quarto.Nos domingos, aparecia, cantava e semelhava que entre ambosnão havia nada. Um belo dia, Clara sentiu alguma cousa de estranhono ventre. Comunicou ao namorado. Qual! Não era nada, disse ele.Era, sim; era o filho. Ela chorou, ele acalmou-a, prometendo casamento. O ventre crescia, crescia...O cantador de modinhas foi fugindo, deixou de aparecer amiúdo; e Clara chorava. Ainda não lhe tinham percebido a gravidez.A mãe, porém, com auxilio de certas intimidades próprias de mãepara filha, desconfiou e pó-la em confissão. Clara não pôde esconder,disse tudo; e aquelas duas humildes mulheres choraram abraçadasdiante do irremediável... A filha teve uma idéia:- Mamãe, antes da senhora dizer a papai, deixa-me ir até à casadele, para falar com a sua mãe?A velha meditou e aceitou o alvitre:- Vai!Clara vestiu-se rapidamente e foi. Recebida com altaneria poruma das filhas, disse que queria falar à mãe de Júlio. Recebeu-a estarispidamente; mas a rapariga, com toda a coragem e com sangue-friodifícil de crer, confessou-lhe tudo, o seu erro e a sua desdita.- Mas o que é que você quer que eu faça?- Que ele se case comigo, fez Clara num só hausto.- Ora, esta! Você não se enxerga! Você não vê mesmo quemeu filho não é para se casar com gente da laia de você! Ele nãoamarrou você, ele não amordaçou você... Vá-se embora, rapariga!-Ora já se viu! Vá!Clara saiu sem dizer nada, reprimindo as lágrimas, para que narua não lhe descobrissem a vergonha. Então, ela? Então ela não se podia casar com aquele calaceiro, sem nenhum título, sem nenhumaqualidade superior? Por quê?Viu bem a sua condição na sociedade, o seu estado de inferioridade permanente, sem poder aspirar a cousa mais simples a que todasas moças aspiram. Para que seriam aqueles cuidados todos de seuspais? Foram inúteis e contraproducentes, pois evitaram que ela conhecesse bem justamente a sua condição e os limites das suas aspirações sentimentais... Voltou para casa depressa. Chegou; o pai ainda não viera.Foi ao encontro da mãe. Não lhe disse nada; abraçou-a chorando. A mãe também chorou e, quando Clara parou de chorar, entre soluços, disse:- Mamãe, eu não sou nada nesta vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-2840292930864313693?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/2840292930864313693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=2840292930864313693&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2840292930864313693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2840292930864313693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/lima-barreto-e-mulher-ii-clara-dos.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbP5OMolsnI/AAAAAAAAAaQ/GLqvRXfl72c/s72-c/aboli%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-1298093888114515341</id><published>2009-03-07T07:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T07:48:52.243-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbKXUXCFQBI/AAAAAAAAAaI/oobcX8Eazuo/s1600-h/Pandora+W.Waterhouse.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310473286659162130" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbKXUXCFQBI/AAAAAAAAAaI/oobcX8Eazuo/s200/Pandora+W.Waterhouse.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lima Barreto e a mulher - I&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Livia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;E todos os dias quando ela, de manhã cedo, ia, ainda morrinhenta da cama, preparar o café matinal da família, ia toda envolvida num nevoeiro de sonhos, sonhados durante um demorado dormirde oito horas a fio. Por vezes - lá na cozinha, só, vigiando pacientemente a água que fervia - ao lhe chegarem as reminiscências delesem tumulto, juntas, borbulhava-lhe nos lábios uma interjetiva qualquer,eco desconexo do muito que lhe falavam por dentro.De quando em quando, sofreando um gesto glorioso de satisfação, dizia - é ele - e isso de leve traduzia a grande carícia que lheera dado gozar naquele instante, refazendo aquele sonho bom - tãobom e acariciador que bem lhe parecia um inebriamento de capitososperfumes a se evolar do Mistério vagarosamente, suavemente...Depois, logo que o café se aprontava e, na sala de jantar, todos aoredor da mesa se punham a sorvê-lo, mastigando o pão de cada dia- ela, d'olhos parados, presos a uma linha do assoalho, levandocompassadamente a xícara aos lábios, ficava a um canto a pensar,remoendo a cisma, procurando decifrar naqueles traços nebulosos - tão mal grudados pela memória - a figura viva daquele com quem,em sonhos, se vira indo de braço dado ruas em fora.Esforço a esforço, de evocação em evocação, aparecia-lhe aospoucos a sua figura, o seu ar; e, após esse paciente trabalho dereconstrução, lhe vinha, anunciado por um sorriso reprimido que lheencrespava radiosamente o semblante, o seu nome sílaba por sílaba...Go-do-fre-do. Então com volúpia, ela lhe pesava os recursos: ganhava cento e vinte, no emprego da Central, talvez, em breve, viesse a termais. Quarenta para casa e o resto para o vestuário e alimentos.Era pouco - convinha - mas servia, pois, assim ficaria livre datirania do cunhado, das impertinências do pai; teria sua casa, seusmóveis e, certamente, o marido lhe dando algum dinheiro, ela -quem sabe! - que tão bons sonhos tinha, arriscando no "bicho",aumentaria a renda do casal; e, quando assim fosse, havia de comprar um corte de fazenda boa, um chapéu, de jeito que, sempre, peloCarnaval, iria melhorzinha à rua do Ouvidor, assistir passarem as sociedades.O café já se havia acabado; e ela ficara ainda distraída e sentada, quando soou de lá da sala de visitas a voz vigorosa do cunhado:- Lívia! Traz o meu guarda-sol que ficou atrás da poita do quarto.Depressa!... Anda que faltam só oito minutos para o trem!E como se demorasse um pouco, o Marques, redobrando devigor no timbre, gritou:- Oh! Cos diabos! Você ainda não achou! Safa! Que gente mole!Humildemente, Lívia lá foi aos pulos, como uma corça domesticada, entregar o objeto pedido, para lhe ser arrancado bruscamente das mãos...Envolvida ainda naquele sonho que lhe soubera tão bem amanhã, ela, através das frinchas da veneziana viu o cunhado atravessara rua e se perder por entre o dédalo de casas.Certificada disso, abriu a janela. O subúrbio todo despertavalanguidamente.As montanhas, verde-negras, quase desnudas de vegetação,confusamente surgiam do seio da cerração tênue e esgarçada. Ascasas listravam de branco e ocre o pardacento geral, enquanto bocadosde neblina, finos, adelgaçados, flutuavam sobre elas como sombras erradias.As ruas descalças e enlameadas eram atravessadas por algunstranseuntes cabisbaixos, mal vestidos, andando céleres em busca do embarcadouro.Corria, de resto, como sempre, morosamente o viver diário; e aLívia, sacudida pelo silvo agudo de uma locomotiva, levantou derepente os olhos, até ali fitos na estação que emergia do ambientepardo a clarear-se, para pregá-los numa nesga do céu que o sol abria, por entre a névoa, furiosamente, vitoriosamente.A súbitas, sua alma voou, asas abertas, vôo rasgado, para outrasbandas, outras regiões. Voou para a cidade de luxo e elegância que,ao fim daquelas fitas de aço, refulgia e brilhava.Representaram-se-lhe os teatros de luxo, os bailes do tom, a ruada moda onde triunfavam as belezas. Ao considerar isso, viu-se alitambém, ela, sim! ela, que não era feia, tendo o seu porte flexível elongo, envolvido de rendas, a desprender custosas essências e aquelesseus dedos de unhas de nácar, ornados de ouro e pérolas, escolhendo,na mais chique loja, cassas, baptistes, voiles...Numa galopada de sonhos, supós maiores cousas e - lembrando-se do que lhe contara a madrinha (oh! como era rica!) - imaginoua Europa, aquelas terras soberbas, por onde a "Dindinha" passeava asua velhice e o seu egoísmo.Doidamente revolvia a alma e as cismas... Calculou-se lá também,na alameda de um soberbo jardim, de landau, com ricas vestes aocorpo unidas, ressaltando delas o esplendor de suas formas e o esguiopatrício de seu corpo. Imaginou que, através de um caro chapéu depalhinha branca, se coasse a luz macia do sol da Europa, polvilhando-lhea tez de ouro, em cujo fundo brilhassem muito os seus olhos vivos,negros e redondos.- Oh! que bom! Quem me dera! - quase exclamou por esse tempo.De reviravolta, Lívia adivinhou outra cousa no sonho. Não pensara bem; era outro que não o Godofredo, o rapaz que imaginara.Aquele nariz grosso, aquela testa alta, o bigode ralo, não eramdele; eram antes do Siqueira, estudante de farmácia, filho do agente.Esse poderia lhe dar aquilo - a Europa, o luxo - pois que formadoganharia muito.Dessa forma - resolvera- "amarraria a lata" no Godofredo e"pegaria" com o Siqueira. E era muito melhor! O Siqueira, afinal, iaformar-se, seria um marido formado, ao braço do qual, se não fosse àEuropa, viria a gozar de maior consideração...Demais a Europa era desnecessária - para quê? Era querermuito. Quem muito quer nada tem; e ela para ter alguma cousa deviaquerer pouco. Bastava pois que lhe tirassem dali, fosse esse, fosseaquele; mas... se em todo o caso pudesse ser um mais assim... seria muito melhor.E desde quando vinha ela querendo aquilo? Havia muitos anos;havia dez talvez. Desde os doze que namorava, que "grelava" só paraaquele fim; entretanto, apesar de haver tido mais de quinze namorados,ainda ali estava, ainda ali ficava, sob o mando do cunhado.Quinze namorados!Quinze! De que lhe serviram?Um levara-lhe beijos, outro abraços, outro uma e outra cousa; esempre, esperando casar-se, isto é, libertar-se, ela ia languidamente,passivamente deixando. Passavam um, dous meses, e os namoradosiam-se sem causa. Era feio, diziam; mas que fazer? como casar-se? Porconsequência, como viver? A sua própria mãe não lhe aconselhava?Não lhe dizia: "Filha, anda com isso; preciso ver esta letra vencida"?De resto, o amor lhe desculparia, pois não é o amor o máximotirano? Não é a própria essência da vida, das cousas mudas, dos seres, enfim?Porventura ela os amara? Teria ela amado aquela legião denamorados? Amara um, sequer? Não sabia...- O que é amar? interrogava fremente.Não é escrever cartas doces? Não é corresponder a olhares? Nãoé dar aos namorados as ameaças da sua carne e da sua volúpia?- Se era isso, ela amara a todos, um a um; se não era, a nenhumamara...E o que era amar? Que era então?Ao lhe chegar essa interrogação metafisica, para o seu entendimento, ela se perdeu no próprio pensamento; as idéias se baralharam, turbaram-se; e, depois, fatigada, foi passando vagarosamente a mãoesquerda pela testa, correu-a pacientemente pela cabeça toda até à nuca.Por fim, como se fosse um suspiro, concluiu:- Qual amor! Qual nada! A questão é casar e para casar,namorar aqui, ali, embora por um se seja furtada em beijos, por outro em abraços, por outro...- Ó Lívia! Você hoje não pretende varrer a casa, rapariga? Quefazes há tanto tempo na janela?!Obedecendo ao chamado de sua mãe, Lívia foi mais uma vezretomar a dura tarefa, da qual, ao seu julgar, só um casamento haviade livrá-la para sempre, eternamente...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-1298093888114515341?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/1298093888114515341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=1298093888114515341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1298093888114515341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/1298093888114515341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/lima-barreto-e-mulher-i-livia-e-todos.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbKXUXCFQBI/AAAAAAAAAaI/oobcX8Eazuo/s72-c/Pandora+W.Waterhouse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-957197999846110057</id><published>2009-03-06T13:58:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T14:10:02.014-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbGfKdu7YBI/AAAAAAAAAaA/CCyQe49jFdQ/s1600-h/leitor+II.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310200437775491090" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 122px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbGfKdu7YBI/AAAAAAAAAaA/CCyQe49jFdQ/s200/leitor+II.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arthur Azevedo e a mulher - II&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sabina&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Havia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina - Sabina era o seu nome - dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo.&lt;br /&gt;Um mês depois do seu primeiro encontro com o bacharel Figueiredo, este dizia-lhe:&lt;br /&gt;- Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu livre és: casemo-nos !&lt;br /&gt;- Não! respondia ela, não! não! não!...&lt;br /&gt;- Por quê, meu amor?&lt;br /&gt;- Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher!&lt;br /&gt;- Mas a sociedade...&lt;br /&gt;- Ora a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Tua filhinha...&lt;br /&gt;- Tem apenas quatro anos! está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemo-nos, e deixemos em paz o padre e o pretor.&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Ficaram efetivamente em paz o ministro de Deus e o representante da lei, mas nem por isso o bacharel deixou de enfarar-se ao cabo de dois anos, agradecendo aos céus o haver a viúva recusado o casamento que ele lhe propusera num momento de verdadeira alucinação.&lt;br /&gt;Havia muitos meses já que o moço ruminava um plano de separação definitiva, mas não sabia de que pretexto lançar mão para chegar a esse resultado. Sabina guardava-lhe, ou, pelo menos, parecia guardar-lhe absoluta fidelidade, e nunca lhe dera motivo de queixa.&lt;br /&gt;Nestas condições lembrou-se o bacharel de consultar o velho Matos, que o honrava com a sua amizade.&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;O velho Matos era um solteirão rico e viajado, que na sua tempestuosa mocidade tivera um número considerável de aventuras galantes, e era ainda considerado um oráculo em questões de amor. Muitos mancebos inexperientes recorriam aos seus conselhos, e tais e tão discretos eram estes, que eles alcançavam quanto pretendiam.&lt;br /&gt;O bacharel Figueiredo foi ter a uma velha chácara da Gávea, onde o avisado conselheiro vivia das suas recordações e de alguns prédios e apólices milagrosamente salvos do naufrágio dos seus haveres.&lt;br /&gt;O moço foi recebido com muita amabilidade, e sem preâmbulos expôs a situação:&lt;br /&gt;- Há três anos sou o amante de uma senhora viúva, distinta e bem educada; quero acabar com essa ligação; que devo fazer?&lt;br /&gt;- Antes de mais nada, é preciso que eu saiba o motivo que o desgostou. Tem ciúmes dela?&lt;br /&gt;- Ciúme... - Oh! se a conhecesse!... É um modelo de meiguice, fidelidade e constância!&lt;br /&gt;- Existe alguma particularidade que o afaste desse modelo?... quero dizer: uma enfermidade... - um defeito físico... o mau hálito, por exemplo?&lt;br /&gt;- Pelo amor de Deus!... É uma mulher sadia, limpa, cheirosa.&lt;br /&gt;- Então, é feia?&lt;br /&gt;- Feia? ! Uma das caras mais bonitas do Rio de Janeiro!&lt;br /&gt;- Tem mau gênio?&lt;br /&gt;- Uma pombinha sem fel!&lt;br /&gt;- Então é tola, vaidosa, pedante, presumida, afetada, asneirona...?&lt;br /&gt;- Nada disso! é uma mulher de espírito, instruída e perfeitamente educada.&lt;br /&gt;- É devota? Anda metida nas igrejas?... passa horas esquecidas a rezar diante de uni oratório?...&lt;br /&gt;- Apenas vai ouvir missa aos domingos.&lt;br /&gt;- Talvez abuse do piano, ou desafine a cantar...&lt;br /&gt;- Não canta; toca piano, mas não abusa. Digo-lhe mais: interpreta admiravelmente Chopin.&lt;br /&gt;- Você gosta de outra mulher?&lt;br /&gt;- Juro-lhe que não.&lt;br /&gt;- Bom; sei o que isso é; você aborreceu-se dela porque nunca lhe descobriu defeitos. É boa demais.&lt;br /&gt;- Talvez. O caso é que esta ligação já durou mais tempo do que devia, e urge acabar com ela. A Sabina tem uma filha que está crescendo a olhos vistos, e não é conveniente fazer com que essa criança algum dia a obrigue a corar.. . Depois, eu sou moço... tenho um grande horizonte diante de mim... enceto agora a minha carreira de advogado... esta ligação pode prejudicar seriamente o meu futuro - não acha?&lt;br /&gt;O velho Matos calou-se, e, passados alguns momentos, perguntou:&lt;br /&gt;- Quer então você separar-se dessa mulher ideal?&lt;br /&gt;- Quero.&lt;br /&gt;- A sua resolução é inabalável?&lt;br /&gt;- Inabalável.&lt;br /&gt;- Só há um meio de o conseguir.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Desapareça.&lt;br /&gt;- Ela irá procurar-me onde quer que eu esteja.&lt;br /&gt;- Boa dúvida, mas faça-se invisível, vá para a roça, e volte ao cabo de oito dias. Naturalmente ela aparece, e pergunta em termos ásperos, ou sentidos, o motivo do seu procedimento. Muna-se então de um pouco de coragem, e responda-lhe o seguinte: "Á vista de um fato que chegou ao meu conhecimento, nada mais pode haver de comum entre nós. Não me peça explicações: meta a mão na consciência, e meça a extensão do meu ressentimento!"&lt;br /&gt;- Mas que fato? Pois eu já não lhe disse que a Sabina e um modelo de...&lt;br /&gt;- Meu jovem amigo, interrompeu o velho Matos, não há mulher, por mais amante, por mais dedicada, por mais virtuosa que seja, que não tenha alguma coisa de que a acuse a consciência. A sua Sabina, em que pese às aparências, não deve, não pode escapar à lei comum; desde que você se refira positivamente a um fato, embora não declare que fato é, ela ficará persuadida de que o seu amante veio ao conhecimento de alguma coisa que se passou, e que a pobrezinha supunha coberta pelo véu de impenetrável mistério.&lt;br /&gt;- Mas a Sabina, quando mesmo tenha algum pecadinho na consciência (eu juro-lhe que o não tem!) com certeza há de protestar energicamente e exigir que eu ponha os pontos nos ii; há de querer que eu diga francamente a que fato aludo, e... - e vamos lá! como acusá-la sem consentir que ela se defenda?&lt;br /&gt;- Ah! meu amigo! se você pretende aplicar razões jurídicas ao caso, não arranja nada. A jurisprudência do amor e extravagante e absurda. Acuse, retire-se, e não entre em explicações. Afianço-lhe que o êxito é seguro.&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Se bem o disse o velho Matos, melhor o fez o bacharel Figueiredo. Retirou-se durante alguns dias para uma fazenda sem dizer adeus nem dar satisfações à viúva.&lt;br /&gt;Imagine-se o desespero dela. Quando soube que o seu amante voltara dessa misteriosa viagem, foi - e era a primeira vez que lá ia - foi à casa de pensão em que ele morava e entrou como uma doida no seu quarto.&lt;br /&gt;- Então? que quer isto dizer?... exclamou a mísera caindo numa cadeira, a soluçar desesperadamente.&lt;br /&gt;Ele até então nunca a tinha visto chorar. A viúva apresentava-se-lhe sob um aspecto estranho; parecia-lhe agora mais apetitosa.&lt;br /&gt;Entretanto, fazendo um esforço violento sobre si mesmo, o bacharel franziu os sobrolhos e repetiu as palavras do velho Matos:&lt;br /&gt;- À vista de um fato que chegou ao meu conhecimento, nada mais pode haver de comum entre nós!...&lt;br /&gt;Sabina ergueu-se como tocada por uma mola. Ele continuou:&lt;br /&gt;- Não me peça explicações; eu não lhas daria! Meta a mão na consciência, e compreenda o meu eterno ressentimento...&lt;br /&gt;Dizendo isto, saiu do quarto batendo com estrondo a porta, e deixando a pobre Sabina aparvalhada.&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;No dia seguinte o bacharel recebeu uma carta concebida nos seguintes termos:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Figueiredo - Tens razão: nada mais pode haver de comum entre nós; aprecio e respeito a delicadeza dos teus sentimentos. Eu vivia na ilusão de que tudo ignorarias, de que jamais virias ao conhecimento de uma fraqueza que tão desgraçada me faz neste instante. Vejo que o miserável não guardou segredo, e fez chegar aos teus ouvidos a história de uma vergonhosa aventura a que fui arrastada num momento de desvario e de que logo me arrependi amargamente. Não me perdoes, porque o teu perdão seria um atestado de péssimo caráter, mas ao menos sabe que foi a tua frieza, o teu desprendimento, o pouco caso com que então começavas a tratar-me, que me determinaram a dar o mau passo que dei e que tantas lágrimas me tem custado. Adeus; lembra-te sempre da infeliz Sabina, que te ama ainda como sempre te amou, mas não procures tornar a vê-la, porque ela é a primeira a confessar que não é digna de ti. Console-te a certeza de que a minha vida vai ser de agora em diante um inferno de remorsos e de saudades. Adeus para sempre... - Sabina&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;Essa carta produziu terrível efeito no espírito do bacharel Figueiredo.&lt;br /&gt;Era então certo?... ela pertencera a outro homem?...&lt;br /&gt;E o seu amor extinto despertou mais violento, mais impetuoso que nunca. Passavam-lhe rapidamente pela memória, num turbilhão demoníaco, todos os deliciosos momentos que lhe proporcionara a meiga viúva, e o ciúme, um ciúme implacável, que o aniquilava e embrutecia, excitava-o tiranicamente.&lt;br /&gt;Ele correu à casa de Sabina, e encontrou fechadas todas as portas e janelas. Informou-o um vizinho de que a viúva se retirara na véspera, com a menina e as criadas, levando malas e embrulhos.&lt;br /&gt;Durante oito dias o bacharel, desesperado, enfurecido, mortificado pela insônia, pelos ciúmes, pelas saudades, correu á casa dela: tudo fechado!...&lt;br /&gt;Ninguém lhe dava notícias de Sabina! Aonde iria ela?.. - onde estava?...&lt;br /&gt;Afinal, um dia encontrou a porta aberta e entrou como um doido, tal qual Sabina entrara na casa de pensão. Encontrou-a no seu quarto, e, sem dizer palavra, sufocado pelo pranto, beijou-lhe sofregamente a boca, os olhos, o nariz, as orelhas, beijou-a toda, e, rasgando-lhe o vestido, atirou-a brutalmente sobre o leito, sequioso por entrar de novo na posse daquele corpo e daquele sangue.&lt;br /&gt;Mas a viúva, debatendo-se heroicamente, conseguiu repeli-lo, e pôs-se de pé, gritando:&lt;br /&gt;- Não! não! não, Figueiredo!... Tudo acabou entre nós! Eu não sou digna de ti!...&lt;br /&gt;- Não digas isso pelo amor de Deus! Eu perdôo-te! Eu amo-te! Eu adoro-te!...&lt;br /&gt;- Se realmente me amas, se me adoras, então és tu que não és digno de mim!&lt;br /&gt;Dizendo isto, fugiu do quarto e foi para junto da filha, onde se julgou a coberto das perseguições do bacharel. Efetivamente, este deixou-se ficar no quarto, atirado sobre o leito e soluçando convulsivamente.&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Durante alguns dias a mesma cena se reproduziu, mas afinal restabeleceram-se as pazes.&lt;br /&gt;Sabina cedeu sob duas condições: primeira, o bacharel só entraria no quarto dela com escala pela pretoria e pela igreja ; segunda, jamais lhe pediria explicações sobre o fato que determinara a crise.&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;Três meses depois do casamento, o velho Matos, que se tornara íntimo da casa, achando-se a sós com Sabina, contou-lhe a história do conselho dado ao bacharel, conselho que foi a causa imediata de tão extraordinários acontecimentos, e que tão negativo efeito produzira.&lt;br /&gt;- Mas o que o senhor não sabe, disse ela, é que eu nunca tive outro amante senão o Figueiredo.&lt;br /&gt;- Que me diz, minha senhora?&lt;br /&gt;- Juro-lhe pela vida de minha filha que falo verdade.&lt;br /&gt;- Mas valha-me Deus! o pobre rapaz está convencido de...&lt;br /&gt;- Deixá-lo estar. É um pobre-diabo, feito da mesma lama que os outros homens. Confessei-lhe uma culpa que não tinha, porque adivinhei que só assim poderia reconquistá-lo.&lt;br /&gt;- Mas agora estão casados e muito bem casados; é preciso dissuadi-lo.&lt;br /&gt;- Não; ainda é cedo; mais tarde.. . Esse homem que ele não sabe quem é... essa aventura misteriosa.... essa ignóbil mentira é a garantia da minha felicidade. Enquanto ele supuser que não fui dele só, será só meu.&lt;br /&gt;- Parabéns, minha senhora; pode gabar-se de ter embrulhado o velho Matos.&lt;br /&gt;- Ora, o velho Matos! Quem é o velho Matos? Quem é o senhor? Algum psicólogo? Saiba que uma mulher inteligente é capaz de embrulhar Paul Bourget...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;- Upa! upa! É capaz de enfiar pelo fundo de uma agulha o próprio Balzac ! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Repito: parabéns, minha senhora!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(publicado em &lt;em&gt;Contos efêmeros&lt;/em&gt;, 1897)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-957197999846110057?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/957197999846110057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=957197999846110057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/957197999846110057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/957197999846110057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/arthur-azevedo-e-mulher-ii-sabina-havia.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbGfKdu7YBI/AAAAAAAAAaA/CCyQe49jFdQ/s72-c/leitor+II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-7318356270680530786</id><published>2009-03-05T13:23:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T13:29:12.635-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbBEGa7WDiI/AAAAAAAAAZ4/PUVaATYqsyk/s1600-h/leitor+I.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309818837767949858" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 129px; CURSOR: hand; HEIGHT: 105px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbBEGa7WDiI/AAAAAAAAAZ4/PUVaATYqsyk/s200/leitor+I.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arthur Azevedo e a mulher - I&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A berlinda&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um dia o poeta Passos Nogueira foi instantemente convidado para as terças-·feiras do Cunha.&lt;br /&gt;-- Apareça, que diabo ! dizia-lhe este sempre que o encontrava. Minha senhora faz questão da sua pessoa e me recomenda com muito empenho que o convide. Ela adora a poesia, e por seu gosto vivia cercada de poetas.&lt;br /&gt;-- Mas eu não sou poeta, meu caro sr. Cunha.&lt;br /&gt;-- lsso agora é modéstia sua.O meu amigo não é ainda um Casimiro de Abreu&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5121148060136346781#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; nem um Rozendo Moniz; mas em todo o caso é um bom poeta.&lt;br /&gt;Passos Nogueira não podia resistir à tanta amabilidade, e uma terça-feira lá foi à casa do Cunha, na rua Mariz e Barros.&lt;br /&gt;A sala estava cheia de visitas. A dona da casa recebeu o poeta com grandes demonstrações de agrado ... e um aperto de mão fortíssimo.&lt;br /&gt;Era uma bonita mulher, não há dúvida, aquela dona Helena dos olhos lânguidos, com arrebitado e petulante nariz cavalgado pelo pince-nez de ouro, e a boca -- uma boca adorável, primorosamente rasgada -- mostrando sempre os dentes alvos e brilhantes.&lt;br /&gt;Os homens, quando se aproximavam dela, ficavam como envolvidos num vapor de sensualidade e volúpia.&lt;br /&gt;Com aquele sorriso que murmurava : “Cheguem-se !”, aqueles olhos que diziam “Amem- me !”, e aquelas narinas que gritavam “Gozem-me !”, não podia dona Helena escapar da maledicência pública. Efetivamente a mísera não gozava da fama de uma Penélope, três ou quatro amantes sucessivos lhe apontava a vox populi . Sabia disso toda a gente ... , exceção do Cunha que - vamos e venhamos -- não era precisamente um Ulysses.&lt;br /&gt;Passos Nogueira estava ao corrente da reputação de dona Helena, e, portanto, poderia quase sem remorsos aceitar o combate amoroso que ela visivelmente lhe oferecia. A boca, os olhos e as narinas da moça diziam-lhe : “Chega-te ! Ama-me ! Goza-me !”&lt;br /&gt;Ele chegou-se; na ocasião era o mais que podia fazer . Ali, naquela sala pequena e cheia de gente, o combate deveria necessariamente limitar-se à fuzilaria dos olhos; não era possível recorrer à artilharia dos lábios.&lt;br /&gt;-- Sr. Passos Nogueira, disse dona Helena em voz alta, queira recitar-nos uma das suas mimosas poesias.&lt;br /&gt;-- Oh,excelentíssima ! poupe-me pelo amor de Deus o dissabor de vir trazer o sono a uma sociedade tão divertida .&lt;br /&gt;-- Não apoiado ! não apoiado !... gritaram diversas vozes.&lt;br /&gt;-- Vamos ! não se faça rogado, suspirou dona Helena.&lt;br /&gt;-- Pois bem ; recitarei a minha última produção poética : algumas quintilhas que escrevi ontem para responder a certa pessoa que me perguntou se eu amava.&lt;br /&gt;E os olhos do poeta encontraram-se com os da dona da casa. Fuzilaria.&lt;br /&gt;-- Quer que dona Xandoquinha toque a “Dalila” enquanto o senhor recita? perguntou o Cunha.&lt;br /&gt;-- Não, não é preciso acompanhamento, gemeu o poeta, penteando com os dedos a cabeleira farta .&lt;br /&gt;Dispensem-me os leitores de reproduzir a poesia inteira; basta dizer-lhes que a terceira quintilha rezava assim :&lt;br /&gt;“Queres saber, porém,&lt;br /&gt;Se algum afeto escondo&lt;br /&gt;No coração; pois bem,&lt;br /&gt;Senhora, eu te respondo&lt;br /&gt;Que nunca amei ninguém.”&lt;br /&gt;E que a última era do teor seguinte :&lt;br /&gt;“Em busca do meu bem,&lt;br /&gt;Irei como a andorinha&lt;br /&gt;Por esse mundo além;&lt;br /&gt;E uma alma irmã da minha&lt;br /&gt;Hei de encontrar também.”&lt;br /&gt;Sentou-se o poeta, e os aplausos rebentaram de todos os ângulos da sala. Dona Helena dava claramente a perceber com os olhos, a boca e as narinas que ela possuía uma alma irmã da de Passos Nogueira.&lt;br /&gt;E com tanta franqueza se entregava ao poeta, que este, aproveitando um momento em que a conversação se tornou geral, perguntou-lhe rapidamente:&lt;br /&gt;-- Como poderei falar-lhe ?&lt;br /&gt;Ela respondeu-lhe com um olhar docemente repreensivo, que ao mesmo tempo exprimia a impossibilidade de contestar por outra forma. Ele resignou-se.&lt;br /&gt;Mas dona Helena, ardilosa como todas as criaturas do seu sexo, propôs à sociedade um jogo de prendas. Alguns tímidos protestos se levantaram; a maioria, porém, acolheu com entusiasmo a proposta, e formou -se uma grande roda.&lt;br /&gt;Na ocasião da berlinda... Os leitores sabem o que é, num jogo de prendas, a berlinda? ... A pessoa sentenciada afasta-se para um canto da sala, e um dos circunstantes vai perguntar em segredo a cada um dos que tomaram parte no jogo porque aquela pessoa está na berlinda; depois repete alto e bom som todas as respostas.&lt;br /&gt;Passos Nogueira foi designado por dona Helena para esse serviço.&lt;br /&gt;Na berlinda estava um moço muito empomadado, caixeiro de um grande armarinho da rua do Ouvidor.&lt;br /&gt;O poeta vergava-se diante de todos para que sucessivamente lhe segredassem a resposta.&lt;br /&gt;Dizia um :&lt;br /&gt;-- Está na berlinda, porque gosta de andar de calças brancas.&lt;br /&gt;Outro:&lt;br /&gt;-- Está na berlinda, porque é muito amável.&lt;br /&gt;Dona Xandoquinha, a pianista :&lt;br /&gt;-- Está na berlinda, porque há uma baroneza viúva que simpatiza muito com ele.&lt;br /&gt;Chegou a vez de dona Helena. O poeta curvou-se e ela disse-lhe ao ouvido :&lt;br /&gt;-- Amanhã, ao meio - dia,na travessa de São Salvador. Leve um carro fechado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-7318356270680530786?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/7318356270680530786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=7318356270680530786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/7318356270680530786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/7318356270680530786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/arthur-azevedo-e-mulher-i-berlinda-um.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SbBEGa7WDiI/AAAAAAAAAZ4/PUVaATYqsyk/s72-c/leitor+I.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-2017099016102475814</id><published>2009-03-04T14:03:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T14:12:23.452-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa78qahQBmI/AAAAAAAAAZw/Kmnaycn58Ds/s1600-h/leitora+MA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309458816319882850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 101px; CURSOR: hand; HEIGHT: 124px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa78qahQBmI/AAAAAAAAAZw/Kmnaycn58Ds/s200/leitora+MA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Machado - II&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Trina e una&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A primeira coisa que há de espantar o leitor é o título, que lhe anuncia (posso dizê-lo desde já) três mulheres e uma só mulher. Há dois modos de explicar uma tal anomalia: — ou duas mulheres entram no conto indiretamente, são apenas citadas, e puxam os cordéis da ação do outro lado da página — ou as mulheres não passam de três gradações, três estados sucessivos da mesma pessoa. São os dois modos aparentes de definir o título, e, entretanto, não é nenhum deles, mas um terceiro, que eu guardo comigo, não para aguçar a curiosidade, mas porque não há analisá-lo sem expor o assunto.&lt;br /&gt;Vou expor o assunto. Comecemos por ela, a mulher una e trina. Está sentada numa loja, à rua da Quitanda, ao pé do balcão, onde há cinco ou seis caixas de rendas abertas e derramadas. Não escolhe nada, espera que o caixeiro lhe traga mais rendas, e olha para fora, para as pedras da rua, não para as pessoas que passam. Veste de preto, e o busto fica-lhe bem, assim comprimido na seda, e ornado de rendas finas e vidrilhos. Abana-se por distração; talvez olhe também por distração. Mas, seja ou não assim, abana-se e olha. Uma ou outra vez, recolhe a vista para dentro da loja, e percorre os demais balcões onde se acham senhoras que também escolhem, conversam e compram; mas é difícil ver nos movimentos da dama a menor sombra de interesse ou curiosidade. Os olhos vão de um lado a outro, e a cabeça atrás deles, sem ânimo nem vida, e depois aos desenhos do leque. Ela examina bem os desenhos, como se fossem novos, levanta-os, desce-os, fecha as varetas uma por uma, torna a abri-las, fecha-as de todo e bate com o leque no joelho. Que o leitor se não enfastie com tais minúcias; não há aí uma só palavra que não seja necessária.&lt;br /&gt;— Aqui estão estas que me parece que hão de agradar, disse o caixeiro voltando.&lt;br /&gt;A senhora pega das novas rendas, examina-as com vagar, quase digo com preguiça. Pega delas entre os dedos, fitando-lhes muito os olhos; depois procura a melhor luz; depois compara-as às outras, durante um largo prazo. O caixeiro acompanha-lhe os movimentos, ajuda-a, sem impaciência, porque sabe que ela há de gastar muito tempo, e acabar comprando. É freguesa da casa. Vem muitas vezes estar ali uma, duas horas, e às vezes mais. Hoje, por exemplo, entrou às duas horas e meia; são três horas dadas, e ela já comprou duas peças de fita; é alguma coisa, podia não ter escolhido nada.&lt;br /&gt;— Os desenhos não são feios, disse ela; mas não haverá outros?&lt;br /&gt;— Vou ver.&lt;br /&gt;— Olhe, desta mesma largura.&lt;br /&gt;Enquanto o caixeiro vai ver, ela passa as outras pelos olhos, distraidamente, recomeça a abanar-se, e afinal torna a cravar os olhos nas pedras da rua. As pedras é que não podem querer-lhe mal, porque os olhos são lindos, e o que está escondido dentro, como dizia Salomão, não parece menos lindo. São também claros, e movem-se por baixo de uma testa olímpica. Para avaliar o amor daqueles olhos às pedras da rua, é preciso considerar que o raio visual é muita vez atravessado por outros corpos, calças masculinas, vestidos femininos, um ou outro carro, mas é raro que os olhos se desviem mais de alguns segundos. Às vezes olham tão de dentro que nem mesmo isso; nenhum corpo lhes interrompe a vista. Ou de cansados, ou por outro motivo, fecham-se agora, lentamente, lentamente, não para dormir ou cochilar, pode ser que para refletir, pode ser que para coisa nenhuma. O leque, a pouco e pouco, vai parando, e descamba, aberto mesmo, no regaço da dona. Mas aí volta o caixeiro, e ela torna ao exame das rendas, à comparação, ao reparo, a achar que o tecido desta é melhor, que o desenho daquela é melhor, e que o preço daquela outra é ainda melhor que tudo. O caixeiro, inclinado, risonho, informa, discute, demonstra, concede, e afinal conclui o negócio; a dona leva tantos metros de uma e tantos de outra.&lt;br /&gt;Comprou; agora paga. Tira a carteirinha da bolsa, saca um maçozinho de notas, e, vagarosamente, puxa uma, enquanto o caixeiro faz a conta a lápis. Dá-lhe a nota, ele pega nela e nas rendas compradas e vai ao caixa; depois traz o troco e as compras.&lt;br /&gt;— Não há de querer mais nada? pergunta ele.&lt;br /&gt;— Não, responde ela sorrindo.&lt;br /&gt;E guarda o troco, enfia o dedo no rolozinho das compras, disposta a sair, mas não sai, deixa-se estar sentada. Parece-lhe que vai chover; di-lo ao caixeiro, que opina de modo contrário, e com razão, pois o tempo está seguro. Mas pode ser que a dama dissesse aquilo, como diria outra coisa qualquer, ou nada. A verdade é que tem o rolo enfiado no dedo, o leque fechado na mão, o chapelinho de sol em pé, com a mão sobre o cabo, prestes a sair, mas sem sair. Os olhos é que tornam à rua, às pedras, fixos como uma idéia de doido. Inclinado sobre o balcão, o caixeiro diz-lhe alguma coisa, uma ou outra palavra, para corresponder tanto ou quanto ao sorriso maligno de um colega, que está no balcão fronteiro. É opinião deste que a dama em questão, que não quer outra pessoa que a sirva, senão o mesmo caixeiro, anda namorada dele. Vendo que ela está pronta para ir-se e não vai, sorri velhacamente, mas com disfarce, olhando para as agulhas que serve a uma freguesa. Daí as palavras do outro, acerca disto ou daquilo, palavras que a dama não ouve, porque realmente tem os olhos parados e esquecidos.&lt;br /&gt;Já falei das calças masculinas, que de quando em quando cortam o raio visual da nossa dama. Toda a gente que sabe ler, que conhece a alma do licenciado Garcia, compreendeu que eu não apontei uma tal circunstância para ter o vão gosto de dizer que andam calças na rua, mas por um motivo mais alto e recôndito; para acompanhar de longe a entrada de um homem na loja. Puro efeito de arte; cálculo e combinação de gestos. São assim as obras meditadas; são assim os longos frutos de longa gestação. Podia fazer entrar este homem sem nenhum preparo anterior, fazê-lo entrar assim mesmo, de chapéu na mão, e cumprimentar a dama, que lhe pergunta como está, chamando-lhe doutor; mas eu pergunto se não é melhor que o leitor, ainda sem o saber, esteja advertido de uma tal entrada. Não há duas respostas.&lt;br /&gt;Se ela lhe chamou doutor, ele chamou-lhe D. Clara, falaram dez minutos, se tanto, até que ela dispôs-se definitivamente a sair; ao menos, disse-o ao recém-chegado. Este era um homem de trinta e dois a trinta e quatro anos, não feio, antes simpático que bonito, feições acentuadas do Norte, estatura mediana, e um grande ar de seriedade. A vontade que ele tinha era de ficar ali com ela, ainda uma meia hora, ou acompanhá-la à casa. A prova está no ar comovido com que lhe fala, dependente, suplicante quase; os modos dela é que não animam nada. Sorriu uma ou duas vezes, para ele, mas um sorriso sem significação, ou com esta significação: — “sei o que queres; continua a andar”.&lt;br /&gt;— Bem, disse ele; se me dá licença...&lt;br /&gt;— Pois não. Até quando?&lt;br /&gt;— Não vai hoje ao Matias?&lt;br /&gt;— Vou... Até lá.&lt;br /&gt;— Até lá.&lt;br /&gt;Saiu ele, e foi esperar pouco adiante, não para acompanhá-la, mas para vê-la sair, para gozá-la com os olhos, vê-la andar, pisar de um modo régio e tranqüilo. Esperou cinco minutos, depois dez, depois vinte; aos vinte e um minutos é que ela saiu da loja. Tão agitado estava ele que não pôde saborear nada; não pôde admirar de longe a figura, realmente senhoril, da nossa dama. Ao contrário, parece que até lhe fazia mal. Mordeu o beiço, por baixo do bigode, e caminhou para o outro lado, resolvendo não ir ao Matias, resolvendo depois o contrário, desejoso de tirar aquela mulher de diante de si e não querendo senão fixá-la diante de si por toda a eternidade. Parece enigmático, e não há nada mais límpido.&lt;br /&gt;Clara foi dali para a rua do Lavradio. Morava com a mãe. Eram cinco horas dadas, e D. Antônia não gostava de jantar tarde; mas já devia esperar isto mesmo, pensava ela: a filha só voltava cedo quando ela a acompanhava; em saindo só, ficava horas e horas.&lt;br /&gt;— Anda, anda, é tarde, disse-lhe a mãe.&lt;br /&gt;Clara foi despir-se. Não se despiu às pressas, para condescender com a mãe, ou fazer-se perdoar a demora; mas, vagarosamente. No fim reclinou-se no sofá com os olhos no ar.&lt;br /&gt;— Nhanhã não vai jantar? perguntou-lhe uma negrinha de quinze anos, que a acompanhara ao quarto.&lt;br /&gt;Não respondeu; posso mesmo dizer que não ouviu. Tinha os olhos, não já no ar, como há pouco, mas numa das flores do papel que forrava o quarto; pela primeira vez reparou que as flores eram margaridas. E passou os olhos de uma a outra, para verificar se a estrutura era a mesma, e achou que era a mesma. Não é esquisito? Margaridas pintadas em papel. Ao mesmo tempo que reparava nas pinturas, ia-se sentindo bem, espreguiçando-se moralmente, e mergulhando na atonia do espírito. De maneira que a negrinha falou-lhe uma e duas vezes, sem que ela ouvisse coisa nenhuma; foi preciso chamá-la terceira vez, alteando a voz:&lt;br /&gt;— Nhanhã!&lt;br /&gt;— Que é?&lt;br /&gt;— Sinhá velha está esperando para jantar.&lt;br /&gt;Desta vez, levantou-se e foi jantar. D. Antônia contou-lhe as novidades de casa; Clara referiu-lhe algumas reminiscências da rua. A mais importante foi o encontro do Dr. Severiano. Era assim que se chamava o homem que vimos na loja da rua da Quitanda.&lt;br /&gt;— É verdade, disse a mãe, temos de ir à casa do Matias.&lt;br /&gt;— Que maçada! suspirou Clara.&lt;br /&gt;— Também você tudo lhe maça! exclamou D. Antônia. Pois que mal há em passar uma noite agradável, entre meia dúzia de pessoas? Antes de meia-noite está tudo acabado.&lt;br /&gt;Este Matias era um dos autores da situação em que o Severiano se acha. O ministro da Justiça era o outro. Severiano viera do norte entender-se com o governo, acerca de uma remoção: era juiz de direito na Paraíba. Para se lhe dar a comarca que ele pediu, tornava-se necessário fazer outra troca, e o ministro disse-lhe que esperasse. Esperou, visitou algumas vezes o Matias, seu comprovinciano e advogado. Foi ali que uma noite encontrou a nossa Clara, e ficou um tanto namorado dela. Não era ainda paixão; por isso falou ao amigo com alguma liberdade, confessou-lhe que a achava bonita, chegaram a empregar entre eles algumas galhofas maduras e inocentes; mas afinal, perguntou-lhe o Matias:&lt;br /&gt;— Agora falando sério, você por que é que não casa com ela?&lt;br /&gt;— Casar?&lt;br /&gt;— Sim, são viúvos, podem consolar-se um ao outro. Você está com trinta e quatro, não?&lt;br /&gt;— Feitos.&lt;br /&gt;— Ela tem vinte e oito; estão mesmo ajustadinhos. Valeu?&lt;br /&gt;— Não valeu.&lt;br /&gt;Matias abanou a cabeça: — Pois, meu amigo, lá namoro de passagem é que você não pilha; é uma senhora muito séria. Mas, que diabo! Você com certeza casa outra vez; se há de cair em alguma que não mereça nada, não é melhor esta que eu lhe afianço?&lt;br /&gt;Severiano repeliu a proposta, mas concordou que a dama era bonita. Viúva de quem? Matias explicou-lhe que era viúva de um advogado, e tinha alguma coisa de seu; uma renda de seis contos. Não era muito, mas com os vencimentos de magistrado, numa boa comarca, dava para pôr o céu na terra, e só um insensato desprezaria uma tal pepineira.&lt;br /&gt;— Cá por mim, lavo as mãos, concluiu ele.&lt;br /&gt;— Podes limpá-las à parede, replicou Severiano rindo.&lt;br /&gt;Má resposta; digo má por inútil. Matias era serviçal até ao enfado. De si para si entendeu que devia casá-los, ainda que fosse tão difícil como casar o Grão-Turco e a república de Veneza; e uma vez que o entendia assim, jurou cumpri-lo. Multiplicou as reuniões íntimas, fazia-os conversar muitas vezes, a sós, arranjou que ela lhe oferecesse a casa, e o convidasse também para as reuniões que dava às vezes; fez obra de paciência e tenacidade. Severiano resistiu, mas resistiu pouco; estava ferido, e caiu. Clara, porém, é que não lhe dava a menor animação, a tal ponto que se o ministro da Justiça o despachasse, Severiano fugiria logo, sem pensar mais em nada; é o que ele dizia a si mesmo, sinceramente, mas dada a diferença que vai do vivo ao pintado, podemos crer que fugiria lentamente, e pode ser até que se deixasse ficar. A verdade é que ele começou a não perseguir o ministro, dando como razão que era melhor não exaurir-lhe a boa vontade; importunações estragam tudo. E voltou-se para Clara, que continuou a não o tratar mal, sem todavia passar da estrita polidez. Às vezes parecia-lhe ver nos modos dela um tal ou qual constrangimento, como de pessoa que apenas suporta a outra. Ódio não era; ódio, por quê? Mas ninguém obsta uma antipatia, e as melhores pessoas do mundo podem não ser arrastadas uma para a outra. As maneiras dela na loja vieram confirmar-lhe a suspeita; tão seca! tão fria!&lt;br /&gt;— Não há dúvida, pensava ele; detesta-me; mas que lhe fiz eu?&lt;br /&gt;Entre ir e não ir à casa do Matias, Severiano adotou um meio-termo: era ir tarde, muito tarde. A razão secreta é tão pueril que não me animo a escrevê-la; mas o amor absolve tudo. A secreta razão era dissimular quaisquer impaciências namoradas, mostrar que não fazia caso dela, e ver se assim... Compreenderam, não? Era a aplicação daquele pensamento, que não sei agora, se é oriental ou ocidental, em que se compara a mulher à sombra: segue-se a sombra, ela foge; foge-se, ela segue. Criancices de amor — ou para escrever francamente o pleonasmo: criancices de criança. Sabe Deus se lhe custou esperar! Mas esperou, lendo, andando, mordendo o bigode, olhando para o chão, chegando o relógio ao ouvido para ver se estava parado. Afinal foi; eram dez horas, quando entrou na sala.&lt;br /&gt;— Tão tarde! disse-lhe o Matias. Esta senhora já tinha notado a sua falta.&lt;br /&gt;Severiano cumprimentou friamente, mas a viúva, que olhava para ele de um modo oblíquo, conheceu que era afetação. Parece que sorriu, mas foi para dentro; em todo o caso, pediu-lhe que se sentasse ao pé dela; queria consultá-lo sobre uma coisa, uma teima que tivera na véspera com a mulher do chefe de polícia. Severiano sentou-se trêmulo.&lt;br /&gt;Não nos importa a matéria da consulta; era um pretexto para conversação. Severiano demorou o mais que pôde a solução pedida, e quando lhe deu, ela pensava tão pouco em ouvi-la que não sabia já de que se tratava. Olhava então para o espelho ou para as cortinas; creio que era para as cortinas.&lt;br /&gt;Matias, que os espreitara de longe, veio ter com eles, sentou-se e declarou que trazia uma denúncia na ponta da língua.&lt;br /&gt;— Diga, diga, insistiu ela.&lt;br /&gt;— Digo? perguntou ele ao outro.&lt;br /&gt;Severiano enfiou, e não respondeu logo, mas, teimando o amigo, respondeu que sim. Aqui peço perdão da frivolidade e da impertinência do Matias; não hei de inventar um homem grave e hábil só para evitar uma certa impressão às leitoras. Tal era ele, tal o dou. A denúncia que ele trazia era a da partida próxima do Severiano, mentira pura, com o único fim de provocar da parte de D. Clara uma palavra amiga, um pedido, uma esperança. A verdade é que D. Clara sentiu-se penalizada. Quê? ia-se embora? e para não voltar mais?&lt;br /&gt;— Afinal serei obrigado a isso mesmo, disse Severiano: não posso ficar toda a vida aqui. Já estou há muito, a licença acaba.&lt;br /&gt;— Vê? disse Matias voltando-se para a viúva.&lt;br /&gt;Clara sorriu, mas não disse nada. Entretanto, o juiz de direito, entusiasmado, confessou que não iria sem grandes saudades da corte. Levarei as melhores recordações da minha vida, concluiu.&lt;br /&gt;O resto da noite foi agradável. Severiano saiu de lá com as esperanças remoçadas. Era evidente que a viúva chegaria a aceitá-lo, pensava ele consigo; e a primitiva idéia do ódio era simplesmente insensata. Por que é que lhe teria ódio? Podia ser antipatia, quando muito; mas nem era antipatia. A prova era a maneira por que o tratou, parecendo-lhe mesmo que, à saída, um aperto de mão mais forte... Não jurava, mas parecia-lhe...&lt;br /&gt;Este período durou pouco mais de uma semana. O primeiro encontro seguinte foi em casa dela, onde a visitou. Clara recebeu-o sem alvoroço, ouviu-lhe dizer algumas coisas sem lhe prestar grande atenção; mas, como no fim confessou que lhe doía a cabeça, Severiano agarrou-se a esta razão para explicar uns modos que traziam ares de desdém. O segundo encontro foi no teatro.&lt;br /&gt;— Que tal acha a peça? perguntou ela logo que ele entrou no camarote.&lt;br /&gt;— Acho-a bonita.&lt;br /&gt;— Justamente, disse a mãe. Clara é que está aborrecida.&lt;br /&gt;— Sim?&lt;br /&gt;— Cismas de mamãe. Mas então parece-lhe que a peça é bonita?&lt;br /&gt;— Não me parece feia.&lt;br /&gt;— Por quê?&lt;br /&gt;Severiano sorriu, depois procurou dar algumas das razões que o levavam a achar a peça bonita. Enquanto ele falava ela olhava para ele abanando-se, depois os olhos amorteceram-se-lhe um pouco, finalmente ela encostou o leque aberto à boca, para bocejar. Foi, ao menos, o que ele pensou, e podem imaginar se o pensou alegremente. A mãe aprovava tudo, porque gostava do espetáculo, e tanto mais era sincera, quanto que não queria vir ao teatro; mas a filha é que teimou até o ponto de a obrigar a ceder. Cedeu, veio, gostou da peça, e a filha é que ficou aborrecida, e ansiosa de ir embora. Tudo isso disse ela rindo ao juiz de direito; Clara mal protestava, olhava para a sala, abanava-se, tapava a boca, e como que pedia a Deus que, quando menos, a não destruir o universo, lhe levasse aquele homem para fora do camarote. Severiano percebeu que era demais e saiu.&lt;br /&gt;Durante os primeiros minutos, não soube ele o que pensasse; mas, afinal, recapitulou a conversa, considerou os modos da viúva, e concluiu que havia algum namorado.&lt;br /&gt;— Não há que ver, é isto mesmo, disse ele consigo; quis vir ao teatro, contando que ele viesse; não o achando, está aborrecida. Não é outra coisa.&lt;br /&gt;Era a segunda explicação das maneiras da viúva. A primeira, ódio ou aversão natural, foi abandonada por inverossímil; restava um namoro, que não só era verossímil, mas tinha tudo por si. Severiano entendeu desde logo que o único procedimento correto era deixar o campo, e assim fez. Para escapar às exortações de Matias, não lhe diria nada, e passou a visitá-lo poucas vezes. Assim se passaram cinco ou seis semanas. Um dia, viu Clara na rua, cumprimentou-a, ela falou-lhe friamente, e foi andando. Viu-a ainda duas vezes, uma na mesma loja da rua da Quitanda, outra à porta de um dentista. Nenhuma alteração para melhor; tudo estava acabado.&lt;br /&gt;Entretanto, apareceu o despacho do Severiano, a remoção de comarca. Ele preparou-se para seguir viagem, com grande espanto do amigo Matias, que imaginava o namoro a caminho, e cria que eles haviam chegado ao período da discrição. Quando soube que não era assim, caiu das nuvens. Severiano disse-lhe que era negócio acabado; Clara tinha alguma aventura.&lt;br /&gt;— Não creio, reflexionou Matias; é uma senhora severa.&lt;br /&gt;— Pois será uma aventura severa, concordou o juiz de direito; em todo caso, nada tenho com isto, e vou-me embora.&lt;br /&gt;Matias refutou a opinião, e acabou dizendo que uma vez que ele recusava, não faria mais nada — exceto uma coisa única. Essa coisa, que ele não disse o que era, foi nada menos que ir diretamente à viúva e falar-lhe da paixão do amigo. Clara sabia que era amada, mas estava longe de imaginar a paixão que o Matias lhe pintou, e a primeira impressão foi de aborrecimento.&lt;br /&gt;— Que quer que lhe faça? perguntou ela.&lt;br /&gt;— Peço-lhe que reflita e veja se um homem tão distinto não é um marido talhado no céu. Eu não conheço outro tão digno...&lt;br /&gt;— Não tenho vontade de casar.&lt;br /&gt;— Se me jura que não casa, retiro-me; mas se tiver de casar um dia, por que não aproveita esta ocasião?&lt;br /&gt;— Grande amigo é o senhor do seu amigo.&lt;br /&gt;— E por que não seu?&lt;br /&gt;Clara sorriu, e apoiando os cotovelos nos braços da poltrona, começou a brincar com os dedos. A teima começava a impacientá-la. Era capaz de ceder, só para não ouvir falar mais nisto. Afinal agarrou-se à impossibilidade material; ele vai para uma comarca interior, ela nunca sairia do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;— Tal é a dúvida? perguntou o Matias.&lt;br /&gt;— Parece-lhe pouco?&lt;br /&gt;— De maneira que, se ele aqui ficasse, a senhora casava?&lt;br /&gt;— Casava, respondeu Clara olhando distraidamente para os pingentes do lustre.&lt;br /&gt;Distração do diabo! Foi o que a perdeu, porque o Matias fez daquela resposta um protocolo. A questão era alcançar que o Severiano ficasse, e não gastou dez minutos nessa outra empresa. Clara, apanhada no laço, fez boa cara, e aceitou o noivo sorrindo. Tratou-o mesmo com tais agrados que ele pensou nas palavras do amigo; acreditou que, em substância, era grandemente amado, e que ela não fizera mais do que ceder aos poucos.&lt;br /&gt;Mas essa terceira razão era tão contrária à realidade como as outras duas; — nem ela o amava, nem lhe tinha ódio, nem amava a outro. A verdade única e verdadeira é que ela era um modelo acabado de inércia moral; e, casou para acabar com a importunação do Matias. Casaria com o diabo, se fosse necessário. Severiano reconheceu isso mesmo com o tempo. Uma vez casada, Clara ficou sendo o que sempre fora, capaz de gastar duas horas numa loja, quatro num canapé, vinte numa cama com o pensamento em coisa nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-size:78%;"&gt;publicado originalmente em &lt;em&gt;A Estação&lt;/em&gt; 1884&lt;/span&gt;]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-2017099016102475814?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/2017099016102475814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=2017099016102475814&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2017099016102475814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/2017099016102475814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/machado-ii-trina-e-una-primeira-coisa.html' title=''/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa78qahQBmI/AAAAAAAAAZw/Kmnaycn58Ds/s72-c/leitora+MA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-484561556423529867</id><published>2009-03-03T02:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T02:55:14.203-08:00</updated><title type='text'>viva a MULHER !</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa0MhU2wBzI/AAAAAAAAAZg/hxe5W-wyyuY/s1600-h/Capitu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308913302413248306" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 99px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa0MhU2wBzI/AAAAAAAAAZg/hxe5W-wyyuY/s200/Capitu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;esta semana é toda ela de loas e mais loas a Ela. ao texto ao lado acolplam-se contos de três autores que tiveram a mulher como protagonista e&lt;/em&gt; leitmotiv.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Singular ocorrência&lt;br /&gt;— Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no adro para dar uma esmola.&lt;br /&gt;— De preto?&lt;br /&gt;— Justamente; lá vai entrando; entrou.&lt;br /&gt;— Não ponha mais na carta. Esse olhar está dizendo que a dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz.&lt;br /&gt;— Deve ter quarenta e seis anos.&lt;br /&gt;— Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão, e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— Bem; o marido ainda vive. É velho?&lt;br /&gt;— Não é casada.&lt;br /&gt;— Solteira?&lt;br /&gt;— Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal. Em 1860 florescia com o nome familiar de Marocas. Não era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta e, seguramente, mais linda do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com o vestido afogado, escorrido, sem espavento, arrastava a muitos, ainda assim.&lt;br /&gt;— Por exemplo, ao senhor.&lt;br /&gt;— Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas Alagoas, e casado na Bahia, de onde viera em 1859. Era bonita a mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os conheci, tinham uma filhinha de dois anos.&lt;br /&gt;— Apesar disso, a Marocas...?&lt;br /&gt;— É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-lhe uma coisa interessante.&lt;br /&gt;— Diga.&lt;br /&gt;— A primeira vez que ele a encontrou, foi à porta da loja Paula Brito, no Rocio. Estava ali, viu a distância uma mulher bonita, e esperou, já alvoroçado, porque ele tinha em alto grau a paixão das mulheres. Marocas vinha andando, parando e olhando como quem procura alguma casa. Defronte da loja deteve-se um instante; depois, envergonhada e a medo, estendeu um pedacinho de papel ao Andrade, e perguntou-lhe onde ficava o número ali escrito. Andrade disse-lhe que do outro lado do Rocio, e ensinou-lhe a altura provável da casa. Ela cortejou com muita graça; ele ficou sem saber o que pensasse da pergunta.&lt;br /&gt;— Como eu estou.&lt;br /&gt;— Nada mais simples: Marocas não sabia ler. Ele não chegou a suspeitá-lo. Viu-a atravessar o Rocio, que ainda não tinha estátua nem jardim, e ir à casa que buscava, ainda assim perguntando em outras. De noite foi ao Ginásio; dava-se a “Dama das camélias”; Marocas estava lá, e, no último ato, chorou como uma criança. Não lhe digo nada; no fim de quinze dias amavam-se loucamente. Marocas despediu todos os seus namorados, e creio que não perdeu pouco; tinha alguns capitalistas bem bons. Ficou só, sozinha, vivendo para o Andrade, não querendo outra afeição, não cogitando de nenhum outro interesse.&lt;br /&gt;— Como a ‘dama das camélias’.&lt;br /&gt;— Justo. Andrade ensinou-lhe a ler. Estou mestre-escola, disse-me ele um dia; e foi então que me contou a anedota do Rocio. Marocas aprendeu depressa. Compreende-se; o vexame de não saber, o desejo de conhecer os romances em que ele lhe falava, e finalmente o gosto de obedecer a um desejo dele, de lhe ser agradável... Não me encobriu nada; contou-me tudo com um riso de gratidão nos olhos, que o senhor não imagina. Eu tinha a confiança de ambos. Jantávamos às vezes os três juntos; e... não sei por que negá-lo — algumas vezes os quatro. Não cuide que eram jantares de gente pândega; alegres, mas honestos. Marocas gostava da linguagem afogada, como os vestidos. Pouco a pouco estabeleceu-se intimidade entre nós; ela interrogava-me acerca da vida do Andrade, da mulher, da filha, dos hábitos dele, se gostava deveras dela, ou se era um capricho, se tivera outros, se era capaz de a esquecer, uma chuva de perguntas, e um receio de o perder, que mostravam a força e a sinceridade da afeição... Um dia, uma festa de S. João, o Andrade acompanhou a família à Gávea, onde ia assistir a um jantar e um baile; dois dias de ausência. Eu fui com eles. Marocas, ao despedir-se, recordou a comédia que ouvira algumas semanas antes no Ginásio — “Janto com minha mãe” — e disse-me que, não tendo família para passar a festa de S. João, ia fazer como a Sofia Arnoult da comédia, ia jantar com um retrato; mas não seria o da mãe, porque não tinha, e sim do Andrade. Este dito ia-lhe rendendo um beijo; o Andrade chegou a inclinar-se; ela, porém, vendo que eu estava ali, afastou-o delicadamente com a mão.&lt;br /&gt;— Gosto desse gesto.&lt;br /&gt;— Ele não gostou menos. Pegou-lhe na cabeça com ambas as mãos, e, paternalmente, pingou-lhe o beijo na testa. Seguimos para a Gávea. De caminho disse-me a respeito da Marocas as maiores finezas, contou-me as últimas frioleiras de ambos, falou-me do projeto que tinha de comprar-lhe uma casa em algum arrabalde, logo que pudesse dispor de dinheiro; e, de passagem, elogiou a modéstia da moça, que não queria receber dele mais do que o estritamente necessário. Há mais do que isso, disse-lhe eu, e contei-lhe uma coisa que sabia, isto é, que cerca de três semanas antes a Marocas empenhara algumas jóias para pagar uma conta da costureira. Esta notícia abalou-o muito; não juro, mas creio que ficou com os olhos molhados. Em todo caso, depois de cogitar algum tempo, disse-me que definitivamente ia arranjar-lhe uma casa e pô-la ao abrigo da miséria. Na Gávea ainda falamos da Marocas, até que as festas acabaram, e nós voltamos. O Andrade deixou a família em casa, na Lapa, e foi ao escritório aviar alguns papéis urgentes. Pouco depois do meio-dia apareceu-lhe um tal Leandro, ex-agente de certo advogado a pedir-lhe, como de costume, dois ou três mil-réis. Era um sujeito reles e vadio. Vivia a explorar os amigos do antigo patrão. Andrade deu-lhe três mil-réis, e, como o visse excepcionalmente risonho, perguntou-lhe se tinha visto passarinho verde. O Leandro piscou os olhos e lambeu os beiços: o Andrade, que dava o cavaco por anedotas eróticas, perguntou-lhe se eram amores. Ele mastigou um pouco, e confessou que sim.&lt;br /&gt;— Olhe; lá vem ela saindo; não é ela?&lt;br /&gt;— Ela mesma; afastemo-nos da esquina.&lt;br /&gt;— Realmente, deve ter sido muito bonita. Tem um ar de duquesa.&lt;br /&gt;— Não olhou para cá; não olha nunca para os lados. Vai subir pela rua do Ouvidor...&lt;br /&gt;— Sim, senhor. Compreendo o Andrade.&lt;br /&gt;— Vamos ao caso. O Leandro confessou que tivera na véspera uma fortuna rara, ou antes única, uma coisa que ele nunca esperara achar, nem merecia mesmo, porque se conhecia e não passava de um pobre-diabo. Mas, enfim, os pobres também são filhos de Deus. Foi o caso que, na véspera, perto das dez horas da noite, encontrara no Rocio uma dama vestida com simplicidade, vistosa de corpo, e muito embrulhada num xale grande. A dama vinha atrás dele, e mais depressa; ao passar rentezinha com ele, fitou-lhe muito os olhos, e foi andando devagar, como quem espera. O pobre-diabo imaginou que era engano de pessoa; confessou ao Andrade que, apesar da roupa simples, viu logo que não era coisa para os seus beiços. Foi andando; a mulher, parada, fitou-o outra vez, mas com tal instância, que ele chegou atrever-se um pouco; ela atreveu-se o resto... Ah! um anjo! E que casa, que sala rica! Coisa papa-fina. E depois o desinteresse... “Olhe, acrescentou ele, para V. S. é que era um bom arranjo.” Andrade abanou a cabeça; não lhe cheirava o comborço. Mas o Leandro teimou; era na rua do Sacramento, número tantos...&lt;br /&gt;— Não me diga isso!&lt;br /&gt;— Imagine como não ficou o Andrade. Ele mesmo não soube o que fez nem o que disse durante os primeiros minutos, nem o que pensou nem o que sentiu. Afinal teve força para perguntar se era verdade o que estava contando; mas o outro advertiu que não tinha nenhuma necessidade de inventar semelhante coisa; vendo, porém, o alvoroço do Andrade, pediu-lhe segredo, dizendo que ele, pela sua parte, era discreto. Parece que ia sair; Andrade deteve-o, e propôs-lhe um negócio; propôs-lhe ganhar vinte mil-réis. — “Pronto!” — “Dou-lhe vinte mil-réis, se você for comigo à casa dessa moça e disser em presença dela que é ela mesma.”&lt;br /&gt;— Oh!&lt;br /&gt;— Não defendo o Andrade; a coisa não era bonita; mas a paixão, nesse caso, cega os melhores homens. Andrade era digno, generoso, sincero; mas o golpe fora tão profundo, e ele amava-a tanto, que não recuou diante de uma tal vingança.&lt;br /&gt;— O outro aceitou?&lt;br /&gt;— Hesitou um pouco, estou que por medo, não por dignidade, mas vinte mil-réis... Pôs uma condição: não metê-lo em barulhos... Marocas estava na sala, quando o Andrade entrou. Caminhou para a porta, na intenção de o abraçar; mas o Andrade advertiu-a, com o gesto, que trazia alguém. Depois, fitando-a muito, fez entrar o Leandro; Marocas empalideceu. — “É esta senhora?” perguntou ele. — “Sim, senhor”, murmurou o Leandro com voz sumida, porque há ações ainda mais ignóbeis do que o próprio homem que as comete. Andrade abriu a carteira com grande afetação, tirou uma nota de vinte mil-réis e deu-lha; e, com a mesma afetação, ordenou-lhe que se retirasse. O Leandro saiu. A cena que se seguiu foi breve, mas dramática. Não a soube inteiramente, porque o próprio Andrade é que me contou tudo, e, naturalmente, estava tão atordoado, que muita coisa lhe escapou. Ela não confessou nada; mas estava fora de si, e, quando ele, depois de lhe dizer as coisas mais duras do mundo, atirou-se para a porta, ela rojou-se-lhe aos pés, agarrou-lhe as mãos, lacrimosa, desesperada, ameaçando matar-se; e ficou atirada ao chão, no patamar da escada; ele desceu vertiginosamente e saiu.&lt;br /&gt;— Na verdade, um sujeito reles, apanhado na rua; provavelmente eram hábitos dela?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— Não?&lt;br /&gt;— Ouça o resto. De noite seriam oito horas, o Andrade veio à minha casa, e esperou por mim. Já me tinha procurado três vezes. Fiquei estupefato; mas como duvidar, se ele tivera a precaução de levar a prova até à evidência? Não lhe conto o que ouvi, os planos de vingança, as exclamações, os nomes que lhe chamou, todo o estilo e todo o repertório dessas crises. Meu conselho foi que a deixasse; que, afinal, vivesse para a mulher e a filha, a mulher tão boa, tão meiga... Ele concordava, mas tornava ao furor. Do furor passou à dúvida; chegou a imaginar que a Marocas, com o fim de o experimentar, inventara o artifício e pagara ao Leandro para vir dizer-lhe aquilo; e a prova é que o Leandro, não querendo ele saber quem era, teimou e lhe disse a casa e o número. E agarrado a esta inverossimilhança, tentava fugir à realidade; mas a realidade vinha — a palidez de Marocas, a alegria sincera do Leandro, tudo o que lhe dizia que a aventura era certa. Creio até que ele arrependia-se de ter ido tão longe. Quanto a mim, cogitava na aventura, sem atinar com a explicação. Tão modesta! maneiras tão acanhadas!&lt;br /&gt;— Há uma frase de teatro que pode explicar a aventura, uma frase de Augier, creio eu: “ a nostalgia da lama”.&lt;br /&gt;— Acho que não; mas vá ouvindo. Às dez horas apareceu-nos em casa uma criada de Marocas, uma preta forra, muito amiga da ama. Andava aflita em procura do Andrade, porque a Marocas, depois de chorar muito, trancada no quarto, saiu de casa sem jantar, e não voltara mais. Contive o Andrade, cujo primeiro gesto foi para sair logo. A preta pedia-nos por tudo, que fôssemos descobrir a ama. “Não é costume dela sair?” perguntou o Andrade com sarcasmo. Mas a preta disse que não era costume. “Está ouvindo?” bradou ele para mim. Era a esperança que de novo empolgara o coração do pobre diabo. “E ontem?...” disse eu. A preta respondeu que na véspera sim; mas não lhe perguntei mais nada, tive compaixão do Andrade, cuja aflição crescia, e cujo pundonor ia cedendo diante do perigo. Saímos em busca da Marocas; fomos a todas as casas em que era possível encontrá-la; fomos à polícia; mas a noite passou-se sem outro resultado. De manhã voltamos à polícia. O chefe ou um dos delegados, não me lembra, era amigo do Andrade, que lhe contou da aventura a parte conveniente; aliás a ligação do Andrade e da Marocas era conhecida de todos os seus amigos. Pesquisou-se tudo; nenhum desastre se dera durante a noite; as barcas da Praia Grande não viram cair ao mar nenhum passageiro; as casas de armas não venderam nenhuma; as boticas nenhum veneno. A polícia pôs em campo todos os seus recursos, e nada. Não lhe digo o estado de aflição em que o pobre Andrade viveu durante essas longas horas, porque todo o dia se passou em pesquisas inúteis. Não era só a dor de a perder; era também o remorso, a dúvida, ao menos, da consciência, em presença de um possível desastre, que parecia justificar a moça. Ele perguntava-me, a cada passo, se não era natural fazer o que fez, no delírio da indignação, se eu não faria a mesma coisa. Mas depois tornava a afirmar a aventura, e provava-me que era verdadeira, com o mesmo ardor com que na véspera tentara provar que era falsa; o que ele queria era acomodar a realidade ao sentimento da ocasião.&lt;br /&gt;— Mas, enfim, descobriram a Marocas?&lt;br /&gt;— Estávamos comendo alguma coisa, em um hotel, eram perto de oito horas, quando recebemos notícia de um vestígio: — um cocheiro que levara na véspera uma senhora para o Jardim Botânico, onde ela entrou em uma hospedaria, e ficou. Nem acabamos o jantar; fomos no mesmo carro ao Jardim Botânico. O dono da hospedaria confirmou a versão; acrescentando que a pessoa se recolhera a um quarto, não comera nada desde que chegou na véspera; apenas pediu uma xícara de café; parecia profundamente abatida. Encaminhamo-nos para o quarto; o dono da hospedaria bateu à porta; ela respondeu com voz fraca, e abriu. O Andrade nem me deu tempo de preparar nada; empurrou-me, e caíram nos braços um do outro. Marocas chorou muito e perdeu os sentidos.&lt;br /&gt;— Tudo se explicou?&lt;br /&gt;— Coisa nenhuma. Nenhum deles tornou ao assunto; livres de um naufrágio, não quiseram saber nada da tempestade que os meteu a pique. A reconciliação fez-se depressa. O Andrade comprou-lhe, meses depois, uma casinha em Catumbi; a Marocas deu-lhe um filho, que morreu de dois anos. Quando ele seguiu para o Norte, em comissão do governo, a afeição era ainda a mesma, posto que os primeiros ardores não tivessem já a mesma intensidade. Não obstante, ela quis ir também; fui eu que a obriguei a ficar. O Andrade contava tornar ao fim de pouco tempo, mas, como lhe disse, morreu na província. A Marocas sentiu profundamente a morte, pôs luto, e considerou-se viúva; sei que nos três primeiros anos, ouvia sempre uma missa no dia aniversário. Há dez anos perdi-a de vista. Que lhe parece tudo isto?&lt;br /&gt;— Realmente, há ocorrências bem singulares, se o senhor não abusou da minha ingenuidade de rapaz para imaginar um romance...&lt;br /&gt;— Não inventei nada; é a realidade pura.&lt;br /&gt;— Pois, senhor, é curioso. No meio de uma paixão tão ardente, tão sincera... Eu ainda estou na minha; acho que foi a nostalgia da lama.&lt;br /&gt;— Não: nunca a Marocas desceu até os Leandros.&lt;br /&gt;— Então por que desceria naquela noite?&lt;br /&gt;— Era um homem que ela supunha separado, por um abismo, de todas as suas relações pessoais; daí a confiança. Mas o acaso, que é um deus e um diabo ao mesmo tempo... Enfim, coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-484561556423529867?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/484561556423529867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=484561556423529867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/484561556423529867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/484561556423529867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/03/viva-mulher.html' title='viva a MULHER !'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/Sa0MhU2wBzI/AAAAAAAAAZg/hxe5W-wyyuY/s72-c/Capitu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-6561740737434294666</id><published>2009-02-23T05:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T05:50:28.885-08:00</updated><title type='text'>história triste para um dia alegre,avisa o Autor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaKpgfIZ_GI/AAAAAAAAAZY/Mva8-a3DAfs/s1600-h/AA+1906.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305989686573530210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaKpgfIZ_GI/AAAAAAAAAZY/Mva8-a3DAfs/s200/AA+1906.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;o título acima é o subtítulo que Arthur Azevedo apôs no conto -- per se, exemplo lapidar da ficção azevedina, em que o cômico se une ao trágico, sob os panos de fundo ,comuns ao conto e ao teatro, da vida conjugal,relações afetivas, infidelidades, a cidade do Rio de Janeiro &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;O palhaço&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como se explica que o Saraiva, um homem que tomava a sério as coisas mais cômicas da vida, e, segundo afirmavam as pessoas que o conheciam mais de perto, nunca ninguém viu rir, como se explica que o Saraiva, na terça-feira gorda de 1885, saísse de casa depois de jantar e, sem dizer nada à senhora, comprasse uma vestimenta de palhaço, uma cabeleira e uma máscara, e com tais objetos se metesse no seu escritório na rua do Hospício, de onde saiu disfarçado? Ninguém diria que escondido naquela roupa alegre, muito branca e semeada de rodinhas vermelhas, e por baixo daquela cabeleira azul, encimada por um chapeuzinho minúsculo e pontiagudo, e por trás daquela carranca jocosa, que ria de um rir comunicativo, estivesse o grave comerciante, que parecia haver nascido para vida monástica.&lt;br /&gt;A esposa desse urso, D. Balbina, era, quando se casou, uma rapariga expansiva e risonha; teve, porém, que se submeter ao feitio dele: tornou-se tão séria e tão sensaborona como o Saraiva, e, sozinha em casa, sem filhos, sem amigas, porque o marido não queria visitas, aborrecia-se muito.&lt;br /&gt;Aborrecia-se tanto que procurou uma distração, e encontrou-a num belo rapaz, seu vizinho, que de vez em quando pulava o muro do quintal para fazer-lhe companhia, e consolá-la daquele silêncio e daquela solidão.&lt;br /&gt;Infelizmente para ela, outro vizinho, por inveja ou simplesmente por maldade, escreveu uma carta anônima ao Saraiva, de que ele tinha um sócio de cuja existência não suspeitava - e ora ai está como se explica que naquela terça-feira gorda, depois de dizer a D. Balbina que ia para o escritório, onde se demoraria até tarde da noite, fechando uma correspondência que devia partir no dia seguinte, o austero e sisudo negociante foi se vestir de palhaço para apanhar a esposa em flagrante delito.&lt;br /&gt;- Eu saio, os criados saem, pensou ele; se ela tem realmente um amante, é de supor que aproveite a ocasião para metê-lo em casa...&lt;br /&gt;Bem pensado, porque um quarto de hora depois de sair de casa o marido, o amante saltava o muro, e naquela terça-feira gorda, apesar de ter ficado em casa, D. Balbina divertiu-se mais que muitos foliões, nas patuscadas dos préstitos e dos bailes.&lt;br /&gt;Havia já duas horas que o vizinho fazia companhia à solitária vizinha, quando a campainha do portão do jardim foi violentamente agitada. D. Balbina chegou à janela e avistou um tilburi, cujo cocheiro, mal que a viu, gritou:&lt;br /&gt;- Mande cá uma pessoa, minha senhora!&lt;br /&gt;Não havia um criado em casa. D. Balbina teve que ir pessoalmente abrir o portão.&lt;br /&gt;- Que é? - perguntou ela.&lt;br /&gt;- Minha senhora, este palhaço tomou o meu tilburi, e mandou tocar para esta casa; mas em caminho parece que teve uma apoplexia e morreu!&lt;br /&gt;Efetivamente, o Saraiva, homem sangüíneo, que não pensou nas conseqüências de pôr aquela cabeleira e aquela máscara depois de jantar, tinha morrido no tilburi.&lt;br /&gt;Deixo ao leitor o cuidado de pensar no espanto e na confusão que isso causou, e na tragicômica anomalia daquele negociante austero, estendido morto num canapé, e amortalhado em vestes de palhaço.&lt;br /&gt;Só direi que D. Balbina, passado o período do luto, esposou o solicito vizinho que a consolava naquele silêncio e naquela solidão.&lt;br /&gt;E até hoje, e lá se vão mais de vinte anos, ela não atinou com o motivo que levou o seu primeiro marido a vestir-se de palhaço... para morrer.&lt;br /&gt;-- in &lt;em&gt;Contos ligeiros&lt;/em&gt; (org. R. Magalhães Junior,Cultrix, 1962)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-6561740737434294666?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/6561740737434294666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=6561740737434294666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/6561740737434294666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/6561740737434294666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/historia-triste-para-um-dia-alegreavisa.html' title='história triste para um dia alegre,avisa o Autor'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaKpgfIZ_GI/AAAAAAAAAZY/Mva8-a3DAfs/s72-c/AA+1906.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-4601053694322141590</id><published>2009-02-21T05:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T05:56:22.500-08:00</updated><title type='text'>A literatura vai ao cinema (e vice-versa)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaAHx47atiI/AAAAAAAAAZI/oLXilubUtBs/s1600-h/cine+brasil+IV.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305248914719028770" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 92px; CURSOR: hand; HEIGHT: 130px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaAHx47atiI/AAAAAAAAAZI/oLXilubUtBs/s200/cine+brasil+IV.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;independentemente de festas,festivais e premiações com o Oscar hollywoodiano, o cinema sempre é objeto do foco, das luzes , sempre presente no imaginário e no real cotidiano de praticamente todas as pessoas no mundo. Excelente oportunidade para examinar as relações entre cinema e literatura--- uma dicotomia que sempre existiu : o relacionamento, muitas vezes complexo, mas intenso,entre a escrita e a ‘sétima arte’&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eventos como a ‘festa’ do Oscar , e de resto como os festivais regularmente realizados em distintas cidades,temáticas e enfoques, são excelentes por permitir uma reflexão sobre a sempre vigente relação literatura-cinema , com suas interseções, confluências ...e divergências . Poucas formas artísticas estabelecem entre si tantas relações de sentido mútuo, ainda que sujeitas a entreveros e embates, acusações de “infidelidade autoral”, polêmicas sobre liberdades de criação, etc.-- até porque são diferenciadas as linguagens e distintos os respectivos códigos e modos de funcionamento : narrativa literária e narrativa fílmica distinguem-se e na maioria dos casos contrastam- se; são sempre difíceis as transposições de uma para o outro, pois as características intrínsecas do texto literário -- originalidades, subjetividades, entrelinhas, elaboramentos -- por princípio não encontram a mesma expressão na narrativa cinematográfica.&lt;br /&gt;A par das diferenças, porém,entre a página e a tela há laços estreitos -- em forma de ‘mão e contra-mão’ : a página contém palavras que acionarão os sentidos e se transformam na mente do leitor em imagens; a tela abriga imagens em movimento que serão decodificadas pelo expectador por meio de palavras.Entre a literatura e o cinema, há um parentesco originário, diálogo que se acentuou sobremaneira após a intermediação dos processos tecnológicos. Assim, a enorme e expressiva influência da literatura sobre o cinema tem sua contrapartida, por meio de um ‘cinema interior ou mental’ sobre a literatura e as artes em geral, mesmo em uma época precedente ao advento dos artefatos técnicos.&lt;br /&gt;Optando pela modalidade narrativa, o cinema roubou da literatura parte significativa da tarefa de contar histórias, tornando-se, de início, um fiel substituto do folhetim romântico. E, apesar de experimentações mais ousadas, como a "Avant-Garde" francesa da década de 1920, ou o surrealismo cinematográfico, que buscaram fugir dessa linha, a narratividade continua a ser o traço hegemônico da cinematografia.&lt;br /&gt;Daí, adaptar para o cinema ou para a televisão — meios reconhecidamente ligados à cultura de massa — obras de autores como Shakeaspeare, Dostoiévski, Tolstói, Balzac, Flaubert, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, para citar apenas alguns nomes de relevo no panorama universal e nacional — equivale a trazer para as mídias o prestígio da grande arte ou, no dizer de alguns, tornar a arte erudita acessível ao grande público. Mas a adaptação de obras literárias para o cinema e, posteriormente para a televisão — meios que privilegiam a linha narrativa — também não se tem feito sem conflitos, pois as adaptações resultam sempre em empreendimentos insatisfatórios.&lt;br /&gt;Não se pode negar que , principalmente em seu período clássico, o cinema tenha procurado na aproximação com a literatura uma forma de legitimar-se. E além das freqüentes adaptações de obras literárias para a tela, tornou-se prática corrente, em particular naquele período, a contratação de escritores como roteiristas. Assim é que, em Hollywood, notáveis escritores como Scott Fritzgerald, Aldous Huxley, Gore Vidal, William Faulkner, James Age e Nathanael West, dentre outros, tornaram-se os contadores de muitas histórias que comoveram o grande público e garantiram o sucesso de vários empreendimentos. Saber se tais roteiros traziam a marca da criação literária já é uma outra questão, que talvez possa ser analisada a partir da postura de alguns desses escritores-roteiristas. Faulkner, por exemplo, não fazia segredo sobre a natureza de sua atividade em Hollywood: "Faço apenas o que me dizem para fazer; é um emprego, e pronto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado e em outra vertente, ao praticarem exercícios literários, cineastas e roteiristas via de regra imprimem a suas narrativas muito mais o teor, o timbre, o ritmo, o timing fílmico -- e menos literário. E além disso,mesmo que sua estória e trama seja de ação,de movimento, costumam lidar com o onírico, o sonho , e com o psicológico -- que é, sabemos, elemento recorrente ao extremo no cinema, do expressionismo alemão a Stroheim, de Bergman a Buñuel, de Resnais a Godard. Não poderia ser de outra forma, pois são eles antes e acima de tudo pessoas do cinema.&lt;br /&gt;Quase sempre nesses exercícios literários&lt;br /&gt;· a narrativa se faz em quadros, planos (longos , médios, curtos) e fotogramas , como num filme -- e qual angulações e diferentes tomadas, utilizam mudanças de foco narrativo [ de resto, recurso também comum e genericamente usado na literatura)&lt;br /&gt;· a narração geralmente corre veloz, fatos se dão e são relatados quase que a galope , denota-se certo açodamento : só que no cinema a ação é rápida e a passagem de tempo ‘invisível’ para o espectador -- mas não o é para um leitor; nos escritos de cineastas, de uma seqüência chega-se a outra sem intermediações, nem explicações , contando com a imaginação do leitor&lt;br /&gt;· na maioria dos casos,os personagens são desenhados superficialmente, sem o esmero e detalhamento descritivo comum à literatura -- mas como no cinema, um retratar rápido e sumário (já que o espectador vê) como se o leitor os estivesse vendo em imagem, numa tela de cinema ou de tv, e não delineando-os na imaginação; os personagens são moldados, agem e comportam-se como atores, que são vistos na tela, prontos, sem necessitar de muita elaboração&lt;br /&gt;· assim também com as situações, fatos e com a própria ação : mesmo as reflexões e indagações que por exemplo um narrador faça, a respeito da natureza e do comportamento de personagens,&lt;br /&gt;· como que a analisá-los, aparecem como que anotações geralmente feitas em meio ou à margem do texto de roteiro cinematográfico.&lt;br /&gt;Ora, em literatura tudo há de ser elaborado de acordo com os métodos próprios e intrínsecos à escrita ficcional. Na maioria das vezes, o texto literário de gente do cinema carece, em sua construção, de uma ‘personalidade’ própria, ficando a meio-caminho entre o cinematográfico e o literário : entre altos e baixos, persegue uma certa ilusão de fusão de formas, meios e linguagens.&lt;br /&gt;“O&lt;em&gt; romance , na verdade, sempre foi uma forma literária propensa ao diálogo com outras linguagens&lt;/em&gt;”,&lt;br /&gt;ensina o professor Flávio Carneiro, da UERJ, autor de &lt;em&gt;Da matriz ao beco e depois&lt;/em&gt; , e o cruzamento da literatura com outras formas artísticas tomou um novo rumo, na década de 1980 , com a produção de obras que “ incorporam ao universo romanesco a linguagem do cinema, da televisão”.&lt;br /&gt;Tudo isso propicia um exercício de reflexão e indagação : as incursões de cineastas e de profissionais de tv na literatura podem ser bem resolvidas e bem sucedidas ? O caso é que um diretor de cinema ou de tv quando vai à literatura leva com ele uma bagagem da linguagem -- o ritmo, o corte abrupto, o esperar pronto entendimento do leitor, qual um espectador -- e assim comete pecados e pecadilhos marcantes . Ao contrário, um escritor que vai para o cinema -- como roteirista, quase sempre -- o faz melhor, sabe adaptar, mostra-se mais seguro, os resultados são melhores : caso de Rubem Fonseca, dos exemplos clássicos dos escritores norte-americanos com Hollywood ,e ainda de Jean Louis Carrière , Dalton Trumbo no cinema europeu.&lt;br /&gt;Sob essa perspectiva, é comum cineastas em incursões literárias atuarem numa espécie de contramão, na via inversa do terreno do relacionamento -- ou do embate -- literatura/cinema ; os questionamentos sobre “apropriação de obras literárias por cineastas “, ao realizar filmes, ganha outro contorno, de sinal trocado : no caso, um cineasta não pega um livro e faz um filme (e vale lembrar que para Autran Dourado “ não existe livro filmado, existe filme baseado em livro” ), mas escreve um livro com elementos e ‘cacoetes’ de filme. Sai de seu habitat original e vem para outro, mas utilizando o mesmíssimo instrumental, na vã tentativa de sintetizar o mimetismo palavra-imagem.&lt;br /&gt;Desejariam cineastas e roteiristas, ao escreverem uma obra literária, responder a Stanley Kubrick -- para quem “ tudo que pode ser escrito e pensado pode ser filmado” -- provando que ‘tudo que pode ser filmado poderia ser escrito?’...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-4601053694322141590?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/4601053694322141590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=4601053694322141590&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4601053694322141590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4601053694322141590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/literatura-vai-ao-cinema-e-vice-versa.html' title='A literatura vai ao cinema (e vice-versa)'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SaAHx47atiI/AAAAAAAAAZI/oLXilubUtBs/s72-c/cine+brasil+IV.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-8415606497418273828</id><published>2009-02-13T07:13:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T07:17:33.788-08:00</updated><title type='text'>ainda por um São Paulo x Rio - X</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SZWO103PsII/AAAAAAAAAYo/4wndvdm8WV8/s1600-h/futebol+Portinari.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302301191673196674" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SZWO103PsII/AAAAAAAAAYo/4wndvdm8WV8/s200/futebol+Portinari.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;O futebol , os literatos e duas cidades - final&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De qualquer modo, em sua avassaladora assimilação generalizada, o futebol, posteriormente, encontrou expressiva receptividade em escritos de Sergio Milliet, de Sergio Buarque de Holanda, Paulo Emilio Salles Gomes, Anatol Rosenfeld – que auto-exilado no Brasil , em fins da década de 1930,escreveu “O futebol no Brasil”, publicado originalmente em alemão no Anuário do Instituto Hans Staden ,em 1956, explicando ao público germânico que em terras brasileiras, (...) “dar pontapés numa bola era um ato de emancipação”.(...); acolhida em muitos contos de João Antonio, Ignácio de Loyolla Brandão; sólidas interpretações sociológicas em Décio de Almeida Prado, Nicolau Sevcenko, Waldenir Caldas, José Sérgio Leite Lopes, Francisco Costa, Luiz Henrique de Toledo , Fátima Martin Rodrigues Ferreira Antunes — dispuseram-se a buscar uma compreensão do futebol e construíram uma percepção do esporte como uma ágil e poderosa forma de expressão do caráter nacional.&lt;br /&gt;Prossegue o futebol -- e prosseguirá será ad eternum-- sempre provocando prazer e dor, polêmicas e alegrias ,brigas, tumultos, conflitos, prazer,tristeza, paixões e ódios — nos campos, nos estádios, nos gramados, nas arquibancadas,nos terrenos baldios, nas várzeas, nos corações e mentes de todo o País.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-8415606497418273828?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/8415606497418273828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=8415606497418273828&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/8415606497418273828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/8415606497418273828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/ainda-por-um-sao-paulo-x-rio-x.html' title='ainda por um São Paulo x Rio - X'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBwbqp6bTho/SZWO103PsII/AAAAAAAAAYo/4wndvdm8WV8/s72-c/futebol+Portinari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-4280319718222095077</id><published>2009-02-13T07:12:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T07:13:50.617-08:00</updated><title type='text'>ainda por um São Paulo x Rio - IX</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O  modernismo pareceu à primeira vista lidar com certa cautela e muitas reservas, casos de Mario de Andrade e Oswald de Andrade – quando não, com explícita antipatia, como foi o caso de Graciliano Ramos – diante do crescente e contagiante processo de popularização de um esporte de origem e teor eminentemente europeus. Mas a tradução e a decodificação sofrida pelo futebol ao longo das décadas de 1920, 1930 e 1940, metamorfoseando-se de esporte elitista estrangeiro em esporte nacional-popular, possibilitou aos escritores modernistas da segunda fase uma paulatina alteração no enfoque do fenômeno, ainda que não de uma maneira unânime e consensual . A  relação dos esportes com a identidade da nação tornara-se decisiva, acionando a idéia de “uma unidade nacional que tinha a seleção brasileira como uma das instâncias principais de representação simbólica”, coincidindo com um projeto de configuração do “Estado-nação” de Getulio Vargas E em consonância com a noção de antropofagia desenvolvida por Oswald de Andrade em seu manifesto de 1928, Gilberto Freyre identificou no futebol um exemplo indubitável da capacidade do brasileiro de transplantar, de assimilar e de reinterpretar os inúmeros produtos que historicamente vinham importados e impingidos da Europa.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-4280319718222095077?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/4280319718222095077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=4280319718222095077&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4280319718222095077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/4280319718222095077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/ainda-por-um-sao-paulo-x-rio-ix.html' title='ainda por um São Paulo x Rio - IX'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-6206877035978604282</id><published>2009-02-13T07:08:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T07:12:10.380-08:00</updated><title type='text'>ainda por um São Paulo x Rio - VIII</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em contrapartida, o futebol recebia  interpretações distintas ao longo do tempo: caso, por exemplo, do escritor e jornalista Antônio de Godói,a princípio interessado  pelo esporte, em artigo de 22 de dezembro de 1920 já considera o futebol moda que haveria de passar , uma coisa “brutal, perigosa, intolerável",concluindo que  “esse esporte devia ser repelido como nocivo à integridade física da geração que despontava”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caso também de Mário de Andrade e Oswald de Andrade, que ao futebol dardejaram , de início, crítica e repúdio. Mario de imediato o viu como “uma moda fútil entre tantas que aportam da Europa” em Paulicéia desvairada, “uma praga” em Macunaíma, e não deixou de realçar a violência e o teor elitista do futebol “permeado de expressões estrangeiras” - a la Lima Barreto - em algumas crônicas, “subproduto de importação, a adoção de mais um artigo de luxo , com sua linguagem integralmente inglesa e seu vestuário britânico desconhecido , provindo  de uma matriz européia transplantada por uma elite anglófila e francófila, ávida por novidades e exotismos, típico da dependência cultural brasileira” ; porém,  em 1939 acentuava a transformação verificada em torno do futebol, o processo de apropriação pela identidade da nação chegando a adquirir um caráter antropofágico onde se afirmava “a capacidade brasileira de deglutição, bem como de assimilação das influências estrangeiras e de sua transformação em expressões genuinamente nacionais”. Oswald de Andrade, por sua vez, referiu-se com uma certa simpatia --mais irônica -- nos versos de “E a Europa curvou-se ante o Brasil”, de 1925, e em “Bungalow das rosas e dos pontapés”, sarcástico poema sobre a violência do futebol ; embora sempre combatesse o futebol, como veículo de “alienação”, mais tarde iria referir-se, num artigo de jornal, como “um fenômeno da modernidade de fundamento religioso, ao lado dos festivais de cinema e da política” ; e ligou-se a Mario Filho e a Candido Portinari justamente por causa do futebol...Relevante observar especificamente o ‘relacionamento’ dos intelectuais modernistas com o futebol, recebido de modo diametralmente oposto na primeira, na segunda e na terceira fase (assim Afrânio Coutinho caracteriza o ciclo modernista): o fenômeno futebolístico no Brasil dos anos de 1920 passando muito ao largo das preocupações missionárias dos primeiros, depois,  já na década de 1930, o futebol interpretado sob a questão da representatividade nacional , uma forma de se chegar às suas concepções sobre a brasilidade; e no decênio seguinte, entrando em cena os regionalistas oriundos do Nordeste —Gilberto Freyre,  José Lins do Rego,  Rachel de Queiroz, Jorge de Lima, Olívio Montenegro, a maioria  já radicada no Rio de Janeiro — a interpretação modernista colocando o futebol também no terreno da cultura popular, retomando o projeto de construção de símbolos nacionais,que a música popular e o folclore já haviam tornado possíveis e que, naquele momento, por meio  de uma ‘brasilidade esportiva’, o futebol também facultava.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-6206877035978604282?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/6206877035978604282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=6206877035978604282&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/6206877035978604282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/6206877035978604282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/ainda-por-um-sao-paulo-x-rio-viii.html' title='ainda por um São Paulo x Rio - VIII'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5121148060136346781.post-5461311925544876831</id><published>2009-02-13T06:58:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T07:08:15.747-08:00</updated><title type='text'>ainda por um São Paulo x Rio - VII</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os intelectuais entram em campo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; Embora em 1904 o futebol  ainda fosse desconhecido para a ampla maioria dos brasileiros, o grande interesse popular que atraía em São Paulo levou até mesmo Monteiro Lobato, então acadêmico de direito, a se referir a ele   numa carta  a Godofredo Rangel, em 11de julho: "(...) o último gol do Paulistano provocou a maior tempestade de aplausos jamais conhecida em São Paulo(...)"..E do mesmo Lobato, um discurso fervoroso em 1905 após assistir a jogos entre paulistanos e ingleses: Apesar disso, o futebol ainda estava longe de suscitar grandes paixões que extrapolassem o âmbito esportivo. Intelectuais e escritores -- caso de Amadeu Amaral, Sylvio Floreal, Hilário Tácito-- apenas esparsa e timidamente o registravam em seus escritos: quando muito, admitiam e exaltavam a plasticidade do jogo, a elasticidade das jogadas, a empolgação dos que   praticam e assistem as partidas . Mas já pelo final da década de 1910 e início de 1920, dava-se a dedicação documental-historiográfica de Antonio Figueiredo e Leopoldo Santana , um marcante envolvimento de Menotti Del Picchia --registrando-o em poemas, documentando-o no roteiro do primeiro filme do cinema brasileiro sobre futebol, “Campeão de futebol”, que homenageava  Friedenreich, valorizando-o na frase “o Corinthians é um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade” -- referências de Cassiano Ricardo, a simpatia de Raul Bopp -- em artigo sobre o “élan magnético” que o atraía para o futebol -- e sobretudo o ‘fervor’ de Alcântara Machado -- não só pelo famoso conto “Corinthians (2) vs. Palestra(1)”,mas por uma relação direta com a difusão dos esportes no Brasil, fundador da primeira Liga Atlética Acadêmica do Brasil,  “uma entidade poliesportiva devotada à propaganda, à prática e ao apoio de todas as formas de cultura física, vista como chave para se entrar na vida moderna propriamente dita”-- o completo envolvimento de Francisco Rebolo --artista plástico e jogador de futebol , e um dos pioneiros na luta pela incorporação do negro no futebol brasileiro -- a motivação de Candido Portinari – nas duas famosas séries de trabalhos “Futebol em Brodósqui” -- dos artistas Rodolfo Chambelland , André Lhote , Antônio Gomide.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5121148060136346781-5461311925544876831?l=pandorawiki.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pandorawiki.blogspot.com/feeds/5461311925544876831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5121148060136346781&amp;postID=5461311925544876831&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/5461311925544876831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5121148060136346781/posts/default/5461311925544876831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pandorawiki.blogspot.com/2009/02/ainda-por-um-sao-paulo-x-rio-vii.html' title='ainda por um São Paulo x Rio - VII'/><author><name>Caixa de Pandora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780187324490495166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06670358178053878941'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>