sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Machado de Assis e os portugueses nos periódicos oitocentistas

na 2a. Semana de  Realizações do projeto  "O Real em revista", no Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro,de 26 a 28.01 , com a presença e atuação de pesquisadores -- evento dentro do notável trabalho de digitalização e incorporação de periódicos dos séculos XVIII, XIX e XX nos acervos do RGPL -- discorri acerca de "Machado de Assis e os portugueses nos periódicos oitocentistas do Rio de Janeiro ", um dos temas capitais de meus estudos literários .

                                                                                            
 artigo

Machado de Assis e os  portugueses : influências, relações; atuação e convívio  nos periódicos
Dentro e na órbita dos estudos machadianos a que me dedico e desenvolvo, as  relações e  interações entre Machado de Assis e os portugueses 
adquiriram relevância ímpar, no que se refere às influências e orientações literárias e bibliográficas, nacionais e estrangeiras (nestas, a abrigar, a par dos portugueses, os franceses, os ingleses, os alemães, os gregos, os latinos, espanhóis e italianos – a oferecer subsídios valiosos para os estudos de Literatura Comparada) na formação intelectual  de Machado, face a extrema, crucial importância destes quer na vida pessoal quer  na construção da obra do escritor brasileiro; e mais : no embasamento e no engajamento político, na fundamentação de seu pensamento ideológico – este, na verdade, um aspecto pouquíssimo notado e conhecido e raramente estudado.

Convém aqui esclarecer o quanto de significância para um ‘desenho’ de marcantes influências literárias, intelectuais e culturais quer para a  formação do escritor quer para efeito de seu contributo à formação de seu leitor (e,vale deduzir e induzir, para o leitorado brasileiro do século XIX ) – per se objeto e leitmotiv de um amplo, abrangente trabalho, de características e elementos quase inéditos, inclusive formalizado em estudo especial e livro a ser editado sob o título significativo de “A formação intelectual de Machado de Assis : fontes para biografia intelectual” -- detêm as leituras, fosse  nos livros de sua posse mantidos na biblioteca pessoal fosse nas consultas realizadas por ele em bibliotecas públicas e particulares,em gabinetes de leitura – mormente no Real Gabinete Português de Leitura – em entidades e instituições, bem como as citações e referências expressas em seus escritos. Os acurados, metódicos, rigorosos levantamento e mapeamento desses elementos tornam-se obrigatórios para constituição informativa e reflexiva de cenários e vetores das  orientações estrangeiras, bem como das influências brasileiras,  em Machado de Assis.

Notório fato: não obstante a preponderância dos franceses nesse cenário de influências estrangeiras, os portugueses -- por seus autores e obras lidos e consultados por Machado, naqueles que com ele conviveram no Rio de Janeiro, naqueles intensamente citados, referenciados em sua obra -- foram absolutamente decisivos na vida, quer pessoal, social e conjugal, quer intelectual, em suas formação e constituição literárias e em sua obra, ficcional e não-ficcional, na edificação de sua linguagem, escrita e estilo narrativo,até mesmo no embasamento político-ideológico-filosófico de Machado de Assis.

relações, vínculos, convívio

A solidez e a característica genuína dos vínculos machadianos com os portugueses são nitidamente expressas por elementos que se estendem de  sua própria origem familiar aos fortes e intensos laços de amizade com lusitanos então residentes no Rio de Janeiro, de seu casamento às  leituras que lhe acompanharam por toda a vida ,fosse nos acervos públicos por ele regularmente freqüentados fosse nos livros em sua biblioteca pessoal, de sua formação literária e cultural às inúmeras (e significativas) citações,alusões, referências e recorrências a autores e obras lusitanos em sua ficção e não-ficção.
No âmbito de seus vínculos familiares e conjugais, emerge a constatação do quanto mulheres de origem portuguesa constituíram-se não apenas em objeto de especial afeto por parte de Machado – até porque exerceram marcante papel em diversos momentos de sua vida -- mas sobremodo contribuíram para a  construção de sua linguagem, no que tange a  prosódia, sintaxe,  léxico e semântica, o que por extensão incorporou-se à  própria linguagem literária machadiana.

Sob outro viés, vale a pena considerar que, em parte decorrente de desses originários vínculos familiares,  ao mesmo tempo guiado por um vetor sob o escopo maior de sua iniciação no embasamento literário-cultural, Machado desde cedo passou a conhecer autores e obras lusitanos, especialmente os clássicos da língua. Jovem, de parcos recursos financeiros, valeu-se na freqüência regular, contumaz a bibliotecas públicas e privadas, e de um acurado autodidatismo em suas leituras de formação, realizadas mormente no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro (o preponderante),  também no Liceu Literário Português, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Com o tempo, foi formando gradativamente – e consistentemente – sua biblioteca pessoal, na qual se não majoritários em quantidade autores e obras portugueses se fizeram notar por parâmetros de alta representatividade literário-bibliográfica.

No extenso painel de seus interesses literários e suas leituras, Machado de Assis constituiu-se , per se, em elo decisivo de  contato entre as culturas brasileira e portuguesa na segunda metade do séc. XIX : os  vínculos familiares de origem, bem como os de eleição afetiva e de interesse intelectual que manteve ao longo da vida com membros da colônia portuguesa radicados no Rio de Janeiro,  faziam o escritor circular dentro de um ambiente luso-brasileiro,de marcantes  ecos em seus próprios escritos.

É extenso, como extremamente significativo, o elenco de fraternas amizades cultivadas, desde sua juventude, com escritores portugueses recém transferidos para o Rio de Janeiro (estima-se que em 1852, por exemplo, viviam  cerca de 30 mil na cidade), atraídos pelo ambiente acolhedor e de  alta efervescência cultural, mas também de cunho filosófico-ideológico, aqui criado desde 1837 por aqueles que, afastando-se do levante do Porto, inclusive fundaram o Real Gabinete Português de Leitura.
Pelos anos 1850 encontravam-se radicados no Rio de Janeiro literatos como Francisco Gonçalves Braga, Augusto Emílio Zaluar, Carlos Augusto de Sá, Faustino Xavier de Novais, Francisco Ramos Paz, Ernesto Cybrão, Reinaldo Carlos Montoro, Manuel de Melo, Pedro A. Garção. Todos de alguma influência nas rodas literárias e nos ambientes letrados da capital brasileira.
Desse elenco, destaque absoluto – pelas decisivas, preponderantes influências em Machado – a Zaluar e Xavier de Novais.

Todos esses autores encontram-se de alguma forma presentes nos escritos de Machado, atestando estreita interlocução literária – que, de resto, atesta o clamoroso fato de que nenhum escritor ou literato brasileiro, à época, aproximou-se e identificou-se de tal forma,e essência, como Machado de Assis junto aos portugueses.
Com efeito, foi exatamente por conta da fértil, profícua, intensa  convivência física com esses que Machado tinha como “amigos fraternos” que se  realça e enfatiza – como se asseverou anteriormente – a importância crucial dos portugueses muito maior do que a dos franceses,ingleses, só para citar dois exemplos de preponderantes influências em Machado

Relacionamentos, convivências e atividades intelectuais em comum exercidos e praticados em torno, primeiramente – ainda que em escala incipiente – da Sociedade Petalógica (criada e incentivada por Paula Brito),em  1854-55, na qual estavam Braga,Zaluar e  Garção; em seguida no escritório de Caetano Filgueiras -- que escreveria o famoso prefácio à 1ª. edição da coletânea poética Crisálidas, de Machado -- onde inclusive constituiu-se o denominado “Grupo dos Cinco”, composto de Filgueiras, Braga,.os brasileiros Casimiro de Abreu --que vivera bom tempo em Lisboa - Cândido Macedo Junior,e Machado, em  1857; depois, um novo grupo,unidos por traços ideológicos comuns,de elementos democráticos e liberais, a fornecerem o fermento para uma nova postura política de Machado (que a  sustentaria daí por diante, ao longo do tempo) –  tendo como figura central o proscrito francês Charles Ribeyrolles, e onde estreitou seu relacionamento com Augusto Emilio Zaluar, Reinaldo Carlos Montoro,Francisco Ramos Paz, Remigio de Sena Pereira (estes três iriam traduzir, ao lado de Machado e Manuel Antonio de Almeida, a obra de Ribeyrolles, sob supervisão e acompanhamento deste, Le Brèsil Pittoresque)-- todos mais tarde  participantes e atuantes, com Machado, no  (importantíssimo) jornal O Parahyba, de Petrópolis, e no Correio Mercantil

Mas também exercidos, os relacionamentos e convivências, nos saraus literários; nas reuniões no Grêmio Literário Português, no Retiro Literário Português (uma dissidência do Grêmio), na Arcádia Fluminense (onde, em 1864, Machado apresentou sua peça “Os deuses de casaca”); e  ao ensejo de dois eventos bastante significativos : o centenário (aliás, mais comemorado no Brasil que em Portugal) de nascimento de  Bocage, em 1865, e o tricentenário de nascimento de Camões, 1880, iniciativa do Gabinete Português de Leitura (acontecimento inclusive de intensa participação popular no Rio de Janeiro) – quando Machado apresentou a peça,escrita especialmente para a ocasião, “Tu,só tu puro amor”

-- nos periódicos oitocentistas

Sobretudo e sobremodo a intensa e decisiva convivência de Machado com os literatos portugueses deu-se e dinamizou-se nos jornais oitocentistas nos quais  atuavam e colaboravam, sob distintos graus de regularidade. Assim :
* Marmota Fluminense- sob essa denominação de 1855 a 1857, quando passou a A Marmota -- em 1855-56 (que publicava transcrições de obras portuguesas, como “Folhas caídas”, de Garret,poemas de João de Lemos e Antonio Dinis, e outros);
* Correio Mercantil,.1858-59, no qual  Machado conheceu Faustino Xavier de Novais, e publicou,entre outros textos, o  artigo “O Jornal e o Livro”, marco de um posicionamento dialético-político machadiano, cuja (escreveu ele) “idéia pertenceu ao sr. Reinaldo Carlos [Montoro]” –  artigo contendo  trecho de manifestação de  clara adesão aos princípios democratas e republicanos;[1] ;
* O Parahyba, de Petrópolis, 1858-59 (jornal progressista, avançado para seu tempo, de relevância ímpar na história jornalística,editorial e literária brasileiras – até aqui não devidamente estudado[2] ), criado por Zaluar, editorialista e seu redator-chefe,e contando com Carlos Montoro, Ramos Paz e Machado ;
* Diário do Rio de Janeiro, 1861-62 – nele (com Machado),  Ramos Paz e Sena Pereira;
* O Futuro, 1862-63, criado e dirigido por Faustino Xavier de Novais, contando com Zaluar, Braga, Sena Pereira, Carlos Montoro, Cybrão,  Ramos Paz,  Manuel de Melo;  o primeiro – e pode-se dizer principal, se não único -- jornal explicita e essencialmente luso-brasileiro, de resto expresso formalmente no texto de  editorial de seu 1º.número, a  15.09.1862, e que  inclusive abrigou crônicas machadianas de teor político (e de outros timbres)

A rigor, o  período de cerca de oito anos na vida de Machado, desde meados da década de 1850,  marcado por atuações nesses periódicos, em todos eles ‘cercado’ de portugueses, constitui-se de suma relevância – não só  cultural, também e especialmente filosófica e mesmo ideologicamente -- na construção do pensamento, idéias, opiniões, comentários, criação, produção e manifestações literárias do escritor, sob um processo decisivo de assunção de personalidade e independência de pensamento não submisso a doutrinas e dogmas.
Machado, formado bibliograficamente por muitos portugueses, em leituras e consultas desde o início,  e convivente dia a dia  com literatos lusos, chegava aos  24 anos (1863), lido, respeitado, requisitado, apreciado, extremamente dedicado  a  difundir e propagar sua obra literária, à época já composta de crônicas, poemas,contos,peças teatrais, crítica teatral e literária, um literato bastante respeitado,requisitado, apreciado, ‘amadurecido’ e em evolução.

os portugueses formadores do  Machado escritor 

Primeiramente, por meio dos autores e obras clássicos, quer  antigos e canônicos quer contemporâneos a ele, dos quais foi Machado um persistente leitor, entre aqueles  armazenados em sua biblioteca e aqueles consultados, uns regularmente outros especifica e episodicamente, nos acervos públicos e privados que freqüentava.

Às intensas e perenes leituras e consultas nas bibliotecas e acervos bibliográficos e à estreita e criativa convivência com literatos lusos estabelecidos no Rio de Janeiro, acoplam-se, por sua extrema significância no retrato dessas relações, as profusas  citações e recorrências aos portugueses em toda a obra machadiana (devidamente mapeadas e formalizadas em raisonnés[3]) – o que, torno a enfatizar, identificam os teores,graus e influências de autores,obras e textos lusos em sua  genealogia literária concomitantemente apontam para vetores  na constituição,hábitos,gostos e perfis de leitores a sua época[4], vale dizer serem  vistas como fontes de informação e conhecimento dessas referências autorais e bibliográficas a seus leitores, por extensão ao leitor brasileiro de seu tempo : no que registra e faz aparecer em seus textos, Machado os ‘apresenta’ e transmite aos que o lêem. Há um claro, relevante processo de ‘transferência’ e transmissão de conhecimento literário, bibliográfico,cultural, histórico, político, etc, de insofismável formação cognitiva e de modulação de padrões de leitura da época.

Neste particular, quais autores portugueses, a par de exercerem marcante influência em  sua formação literária, Machado de Assis informou e difundiu junto a seus leitores ? hegemônico  foi Luis de Camões (quem, de resto, pode-se considerar, no cômputo geral das menções e referências de Machado, somente superado por Shakespeare) -- e  Os Lusíadas, a  obra mais citada por Machado depois da Bíblia ; e mais Almeida Garret, Alexandre Herculano,Bocage, Antonio F. de Castilho, Antonio .Dinis da Cruz e Silva,  Nicolau  Tolentino.

O papel e  influências de poetas portugueses  na formação de Machado de Assis, inserido  de resto na própria  tradição poética luso-brasileira da época, têm exemplos cristalinos em Camões,Garret e Castilho, que  marcaram forte e intensamente a poética machadiana, bem como um daqueles conviventes no Rio de Janeiro, Francisco Gonçalves Braga , a quem Machado designou como “meu primeiro mestre”. A se destacar também as influências significativas de Alexandre Herculano – ao lado de Garret, considerado por Machado como modelo na prosa -- e João de Barros na constituição de seu conhecimento histórico.
Almeida Garret, mister enfatizar, a par da acentuada influência temática e estilística na poética machadiana, teve seu “Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa”, de 1827, estudo fundamental para a história da literatura no Brasil, a apontar caminhos da emancipação literária – o que viria a se constituir na égide do movimento deflagrado na década de 1830 por Gonçalves de Magalhães e José de Alencar, em prol de um “nacionalismo literário brasileiro” – como  forte inspiração para as reflexões de Machado acerca da literatura brasileira, expressas nos ensaios “O passado, o presente e o futuro da literatura brasileira”(1858), “Instinto de nacionalidade”(1873) e “A nova geração”(1879), e sua obra Viagens da minha terra como uma das peças que moldaram,no teor da sátira menipéica-luciânica (ao lado das obras de Sterne,Diderot e Xavier de Maistre),  a célebre inflexão machadiana no início da década de 1880. 

A se arrolar ainda Camilo Castelo Branco, que inspirou Machado em certos recursos narrativos, como as digressões metaliterárias, as interferências do narrador em diálogo com o leitor, o uso da ironia (já foram apontados elementos da novela  Coração ,cabeça e estômago: uma estética da ambiguidade, de Camilo, em Memórias póstumas de Brás Cubas)
E de um português que não era escritor ou literato, Furtado Coelho, que  produtor teatral propiciou a Machado , porque as levava a cena, o incrementar de sua importantíssima atividade de tradutor (que Mario de Alencar, considerando-o “um dos maiores tradutores brasileiros”, lamentava tivesse Machado interrompido ).
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Por fim, uma reflexão a respeito de questão que muito me instiga, e julgo pertinente. Machado – como representante proeminente do movimento de ‘nacionalização literária’ brasileira -- parece ter sido o primeiro, se não o único a se aproximar e interagir aos portugueses: não se tem referência, por exemplo, das  presença e atuação, nesse sentido, de Gonçalves de Magalhães, José de Alencar e dos demais românticos empenhados,no Brasil, nesse projeto (que se dava simultaneamente em Portugal, convém frisar) de afirmação de nacionalidade literária e cultural..
Não existem dúvidas de quanto ambíguos, ou no mínimo reticentes, postaram-se os românticos brasileiros com relação ao legado lingüístico e cultural dos portugueses: mesmo tendo em conta a importância, ou necessidade, de estabelecer, e sedimentar, traços  diferenciadores do novo país depois da independência de 1822,  o curioso – e  contraditório – é que desenrolou-se um processo de obediência e preservação dos padrões lingüísticos,sintáticos,gramaticais,léxicos portugueses como uma espécie de atestado de qualificação cultural  e ‘civilidade’ intelectual. Isto é, intentavam os primeiros românticos brasileiros se constituírem nos agentes a afirmação nacionalista brasileira, no âmbito cultural, sem no entanto  romperem com o arcabouço lusitano... E por outro lado sem assumirem, e praticarem, como o foi para e em Machado de Assis,  lídimas, eficazes, indispensáveis relações e interações -- que só  embasaram, consolidaram, consubstanciaram uma notável constituição intelectual.

                                            
                                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                              

                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                    

                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                                  
                                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
                                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                                      
                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                

                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                    
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                                                                                                    
                                                                                                                                                    
                                              
                                                                                                                                      
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                     

                                          
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                    

                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
                                                                                                                                              
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                     


                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                                                                                                                                                            


                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                   
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[1] Texto que oferece aos estudiosos amplo arsenal de elementos para uma reflexão, até mesmo de cunho ‘revisionista’, acerca da (até então e,de resto, quase consensualmente tida) índole e perfil ‘monarquista-liberal’ machadianos.
                “(Graças ao jornal...) completa-se  a emancipação da inteligência e começa a dos povos.O direito da força,o direito da autoridade bastarda consubstanciada nas individualidades dinásticas vai cair. Os reis já não têm púrpura,envolvem-se nas constituições. As constituições são os tratados de paz celebrados entre a potência popular e a potência monárquica” [“O Jornal e o Livro”, in Correio Mercantil, Rio de Janeiro :10-12.01.1859].
[2] Encontro-me em trabalho de finalização de livro a respeito de O Parahyba.
[3] No estudo a que me dedico, acerca das influências e orientações estrangeiras em Machado de Assis, foram construídos raisonnés de todas as citações e referências lusitanas em todas as obras – gênero por gênero -- machadianas , assim como os autores,obras e textos constantes de sua biblioteca pessoal e aqueles lidos e consultados em acervos públicos.
[4] Como mencionado, a constituição intelectual de Machado, assim como  sua capacidade formativa de leitores – aos quais transmitiu e ‘transferiu’, por via das citações e alusões, os elementos  dessa constituição – é tema e conteúdo do estudo, a ser livro, “A formação literária de Machado de Assis : fontes para biografia intelectual”.
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                    
                                                                                                                                                     


                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                                                                                                                                                            


                                                                                                                                                     
                                                                                                                                                   
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artigo

Machado de Assis e os  portugueses : influências, relações; atuação e convívio  nos periódicos oitocentistas
                                       
                                    “(...) Portugal não teve [apenas] influência, ele está presente [no Brasil]. Os portugueses suscitam desdobramentos delicados (...) ;são eles próprios engrenagens vivas e sensíveis. Trata-se de recolher os elementos que permitirão escrever a história interatlântica do mundo lusofalante no século XIX. Em conseqüência,o conhecimento do século XIX português e especialmente a transição do romantismo ao realismo serão bem esclarecidos,já que as duas literaturas vivem em simbiose.
                                                     J.M-Massa, A juventude de Machado de Assis. Rio de Janeiro: INL, 1965, p. 630
                                                                                                                                


Dentro e na órbita dos estudos machadianos a que me dedico e desenvolvo, as  relações e  interações entre Machado de Assis e os portugueses adquiriram relevância ímpar, no que se refere às influências e orientações literárias e bibliográficas, nacionais e estrangeiras (nestas, a abrigar, a par dos portugueses, os franceses, os ingleses, os alemães, os gregos, os latinos, espanhóis e italianos – a oferecer subsídios valiosos para os estudos de Literatura Comparada) na formação intelectual  de Machado, face a extrema, crucial importância destes quer na vida pessoal quer  na construção da obra do escritor brasileiro; e mais : no embasamento e no engajamento político, na fundamentação de seu pensamento ideológico – este, na verdade, um aspecto pouquíssimo notado e conhecido e raramente estudado.

Convém aqui esclarecer o quanto de significância para um ‘desenho’ de marcantes influências literárias, intelectuais e culturais quer para a  formação do escritor quer para efeito de seu contributo à formação de seu leitor (e,vale deduzir e induzir, para o leitorado brasileiro do século XIX ) – per se objeto e leitmotiv de um amplo, abrangente trabalho, de características e elementos quase inéditos, inclusive formalizado em estudo especial e livro a ser editado sob o título significativo de “A formação intelectual de Machado de Assis : fontes para biografia intelectual” -- detêm as leituras, fosse  nos livros de sua posse mantidos na biblioteca pessoal fosse nas consultas realizadas por ele em bibliotecas públicas e particulares,em gabinetes de leitura – mormente no Real Gabinete Português de Leitura – em entidades e instituições, bem como as citações e referências expressas em seus escritos. Os acurados, metódicos, rigorosos levantamento e mapeamento desses elementos tornam-se obrigatórios para constituição informativa e reflexiva de cenários e vetores das  orientações estrangeiras, bem como das influências brasileiras,  em Machado de Assis.

Notório fato: não obstante a preponderância dos franceses nesse cenário de influências estrangeiras, os portugueses -- por seus autores e obras lidos e consultados por Machado, naqueles que com ele conviveram no Rio de Janeiro, naqueles intensamente citados, referenciados em sua obra -- foram absolutamente decisivos na vida, quer pessoal, social e conjugal, quer intelectual, em suas formação e constituição literárias e em sua obra, ficcional e não-ficcional, na edificação de sua linguagem, escrita e estilo narrativo,até mesmo no embasamento político-ideológico-filosófico de Machado de Assis.

relações, vínculos, convívio

A solidez e a característica genuína dos vínculos machadianos com os portugueses são nitidamente expressas por elementos que se estendem de  sua própria origem familiar aos fortes e intensos laços de amizade com lusitanos então residentes no Rio de Janeiro, de seu casamento às  leituras que lhe acompanharam por toda a vida ,fosse nos acervos públicos por ele regularmente freqüentados fosse nos livros em sua biblioteca pessoal, de sua formação literária e cultural às inúmeras (e significativas) citações,alusões, referências e recorrências a autores e obras lusitanos em sua ficção e não-ficção.
No âmbito de seus vínculos familiares e conjugais, emerge a constatação do quanto mulheres de origem portuguesa constituíram-se não apenas em objeto de especial afeto por parte de Machado – até porque exerceram marcante papel em diversos momentos de sua vida -- mas sobremodo contribuíram para a  construção de sua linguagem, no que tange a  prosódia, sintaxe,  léxico e semântica, o que por extensão incorporou-se à  própria linguagem literária machadiana.

Sob outro viés, vale a pena considerar que, em parte decorrente de desses originários vínculos familiares,  ao mesmo tempo guiado por um vetor sob o escopo maior de sua iniciação no embasamento literário-cultural, Machado desde cedo passou a conhecer autores e obras lusitanos, especialmente os clássicos da língua. Jovem, de parcos recursos financeiros, valeu-se na freqüência regular, contumaz a bibliotecas públicas e privadas, e de um acurado autodidatismo em suas leituras de formação, realizadas mormente no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro (o preponderante),  também no Liceu Literário Português, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Com o tempo, foi formando gradativamente – e consistentemente – sua biblioteca pessoal, na qual se não majoritários em quantidade autores e obras portugueses se fizeram notar por parâmetros de alta representatividade literário-bibliográfica.

No extenso painel de seus interesses literários e suas leituras, Machado de Assis constituiu-se , per se, em elo decisivo de  contato entre as culturas brasileira e portuguesa na segunda metade do séc. XIX : os  vínculos familiares de origem, bem como os de eleição afetiva e de interesse intelectual que manteve ao longo da vida com membros da colônia portuguesa radicados no Rio de Janeiro,  faziam o escritor circular dentro de um ambiente luso-brasileiro,de marcantes  ecos em seus próprios escritos.

É extenso, como extremamente significativo, o elenco de fraternas amizades cultivadas, desde sua juventude, com escritores portugueses recém transferidos para o Rio de Janeiro (estima-se que em 1852, por exemplo, viviam  cerca de 30 mil na cidade), atraídos pelo ambiente acolhedor e de  alta efervescência cultural, mas também de cunho filosófico-ideológico, aqui criado desde 1837 por aqueles que, afastando-se do levante do Porto, inclusive fundaram o Real Gabinete Português de Leitura.
Pelos anos 1850 encontravam-se radicados no Rio de Janeiro literatos como Francisco Gonçalves Braga, Augusto Emílio Zaluar, Carlos Augusto de Sá, Faustino Xavier de Novais, Francisco Ramos Paz, Ernesto Cybrão, Reinaldo Carlos Montoro, Manuel de Melo, Pedro A. Garção. Todos de alguma influência nas rodas literárias e nos ambientes letrados da capital brasileira.
Desse elenco, destaque absoluto – pelas decisivas, preponderantes influências em Machado – a Zaluar e Xavier de Novais.

Todos esses autores encontram-se de alguma forma presentes nos escritos de Machado, atestando estreita interlocução literária – que, de resto, atesta o clamoroso fato de que nenhum escritor ou literato brasileiro, à época, aproximou-se e identificou-se de tal forma,e essência, como Machado de Assis junto aos portugueses.
Com efeito, foi exatamente por conta da fértil, profícua, intensa  convivência física com esses que Machado tinha como “amigos fraternos” que se  realça e enfatiza – como se asseverou anteriormente – a importância crucial dos portugueses muito maior do que a dos franceses,ingleses, só para citar dois exemplos de preponderantes influências em Machado

Relacionamentos, convivências e atividades intelectuais em comum exercidos e praticados em torno, primeiramente – ainda que em escala incipiente – da Sociedade Petalógica (criada e incentivada por Paula Brito),em  1854-55, na qual estavam Braga,Zaluar e  Garção; em seguida no escritório de Caetano Filgueiras -- que escreveria o famoso prefácio à 1ª. edição da coletânea poética Crisálidas, de Machado -- onde inclusive constituiu-se o denominado “Grupo dos Cinco”, composto de Filgueiras, Braga,.os brasileiros Casimiro de Abreu --que vivera bom tempo em Lisboa - Cândido Macedo Junior,e Machado, em  1857; depois, um novo grupo,unidos por traços ideológicos comuns,de elementos democráticos e liberais, a fornecerem o fermento para uma nova postura política de Machado (que a  sustentaria daí por diante, ao longo do tempo) –  tendo como figura central o proscrito francês Charles Ribeyrolles, e onde estreitou seu relacionamento com Augusto Emilio Zaluar, Reinaldo Carlos Montoro,Francisco Ramos Paz, Remigio de Sena Pereira (estes três iriam traduzir, ao lado de Machado e Manuel Antonio de Almeida, a obra de Ribeyrolles, sob supervisão e acompanhamento deste, Le Brèsil Pittoresque)-- todos mais tarde  participantes e atuantes, com Machado, no  (importantíssimo) jornal O Parahyba, de Petrópolis, e no Correio Mercantil

Mas também exercidos, os relacionamentos e convivências, nos saraus literários; nas reuniões no Grêmio Literário Português, no Retiro Literário Português (uma dissidência do Grêmio), na Arcádia Fluminense (onde, em 1864, Machado apresentou sua peça “Os deuses de casaca”); e  ao ensejo de dois eventos bastante significativos : o centenário (aliás, mais comemorado no Brasil que em Portugal) de nascimento de  Bocage, em 1865, e o tricentenário de nascimento de Camões, 1880, iniciativa do Gabinete Português de Leitura (acontecimento inclusive de intensa participação popular no Rio de Janeiro) – quando Machado apresentou a peça,escrita especialmente para a ocasião, “Tu,só tu puro amor”

-- nos periódicos oitocentistas

Sobretudo e sobremodo a intensa e decisiva convivência de Machado com os literatos portugueses deu-se e dinamizou-se nos jornais oitocentistas nos quais  atuavam e colaboravam, sob distintos graus de regularidade. Assim :
* Marmota Fluminense- sob essa denominação de 1855 a 1857, quando passou a A Marmota -- em 1855-56 (que publicava transcrições de obras portuguesas, como “Folhas caídas”, de Garret,poemas de João de Lemos e Antonio Dinis, e outros);
* Correio Mercantil,.1858-59, no qual  Machado conheceu Faustino Xavier de Novais, e publicou,entre outros textos, o  artigo “O Jornal e o Livro”, marco de um posicionamento dialético-político machadiano, cuja (escreveu ele) “idéia pertenceu ao sr. Reinaldo Carlos [Montoro]” –  artigo contendo  trecho de manifestação de  clara adesão aos princípios democratas e republicanos;[1] ;
* O Parahyba, de Petrópolis, 1858-59 (jornal progressista, avançado para seu tempo, de relevância ímpar na história jornalística,editorial e literária brasileiras – até aqui não devidamente estudado[2] ), criado por Zaluar, editorialista e seu redator-chefe,e contando com Carlos Montoro, Ramos Paz e Machado ;
* Diário do Rio de Janeiro, 1861-62 – nele (com Machado),  Ramos Paz e Sena Pereira;
* O Futuro, 1862-63, criado e dirigido por Faustino Xavier de Novais, contando com Zaluar, Braga, Sena Pereira, Carlos Montoro, Cybrão,  Ramos Paz,  Manuel de Melo;  o primeiro – e pode-se dizer principal, se não único -- jornal explicita e essencialmente luso-brasileiro, de resto expresso formalmente no texto de  editorial de seu 1º.número, a  15.09.1862, e que  inclusive abrigou crônicas machadianas de teor político (e de outros timbres)

A rigor, o  período de cerca de oito anos na vida de Machado, desde meados da década de 1850,  marcado por atuações nesses periódicos, em todos eles ‘cercado’ de portugueses, constitui-se de suma relevância – não só  cultural, também e especialmente filosófica e mesmo ideologicamente -- na construção do pensamento, idéias, opiniões, comentários, criação, produção e manifestações literárias do escritor, sob um processo decisivo de assunção de personalidade e independência de pensamento não submisso a doutrinas e dogmas.
Machado, formado bibliograficamente por muitos portugueses, em leituras e consultas desde o início,  e convivente dia a dia  com literatos lusos, chegava aos  24 anos (1863), lido, respeitado, requisitado, apreciado, extremamente dedicado  a  difundir e propagar sua obra literária, à época já composta de crônicas, poemas,contos,peças teatrais, crítica teatral e literária, um literato bastante respeitado,requisitado, apreciado, ‘amadurecido’ e em evolução.

os portugueses formadores do  Machado escritor 

Primeiramente, por meio dos autores e obras clássicos, quer  antigos e canônicos quer contemporâneos a ele, dos quais foi Machado um persistente leitor, entre aqueles  armazenados em sua biblioteca e aqueles consultados, uns regularmente outros especifica e episodicamente, nos acervos públicos e privados que freqüentava.

Às intensas e perenes leituras e consultas nas bibliotecas e acervos bibliográficos e à estreita e criativa convivência com literatos lusos estabelecidos no Rio de Janeiro, acoplam-se, por sua extrema significância no retrato dessas relações, as profusas  citações e recorrências aos portugueses em toda a obra machadiana (devidamente mapeadas e formalizadas em raisonnés[3]) – o que, torno a enfatizar, identificam os teores,graus e influências de autores,obras e textos lusos em sua  genealogia literária concomitantemente apontam para vetores  na constituição,hábitos,gostos e perfis de leitores a sua época[4], vale dizer serem  vistas como fontes de informação e conhecimento dessas referências autorais e bibliográficas a seus leitores, por extensão ao leitor brasileiro de seu tempo : no que registra e faz aparecer em seus textos, Machado os ‘apresenta’ e transmite aos que o lêem. Há um claro, relevante processo de ‘transferência’ e transmissão de conhecimento literário, bibliográfico,cultural, histórico, político, etc, de insofismável formação cognitiva e de modulação de padrões de leitura da época.

Neste particular, quais autores portugueses, a par de exercerem marcante influência em  sua formação literária, Machado de Assis informou e difundiu junto a seus leitores ? hegemônico  foi Luis de Camões (quem, de resto, pode-se considerar, no cômputo geral das menções e referências de Machado, somente superado por Shakespeare) -- e  Os Lusíadas, a  obra mais citada por Machado depois da Bíblia ; e mais Almeida Garret, Alexandre Herculano,Bocage, Antonio F. de Castilho, Antonio .Dinis da Cruz e Silva,  Nicolau  Tolentino.

O papel e  influências de poetas portugueses  na formação de Machado de Assis, inserido  de resto na própria  tradição poética luso-brasileira da época, têm exemplos cristalinos em Camões,Garret e Castilho, que  marcaram forte e intensamente a poética machadiana, bem como um daqueles conviventes no Rio de Janeiro, Francisco Gonçalves Braga , a quem Machado designou como “meu primeiro mestre”. A se destacar também as influências significativas de Alexandre Herculano – ao lado de Garret, considerado por Machado como modelo na prosa -- e João de Barros na constituição de seu conhecimento histórico.
Almeida Garret, mister enfatizar, a par da acentuada influência temática e estilística na poética machadiana, teve seu “Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa”, de 1827, estudo fundamental para a história da literatura no Brasil, a apontar caminhos da emancipação literária – o que viria a se constituir na égide do movimento deflagrado na década de 1830 por Gonçalves de Magalhães e José de Alencar, em prol de um “nacionalismo literário brasileiro” – como  forte inspiração para as reflexões de Machado acerca da literatura brasileira, expressas nos ensaios “O passado, o presente e o futuro da literatura brasileira”(1858), “Instinto de nacionalidade”(1873) e “A nova geração”(1879), e sua obra Viagens da minha terra como uma das peças que moldaram,no teor da sátira menipéica-luciânica (ao lado das obras de Sterne,Diderot e Xavier de Maistre),  a célebre inflexão machadiana no início da década de 1880. 

A se arrolar ainda Camilo Castelo Branco, que inspirou Machado em certos recursos narrativos, como as digressões metaliterárias, as interferências do narrador em diálogo com o leitor, o uso da ironia (já foram apontados elementos da novela  Coração ,cabeça e estômago: uma estética da ambiguidade, de Camilo, em Memórias póstumas de Brás Cubas)
E de um português que não era escritor ou literato, Furtado Coelho, que  produtor teatral propiciou a Machado , porque as levava a cena, o incrementar de sua importantíssima atividade de tradutor (que Mario de Alencar, considerando-o “um dos maiores tradutores brasileiros”, lamentava tivesse Machado interrompido ).
_______________

Por fim, uma reflexão a respeito de questão que muito me instiga, e julgo pertinente. Machado – como representante proeminente do movimento de ‘nacionalização literária’ brasileira -- parece ter sido o primeiro, se não o único a se aproximar e interagir aos portugueses: não se tem referência, por exemplo, das  presença e atuação, nesse sentido, de Gonçalves de Magalhães, José de Alencar e dos demais românticos empenhados,no Brasil, nesse projeto (que se dava simultaneamente em Portugal, convém frisar) de afirmação de nacionalidade literária e cultural..
Não existem dúvidas de quanto ambíguos, ou no mínimo reticentes, postaram-se os românticos brasileiros com relação ao legado lingüístico e cultural dos portugueses: mesmo tendo em conta a importância, ou necessidade, de estabelecer, e sedimentar, traços  diferenciadores do novo país depois da independência de 1822,  o curioso – e  contraditório – é que desenrolou-se um processo de obediência e preservação dos padrões lingüísticos,sintáticos,gramaticais,léxicos portugueses como uma espécie de atestado de qualificação cultural  e ‘civilidade’ intelectual. Isto é, intentavam os primeiros românticos brasileiros se constituírem nos agentes a afirmação nacionalista brasileira, no âmbito cultural, sem no entanto  romperem com o arcabouço lusitano... E por outro lado sem assumirem, e praticarem, como o foi para e em Machado de Assis,  lídimas, eficazes, indispensáveis relações e interações -- que só  embasaram, consolidaram, consubstanciaram uma notável constituição intelectual.

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Mauro Rosso
pesquisador  de literatura brasileira; ensaísta, escritor


                                                                                                                                










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                                                                                                                                                             apêndice
                              
       machado de assis e  portugueses nos  periódicos oitocentistas do  rio de janeiro

raisonée 1 : machado de assis e  portugueses,  atuação e convívio nos periódicos
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  periódico                           período                      rubricas da                                    os portugueses  atuantes e conviventes
[ordem cronológica de             de  atuação e convívio                 colaboração
                                                                                                       de   MA
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Marmota Fluminense         1855- 57                     poesia; artigos; tradução; conto;         F.G.Braga/Caetano Filgueiras/ A.E. Zaluar/E. Garção /                 
                                                                  crítica literária
   A Marmota                   1857-61    .                poesia;ensaio; índefinido’*     
                                                           
  Correio Mercantil             1858/1865               poesia; conto;artigos; ensaio;                    F. Xavier Novaes/Reinaldo Carlos Montoro                                                               
                                    (interruptos)                      crítica literária      

 O Parahyba                      1858-59                       poesia;  tradução; crônica                     A.E. Zaluar/ Reinaldo Carlos Montoro/
                                                                                                                                              RemigioSena Pereira/ Francisco Ramos Paz

 Diário do Rio de Janeiro       1861-67                       crônicas; artigos;  tradução;                       RemigioSena Pereira/ Francisco Ramos Paz                                                                       
                                                                     crítica literária; poesia   

 O Futuro                             1862-63                        poesia; crônicas; contos                     F. Xavier Novaes/ A.E. Zaluar /Reinaldo Carlos Montoro/
                                                                                                                                    Remigio Sena Pereira/ E. Cybrão/ F. Ramos Paz/ F.G.Braga/
                                                                                                                                                         Caetano Filgueiras/ Manuel de Melo.
_______________________________________________________________________________________________
* “Queda que as mulheres têm pelos tolos” (1861)
                                                                 
                                                                        ........................................


raisonée 2 : machado de assis e  portugueses : citações, alusões, referências nos  periódicos
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  periódico                      período                 rubrica do texto          título do texto                                  citações (autor;obra)
[ordem alfabetica]
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A Crença    .                  1875              artigos;ensaios             A A. J. Porciúncula                                  Camões
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A Época                        1875                  contos                       O sainete                                          Camões [Os Lusíadas ]
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A Estação                      1879                  contos                       A chave                                     A.Dinis da Cruz e Silva
                                     1881                  contos                       O alienista                             Pedro António;  Correia Garção .
                                         1882                 contos                       O imortal                              pd.Francisco Manuel do Nascimento
                              1883                  contos                      O programa                                   Camões [Os Lusíadas ];
                                                                                                                                          Justiniano José da Rocha ;
                                                                                                                                                 Firmino Rodrigues Silva
                                     1883                  contos                      Troca de datas                          A.Herculano [Eurico, o presbítero ].
                                     1894                  contos                      Um erradio                          * pde.António Pereira de Figueiredo

                                     1889-91            romances                 Quincas Borba                      Camões [Elegia ; “Sobolos Rios que Vão”] ;                                    
                                                                                                                             Mendes Leal [A pobre das ruínas ]; Bernardim Ribeiro;                                                                                  
                                                                                                                                   A. Garret [Lírica de João Mínimo ];                                     .                                                                                                                                        Manuel de Almeida e Sousa de Lobão ;                                               
                                                                                                                                          pd. Manuel Bernardes[ Nova Floresta ] ;                 
                                                                                                                                             Manuel Antônio Coelho da Rocha
_____________________________________________________________________________________________________
A Marmota                    1859    .              artigos;ensaios          O passado, o presente e                            A. Garrett ; Sousa Caldas                                                      
                                                                                                        o futuro da literatura                                                                                                 __________________ _____________________________________________________________________________________________
Almanaque Brasileiro
         Garnier                 1896                     contos                    Um incêndio                                  Camões [Os Lusíadas ]
____________________________________________________________________________________________________
   Diário do Rio de Janeiro    1860                    crítica teatral              Revista Dramática                        Camilo Castelo Branco 
                                     1861                   crônicas                                                 Bocage ; Pinheiro Guimarães [História de  uma moça rica ]                                                                                             
                                         1861                   crônicas                                                         Pinheiro Guimarães [História de  uma moça rica ]                                                                                             
.                                    1861                    crônicas                                                  pde. José  Agostinho de Macedo [Martim literário]                                                    
                                                                                                                                                                   Camões [Os Lusíadas]
                                         1861                   crônicas                                   pde. Francisco Manuel  de Nascimento [“Em defesa da língua”]              
                                     1861                   crônicas                                                            Bernardim Ribeiro[Menina e moça ]        
                                         1861                     crônicas                                                                       A.Dinis da Cruz [O hissope ]                
                                     1862                   crônicas                                                             A.Dinis da Cruz [O hissope ]; Bocage                                                                                                                                                                                                                                                                                           
                                                   1862                   crônicas                                            A. F.Castilho\José F. Castilho [Tributo à Memória de
                                                                                                                                       Sua Majestade Fidelíssima, o Sr. D. Pedro V, o Muito Amado] ;.    
                                                                                                                              José Castilho[ Memória acerca da 2 Égloga de Virgílio ].    
                                                                                                                                 A. F. Castilho [A noite do castelo;“Cartas de Eco e Narciso”;
                                                                                                                                                                     “Ciúmes do bardo” ].
                                                                                                                                                         pde. F.Manuel do Nascimento
                                     1862                  crônicas                                                                     Sá Miranda [“Carta”]
                                                   1862                   crônicas                                                                  Sá Miranda[“Carta”]; Caldas Barbosa
                                         1863                   crítica literária                                                           A. E. Zaluar [Revelações ]                                                            
                                     1863                 crítica literária                                                                 A.Herculano
                                     1863                 crítica literária                                          A. E. Zaluar [ Peregrinação pela   província de S. Paulo ]
                                        1864                     crônicas                                            A. Garret [ “Tratado de educação” ; “Camões”; Folhas caídas ]; 
                                                                                                                                                                Camões [Os Lusíadas ]
                                      1864                  crônicas                                                                  A.D.Pascual [Morte  moral ]                                                                                                                                                                  
                                          1864                   crônicas                                                               A.D. Pascual { Morte moral ].
                                          1864                 crônicas                                                                 A.E.Zaluar [Folhas do caminho ].
                                          1864                 crônicas                                                              Camões [Os Lusíadas ]
                                      1864                 crônicas                                                              A.Herculano [Eurico, um  presbítero ].
                                          1864                   crônicas                                                                                    A. Vieira                                                                                                                                                          
                                          1864                crônicas                                                        Rebelo da Silva [A mocidade de D.João V].               
                                      1864                 crônicas                                                                   Teixeira de Melo [ Sombras e sonhos ];
                                                                                                                                            Fernandes Pinheiro [Manual do pároco ; Meandro poético ]                                               .                                     1865                 crônicas                                                     José Antonio F. da Silva [Lembranças de José Antônio] ].                          
                                          1865                   crônicas                                                                                 Camões; Bocage
                                      1865                   crônicas                                                                                       Bocage
                                          1865                 crônicas                                                         pde. Manuel  Bernardes [ Floresta ; Exercícios morais ];       
                                                                                                                                 A.F. de Castilho \ José F. de Castilho [ Livraria  clássica ;
                                                                                                                                                                Excertos do pde.Manuel   Bernardes ].     
                                              1865                  crítica teatral           Revista Dramática                       Mendes Leal; Bocage [“Pena de Talião”]; .
                                                                                                                                                                   A.Herculano; A. F. Castilho [Camões ];
                                                                                                                                                                       A.Garret [Frei Luis de Souza]
                                       1866                  crítica literária                                                J. de Vasconcelos Ferreira [Um livro de rimas ]                                                                                 
                                       1866                    crítica teatral           O teatro de José de Alencar                                A. Garret.
                                                    1866                  crítica literária                                                                 Caetano Filgueiras
                                                     1866                  crítica literária                                                   F. Gomes de Amorim [Cantos  matutinos.]                       
                                           1866                 crítica literária                                                        A. Dinis da Cruz [Dido;  Hissope ]                                                                                                                                                                                                          
                                           1866                  crítica literária                                                         F. Gomes de Amorim [ Efêmeros ]                                                                                                                                                                              
                                           1868                 crítica literária                                                                Faustino X. de Novais
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Gazeta de Notícias            1881                  contos                      Teoria do medalhão                  * pde. Francisco Manuel do Nascimento
                                          1882                  contos                      A serenissima república                                     Camões
                                          1883                  contos                      A  igreja do Diabo                        A.Dinis da Cruz e Silva [Hissope ]                                                                                                                                                                                                                                      
                                          1884                  contos                         O diplomático                                       Camões [Os Lusíadas ]                                                                                                                                                       
                                      1884                  contos                      As academias de Sião                                Camões [Os Lusíadas ].
                                      1884                    contos                        Viagem à roda de mim mesmo     Camões; Bernardim Ribeiro ["Vilancete seu"]
                                      1884                    crônicas                                                                        Camões [“Elegia-XI”; João de Barros]
                                          1884                   crônicas                                                                                Camões [Os Lusíadas ]
                                          1885                  contos                        O dicionário                               Pedro A. Garção [Obras poéticas ]                                                     
                                   1887                 crônicas                                                                               Camões                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
                                          1888                    crônicas                                                 pde. Perereca [Memórias para servir à história do reino do Brasil ].   
                                          1888                  crônicas                                                                           Camões [Os Lusíadas ]
                                       1888                   crônicas                                                 Eça de Queiroz [ A correspondência de Fradique  Mendes ].
                                          1888                    crônicas                                                                                            Camões
                                      1888                    crônicas                                                                               N. Tolentino [ “O bilhar” ].  
                                      1889                   crônicas                                                                              Mendes Leal [Pedro]. 
                                          1889                   crônicas                                                                Manuel do  Nascimento[Filinto Elisio] 
                                      1889                  crônicas                                                                                      N.Tolentino
                                          1889                    crônicas                                                                                       Camões [Os Lusíadas ]. 
                                                    1892                    crônicas                                                                                                 Camões
                                      1893                     crônicas                                                             pde. Manuel Bernardes [Pão partido em pequeninos ]
                                          1893                    crônicas                                                                                          N. Tolentino
                                      1893                    crônicas                                                                                      Camões [Os Lusíadas ]                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    
                                      1893                    crônicas                                                                                        A. Garret [“Camões”]
                                      1894                   crônicas                                                                                       Camões
                                      1894                    crônicas                                                                                                 Bocage
                                      1894                    crônicas                                                                                           João de Barros
                                      1894                  crônicas                                                                                       Camões                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    
                                      1895                    crônicas                                                            Camões [Os Lusíadas ]                                                   .
                                          1895                  crônicas                                                                                     Camões                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               
                                      1895                    crônicas                                             Pedro Rabelo[Alma alheia ]; Bocage ;Camões [Os Lusíadas ]
                                      1896                    crônicas                                                                    N.Tolentino; Guerra Junqueiro
                                     .1896                    crônicas                                                                  Valentim  Magalhães [Bricabraque ]                                                 
                                          1896                   crônicas                                                                        João de Barros [Décadas da Ásia ];                                          
                                                                                                                                                  Camões [Os Lusíadas ]                                                .
                                          1896                   crônicas                                                                      Bocage ; Filinto Elisio
                                          1896                   crônicas                                                                       A. Vieira ; Camões [ Os Lusíadas ]                                               
.                                         1896                   crônicas                                          Valentim Magalhães [Flor de sangue ]                                             .
                                          1897                   crônicas                                                  Xavier da Cunha [Endechas de Camões a  Bárbara ]                                                                                                                                                                                     
                                          1897                   crônicas                                                                           Camões [Os Lusíadas ].
                                          1897                   crônicas                                                                                       Camões
                                          1899                artigos;ensaios                                                                     A. Garret
                                      1899                artigos;ensaios              Garret                                    A. Garret [Viagens na minha terra ];  Camões;                                          
                                                                                                                                                      Frei Luís de Sousa [“Adozinda”; “Folhas caídas”];.
                                                                                                                                                                Bernardim Ribeiro; Gil Vicente.
                                         1900                artigos;ensaios            Eça  de Queiróz                             Eça  de Queiróz; A.Vieira; Camões
                                               1904                crítica literária                                                                           A. Garret
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Gazeta Literária              1884                  contos                      A segunda vida                 A. Herculano [Eurico, o presbítero ]; Sousa Caldas
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 Ilustração Brasileira          1877                 crônicas                                      Pinheiro Guimarães [ História de  uma  moça rica ; A punição ]                                                 
                                          1877                crônicas                                                           A.Herculano [Eurico,um presbítero ].
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Jornal das Famílias           1866                  contos                     Uma excursão milagrosa                             Camões [Os Lusíadas ];.
                                                                                                                                                                   A.Dinis da Cruz e Silva [Hissope ].
                                          1873                 contos                      As bodas de Luís Duarte                           N. Tolentino
                                          1873                   contos                        Decadência de dois grandes homens           A. José de  Castilho                    
                                      1874                 contos                      Os óculos  de Pedro Antão                     Francisco Rodrigues Lobo;
                                                                                                                                                Pedro António ;Correia Garção
                                      1876                    contos                           Encher  tempo                                  Gil Brás; Sousa Caldas 
                                      1876                  contos                    Uma visita de Alcibíades                                A.Garret                                                                                                                                    
                                      1878                  contos                         Dívida  extinta                                    N.Tolentino 
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Jornal do Commercio           1872                crítica literária                                                           Vasco Nunes ; Junqueira Freire
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Marmota Fluminense         1855                     poesia                            Um sorriso                                            Camões                             
          A. Garret
                                      1855                     poesia                           No álbum do sr.
                                                                                                       F. G. Braga Manuel José                        F. G. Braga
                                      1855                  poesia                         A derradeira injúria                       Camões[ Os Lusíadas ]
                                          1855                  poesia                           A uma menina                           Manuel José Quintana 
                                      1856                  poesia                              Um anjo                                     A.E.Zaluar  
                                          1856                  poesia                         Consummatum est !                          João de Lemos 
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  O Cruzeiro                      1878                  romance                     Iaiá  Garcia                          pde. Manuel Bernardes [Luz e calor ];
                                                                                                                                                                       A.Garret [Romanceiro ]
                                       1878                  contos                         Elogio da vaidade                                 A.Garret
                                       1878                crítica literária                                                 Eça de Queiroz [O primo Basílio ]; Camões ; 
                                                                                                                                              A.Herculano [O monge de Cister ; Eurico um presbítero ];
                                                                                                                                                     A.Garrett [O arco de Sant' Ana ]; Gil Vicente
                                    1878               crônicas                                                             Pedro Garção [“O suicídio”];
                                                                                                                                                           João de Lemos [“Lua de Londres” ];
                                                                                                                                                                  João de Barros [Décadas ]                                                               
                                          1878               crônicas                                                            N. Tolentino [“O colchão dentro  do toucado”]
                                          1878               crônicas                                                               Eça de Queiroz [O primo Basílio ]
                                          1878                  crônicas                   Eça de Queiroz  e Eleazar                                    Eça de Queiroz
                                         1878               crônicas                                                            F.Manuel do Nascimento ; Camões [Os Lusíadas ].
                                          1878               crônicas                                                                     A. Vieira [Sermão do Bom Ladrão ]
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O Espelho                          1859                  artigos;ensaios             Os imortais –
                                                                                            O marinheiro batavo                                           Camões   
                                       1859                  crítica teatral             Revista dos Teatros                                  Ernesto Cybrão [ Luiz].
                                      1859                  artigos;ensaios              Aquarelas:
                                                                                    O empregado público aposentado                  A. Herculano; Rebelo da Silva      
                                         1859                  crítica teatral              Revista dos Teatros                      Mendes Leal [Abel e Caim] ; Camões
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O Futuro                         1862                   contos                         O país das quimeras                            A. Dinis da Cruz e Silva [Hissope]  
                                      1862                 crônicas                                                                          Tomás Ribeiro [“D. Jaime”]
                                     .1863                 crônica                                                               Camilo Castelo Branco [Agulha no palheiro ]
                                      1863                 crônica                                                          N.Tolentino; A. Dinis da Cruz e Silva [Hissope ]
                                          1863                 crônica                                                  Jacinto de Freitas Oliveira [Esboço histórico de José Estevão ]
                                                    1863                  crônica                                                                     A.E. Zaluar [Revelações ;Dores e flores ];
                                                                                                                                                                          Mendes Leal [Calabar]                                                       
                                                    1863                  crônica                                                                 João Francisco Lisboa [ Jornal do Timon ];
                                                                                                 Luis Ramos Filgueiras [Dalmo ou os mistérios da noite ].
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O Globo                          1874                  romances                 A mão  e a luva                        António Ferreira [Carta a Diogo Bernardes ]                                                       
                                      1876                  romances                     Helena                                              A. Garret [Camões]
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O Novo Mundo                1873                artigos;ensaios          Notícia da atual literatura brasileira:              Camões; Fernão Mendes Pinto
                                                                                                            Instinto de nacionalidade
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Revista Brazileira               1879                crítica teatral               Antonio José(e Moliére)                  Gil Vicente; Manuel de  Figueiredo; Camões
                                      1879               artigos;ensaios              A nova geração                          Fontoura Xavier [“Régio saltimbanco”] ;                                                           
                                                                                                                                                Guerra Junqueiro [“Musa em férias”];                                                 
                                                                                                                                                            Francisco de Castro [Estrelas errantes];                                                       .                                                                                                                                                             Antônio F. de Castilho; A.Vieira; A. Garrett
                                         1880                   romances                  Memórias póstumas
                                                                                                 de Brás Cubas                           pd. Manuel Bernardes; Bocage; A. Vieira;
                                                                                                                                                               Camões [Os Lusíadas ]; A.Garret;
                                                                                                                                                     Camilo Castelo Branco [Coração, cabeça e estômago ]      
                                         1896                   artigos;ensaios            Henriqueta Renan                              Camões [ Os Lusíadas ]; Sá de Miranda
                                     1898.                crítica literária                --                                                     Eça de Queirós
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Semana Ilustrada             .1861                   poesia                         Elegia                                        Camões [Elegias ].                   
                                      1863                   poesia                   Os dois horizontes                         M. Ferreira Guimarães                                                                      
                                      1864                   poesia                        As rosas                                       Caetano Filgueiras 
                                      1864                   crônicas                                                                                    José F..de Castilhos
                                          1864                 crônicas                                                             Pinheiro Guimarães[História de  moça rica ; A punição ]   
                                          1864                  crônicas                                                                          Pinheiro Guimarães[História de  moça rica]
                                          1865               artigos;ensaios           Conversas com
                                                                                                          as mulheres                                             Antônio F. de Castilhos
                                          1865                   contos                       O Teles e o Tobias                                              A. Vieira
                                      1869                 crônicas                                                                             A. Dinis Cruz e Silva
                                          1869                 poesia                     A  F.X. de Novais                                  Francisco X .Novais                                                                                                              
                                      1870                 poesia              A  Francisco Pinheiro Guimarães                        F. P. Guimarães                                                                                                                      
                                          1870                 crônicas                                                                                  Sá de Miranda  
                                          1870                 crônicas                                                                    Correa de  Miranda [ Vôos do tambaqui ]  
                                          1871                  crítica teatral                                                                        Júlio Dinis [As Pupilas do Sr. Reitor ]                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
                                          1872                  crítica teatral                                                                               A. Garret                                                       
                                          1873                crítica teatral                                                                  pde. Francisco   Manuel de Melo                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
                                          1873                crítica teatral                                                            Pedreira Braga [“A um poeta morto”].
                                      1874                crítica literária               -                                               Sabbas da Costa [A Revolta ]
                                      1875               artigos;ensaios           O Visconde de Castilho       A.F.  de Castilho [Ciúmes de bardo”; “Noite do castelo”]
                                          1876                                                                                                             Camões[Os Lusíadas ].
                                          1877                                                                                       A. Herculano [ Eurico,um presbítero ;História de Portugal
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